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Modos de ser e estar

Viagem dentro e fora

Mudar costumes e conhecer um pouco mais deste mundão múltiplo e variado o suficiente para nos surpreender a cada novo passo dado em direção ao desconhecido pode ser revigorante e suficiente para recarregar as baterias..

Tenho sempre a necessidade de escrever sobre férias da mesma forma que tenho de usufruí-las. E não poderia ser diferente. Depois de um ano de muitas atividades e compromissos, todos precisam dela! Um povo trabalhador como o nosso precisa descansar o corpo, aliviar a mente para então, se abrir a novas ideias e percepções do mundo, do próprio universo e de si mesmo. Quando se tem a oportunidade de sair de casa e passear por outros lugares esta sensação pode ser potencializada. Mudar costumes e conhecer um pouco mais deste mundão múltiplo e variado o suficiente para nos surpreender a cada novo passo dado em direção ao desconhecido pode ser revigorante e suficiente para recarregar as baterias.
Porém, é possível enxergar somente aquilo que nos é familiar, que nos conforta e que nos redireciona ao que já conhecemos e ao que já somos. Sem mudar esta forma de olhar que nos permite reparar mais, não é possível ver o que um descanso faz o olho alcançar. Podemos ser turistas na potência elevada, não visitando somente os mesmos pontos das rotas percorridas, mas nos percebendo diferentes durante os quilômetros rodados. Numa viagem ou em um passeio, não importando a distância da nossa casa, pode nos fazer voltar outro. Talvez esta seja uma mudança pouco aparente e não tão visível quanto um bronzeado adquirido, uma nova roupa ou souvenir trazido na mala. É uma bagagem que vai aumentando com o grau de abertura que vem de dentro para fora e que exercitamos durante toda a vida, no cotidiano ou naquele tempo onde apenas sonhamos com as férias, mas estamos mesmo é “matando os leões”. É no dia a dia que praticamos tudo aquilo que se intensifica com mais tempo e em outro ritmo durante o recesso de trabalho.
Férias é investir na saúde física e mental. É qualidade de vida. É prevenir adoecimentos e sofrimentos. É a possibilidade de retomar a jornada tendo revisado o percurso alcançado até ali com a distância necessária para mudar a rota, alterar o sentido ou continuar com mais confiança. Os trabalhadores carecem deste tempo. A produtividade e as relações de todo ambiente de trabalho agradecem.

Um ano difícil

Apostar no ano novo é sempre renovar a esperança, é vibrar como uma criança, é não perder a capacidade de se emocionar e retomar a intensidade que vida tem..

Neste momento de compartilhar alegrias, generosidades natalinas, comemorações de fechamentos de ciclos e de ano está difícil escrever ou fazer uma reflexão mais otimista diante da atual conjuntura. De maneira extremamente sofrida 2016 não foi dos melhores, definitivamente. Crises políticas, econômicas, sociais, pessoais se deram intensamente durante os últimos 365 dias. Não foi um período qualquer, nem para os brasileiros, nem para a população mundial.
Muitos direitos conquistados, empregos ou trabalhos, salários, benefícios e garantias têm se perdido devido a manobras arbitrárias, decisões tendenciosas e mau caráter dos governantes. Um panorama bem complicado e pouco esperançoso para quem sonhou e lutou por uma vida com a mínima dignidade. Ou seja, para a maioria esmagadora dos brasileiros. Os trabalhadores do país, aposentados e seus familiares e descendentes têm tido consequências bastante complexas como resultados de todo este pandemônio em que estamos vivendo. Guerras, destruições, desastres tem sido o cotidiano influenciando-nos direta ou indiretamente. Cidadãos inocentes pagam o preço de discórdias das mais diferentes ordens. A violência se dissemina e contamina as relações, o corpo e alma.
É necessário refazer o pacto com toda a paz que pode estar ao nosso alcance. Resolver conflitos de maneiras inéditas, priorizando a escuta do outro, a aceitação e o respeito às diferenças, investindo em alternativas que transformem algumas práticas em outras vivências. Há que se apostar em novos caminhos de ver a vida como o bem maior. Restaurar a ética e as possibilidades de existir de maneira menos opressora. Fortalecer os espaços de diálogos, a capacidade das pessoas exercerem seus protagonismos e de serem autoras das suas próprias histórias fortalecendo o coletivo e não renunciando a ele.
Quanto mais parece que falta tudo isto, mais aparecem novos modos de viver e de se subjetivar para dar conta do mundo e da maneira em como ele vem se transformando. Apostar no ano novo é sempre renovar a esperança, é vibrar como uma criança, é não perder a capacidade de se emocionar e retomar a intensidade que vida tem.

