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106 anos de glórias

Noia está de aniversário nesta segunda. Para contar um pouco da história do Gigante do Vale do Sinos, atuais e ex-dirigentes falaram também sobre o momento especial do clube


reportagem e fotos GUSTAVO HENEMANN

O Esporte Clube Novo Hamburgo (ECNH) completa 106 anos de existência nesta segunda-feira, dia 1º de maio, em um dos momentos mais especiais da sua história. Finalista do Campeonato Gaúcho após 65 anos de espera por uma nova decisão de um título estadual, o Noia saboreia o feliz aniversário junto com o seu torcedor, apesar de todas as dificuldades enfrentadas para chegar novamente entre as principais forças do Estado. Cinco vezes vice-campeão gaúcho nos anos de 1942, 1947, 1949, 1950 e 1952, quando ainda se chamava Floriano, o Gigante do Vale do Sinos tem a possibilidade concreta de chegar pela primeira vez ao ápice da sua gloriosa trajetória.

A semana do aniversário anilado é decisiva e cheia de apreensão, apesar de que os presentes tenham chegado antes mesmo da grande final no Estádio do Vale, no próximo domingo, às 16 horas. Já garantido na Série D do Campeonato Brasileiro e também na Copa do Brasil 2018, o Noia espera ter a sua maior conquista desde 1911. “É um momento que todos gostariam de estar passando, porque a gente vai disputar algo que poucos conseguiram, que é desbancar a dupla Gre-Nal. Parece que não cai a ficha totalmente. O que nos fortalece muito é a união do grupo, a confiança, a vontade de buscar algo diferente. Quando fomos na FGF antes da competição, na pesquisa nós éramos o primeiro clube cotado a cair, e hoje somos o melhor clube do campeonato independente de ficar campeão ou não”, destacou o presidente-executivo do Anilado, Juarez Radaelli. “O Noia vem crescendo nos últimos anos, apesar das dificuldades. Gostaria que, de fato, a comunidade abraçasse o clube, porque pela grandeza da cidade, temos tudo para ser um clube de destaque”, completou o vice-presidente de futebol Éverton Cury.

E para contar um pouco da história do clube hamburguense até aqui, não só neste Gauchão, a reportagem procurou personagens importantes na construção do que hoje se tornou o Novo Hamburgo.

Gustavo Henemann/Gustavo Henemann/GES-Especial
Bandeira antiga do Noia

Noia na boa e na ruim


Quando se fala em paixão por um clube de futebol, é preciso apoiar o clube nas horas boas e nas ruins também. Um dos ilustres torcedores do Noia é o ex-presidente Marcos Fehse, 72 anos, que neste Gauchão perdeu apenas duas partidas do time fora de casa. “Não fui a Erechim e no jogo no Beira-Rio, pois tinha feito cirurgia e o médico me aconselhou a não ir. Quando viajo, converso com os jogadores e senti que estavam querendo. Esperávamos chegar ao título do Interior, mas ultrapassamos nossa meta. O favorito é o Inter, mas sonhar nunca é demais. Sonhamos com o título”, destacou Fehse. O ex-dirigente anilado nos anos de 1972 e 1989 comentou ainda sobre o último vice-campeonato gaúcho em 1952.

Eduardo Cruz/GES-Especial
Fehse e Lampert em encontro na semana passada em Novo Hamburgo

“É uma satisfação participar novamente de um momento desses, porque participei quando era criança do último vice-campeonato gaúcho, e agora estamos em véspera de poder conquistar um título, coisa que nunca se conseguiu. Na verdade, se conseguiu em 1937, quando a dupla Gre-Nal se afastou e o Novo Hamburgo ganhou o campeonato da Associação Metropolitana Gaúcha de Esportes Atléticos (Amgea), que depois foi extinta, e não conta no ranking da Federação Gaúcha de Futebol”, pontuou.

Pai jogou em 47

O Novo Hamburgo sempre foi um clube família e teve com seus pratas da casas as maiores conquistas da sua história. De acordo com Gildo Lampert, 73 anos, o seu pai Ingo Lampert (foto menor) foi um dos grandes “centros médios” – como antigamente eram chamados os volantes – do Floriano. “Meu pai foi vice-campeão em 1942, 47 e 49. Participou como jogador, treinador e dirigente do Floriano. Eu era bem criança, mas a cidade girava em torno do campo. As três vezes, infelizmente, fomos punidos pela arbitragem. Contra o Inter, o juiz marcou um pênalti no fim do jogo, a torcida não deixou cobrar, e vieram cobrar no meio da semana seguinte. O Adãozinho veio bater o pênalti e terminou o jogo”, detalhou Gildo. Sobre a chance de se tornar campeão gaúcho em 2017, Lampert também opinou. “Chegamos onde não imaginávamos chegar. O Novo Hamburgo apresentou um time muito bom. Chegou merecendo”, completou o torcedor.

Elementos históricos

  • Carteirinha de sócio
    Foto: Gustavo Henemann/GES-Especial
  • Carteirinha de sócio
    Foto: Gustavo Henemann/GES-Especial
  • Na época do Floriano
    Foto: Gustavo Henemann/GES-Especial
  • Taças históricas
    Foto: Gustavo Henemann/GES-Especial

Mais apoio da comunidade

Antigos dirigentes do Noia foram unânimes quanto ao apoio da comunidade: todos esperam mais dos hamburguenses e da região. “Entre minha família toda, somos oito pessoas e oito associados do Novo Hamburgo, porque acredito que todos precisam dar sua contribuição. Espero que com a campanha do Noia, mesmo não conquistando o título, que ela acorde, e ela já acordou. Depois de passar pelo Grêmio, foi uma vibração que nunca tinha visto na cidade. Passamos nos restaurantes e as pessoas estavam cantando e festejando a passagem do Novo Hamburgo para a final”, enfatizou Marcos Fehse. “O clube foi criado por um grupo de operários e surgiu das camadas humildes, às vezes diziam que não é popular. É conhecido mais fora de Novo Hamburgo, do que em Novo Hamburgo”, completou Fehse.

O ex-presidente Bruno Fehse, filho de Marcos, reforçou a ideia de que este é um momento de transformação para o Novo Hamburgo. “Em outras épocas as pessoas que torciam tinham vergonha de dizer, porque era taxado por ser uma coisa inaceitável, que torce só para o Novo Hamburgo. É um momento ímpar, que pode vir a transformar não só o clube, mas a cidade, que está precisando de uma melhor auto-estima. Desde que o calçado saiu daqui, a cidade passou a ser mais triste. O Noia vem num momento de conseguir se afirmar como clube, que ele ocupe um espaço de ponta no interior, assim como era alguns anos atrás”, completou Fehse.

Pé-quente e coração valente


Eduardo Cruz/GES-Especial
Birck é o mascote Pé-Quente do Noia

Filho do ex-dirigente Edgar Birck e sobrinho do ex-presidente Armindo Birck (1988/89), o porteiro Roberto Birck, 57 anos, mais conhecido como “Geladeira”, é um apaixonado pelo Noia. Ele é também o mascote Pé-Quente. “É muito emocionante. Coloco a vestimenta do mascote, depois venho para a torcida e para a emoção do jogo. Tem que gostar”, contou Birk, que lembrou que para o Anilado conseguir ter a fantasia do mascote, foi necessária uma união de esforços para pagar cerca de R$ 3,8 mil reais pela confecção da roupa.

De tão fanático que é pelo Noia, Geladeira precisa ter um coração forte. No ano passado, no final da Copa Caçapava contra o São José, no Estádio Passo D’Areia, o torcedor precisou ser atendido na ambulância. “A gente vai tentar fazer o melhor possível para não ter esse problema de novo. Em Lajeado, quando escapamos da Série B, também ganhei um “faniquito” e precisaram me tirar de ambulância. São coisas que acontecem”, disse Birk, que encarou as situações com bom humor. “O coração é forte e o homem lá de cima cuida de mim. E já falei para minha esposa, ainda quero ver esse time na Série A do Brasileirão e eu presidente do Noia”, reforçou Pé-Quente.

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