Preparação para Aposentadoria

As poucas certezas de uma vida inteira foram colocadas em xeque e aquela reunião de pessoas foi um exemplo do que toda a população brasileira viveu nestes últimos dias e que poderá modificar os rumos da história da nossa gente com consequências significativas para toda uma nação..

Na última semana realizei, junto com o estagiário de psicologia Gilson Barth, mais uma etapa de um trabalho com algumas pessoas sobre a importância de preparar-se para o momento tão esperado que é a aposentadoria. Não foi uma ocasião fácil! Justamente na semana em que o governo federal enviou à Câmara dos Deputados a proposta de reforma da Previdência. As poucas certezas de uma vida inteira foram colocadas em xeque e aquela reunião de pessoas foi um exemplo do que toda a população brasileira viveu nestes últimos dias e que poderá modificar os rumos da história da nossa gente com consequências significativas para toda uma nação.
Sabemos que o exercício profissional promove impactos, tanto na subjetividade, como na vida de forma geral. Ele tem um lugar central na vida de todos nós. É por isso que sabemos também que o trabalho é constitutivo do sujeito, ou seja, ele diz quem somos e o que fazemos. Não é a toa que as pessoas se apresentam e se reconhecem dizendo o que fazem em suas atividades laborais, identificando-se mais ou menos com o lugar que a tarefa realizada ocupa na sociedade. No entanto, há quem faça contagem regressiva desde os primeiros anos de trabalho colocando toda a expectativa de uma “boa vida” somente para a etapa da aposentadoria e resolve fazer da juventude um acúmulo de bens e investimentos. Ou apenas de muito trabalho sem conseguir, de fato, juntar o necessário para que o restante da vida seja digno o suficiente. E esta já é a realidade!
Não é um período fácil, para quem investiu sua força de trabalho pela vida inteira, realizar esta transição quando chega o tempo de se preparar para receber os benefícios adquiridos. Mas a angústia de se sentir perdendo os direitos conquistados ao longo da trajetória de vida tem fragilizado demasiadamente um povo que trabalha muito mas parece que cada vez mais terá menos retorno. A classe trabalhadora que toca o país com garra e muito suor pode precisar se preparar não apenas quando for se aposentar mas, para arcar com uma dívida que não é sua. Haja força de trabalho, saúde e resistência para todos nós!

Torta Pati

Minha memória afetiva rastreou no arquivo interno algo que faz parte da minha vida praticamente desde que nasci..

Foi escrevendo Alimento para Corpo e Alma, meu último texto publicado aqui, que minha memória afetiva rastreou no arquivo interno algo que faz parte da minha vida praticamente desde que nasci. Sim, sou a Pati da torta! Com muito orgulho, minha vó Leane era doceira de mão cheia. Fazia tortas por encomendas para as clientes que telefonavam e depois vinham até sua casa buscar a obra de arte.
A primeira neta recebeu no seu aniversário de um ano uma festa, como de costume, em que a família se esmerou. A vó fez os doces, a torta de bolacha para as crianças e de outros sabores para os adultos. E com as sobras dos ingredientes montou algo que ficou guardado e não foi servido na comemoração, talvez por acharem que não estivesse à altura do afeto e do esmero que circulavam por lá. Esquecida no congelador (sim, ela precisava ficar no frezzer e ser retirada um pouco antes de cortada, caso contrário, a autora avisava não ser sua responsabilidade) minha mãe serviu para algumas amigas que vieram à noite ou no dia seguinte se recordo bem, já que o hardware é do século passado. Com vários elogios à guloseima que era confeccionada com dois tipos de chocolate, nata e nozes, ela começou e ser produzida e se transformou no maior sucesso do know-how da Dona Leane.
No entanto, o mais importante para mim e os outros netos era lamber o chocolate que restava no fundo do pote, roubar nozes que já tinham sido açucaradas e fazer com ela as bolachas de natal, tradição desta época. Quando ela ligava para convidar era sinal de que tinham chegado as férias da escola, o tempo da piscina, de ficar mais com os avós, de pintar as bolachas, de se sentir afetivamente livre com o verão que tinha pela frente.
E no inverno eu também adorava estar lá com ela e com o vô Egon. Nas noites de domingos o ei brot quentinho, uma espécie de schimia de ovo alemã, era o sabor mais confortante para uma criança que descobriu que gostava de café com leite sem açúcar porque a vó fazia assim. Mas o sucesso dela com a família, na verdade, eram os salgados e a gente não contava pra ninguém. Seu banquete da ceia de Natal era algo que ficou para sempre na alma de quem não só se alimentou, mas se nutriu desta forma de afeto.

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