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Modos de ser e estar

Mães de todos os tipos

...uma das minhas configurações atuais é a mãe guardanapo. Já imaginou? Quando menos espero tem uma boca sendo limpa em mim, no meu braço, na minha mão, na minha blusa, na minha bochecha com um beijo disfarçando a travessura..

Existem vários tipos de mães mas, no fundo, são todas meio parecidas... Todo mundo já conhece a famosa mãe polvo. Aquela que tem múltiplos braços para realizar todas as tarefas que estão ao seu alcance e que não estão também. Sempre se consegue juntar ou pegar algo a mais. Quem já não tem os braços suficientemente alongados pelas exigências da vida, começa a exercitá-los logo no início da maternidade.

Mas uma das minhas configurações atuais é a mãe guardanapo. Já imaginou? Quando menos espero tem uma boca sendo limpa em mim, no meu braço, na minha mão, na minha blusa, na minha bochecha com um beijo disfarçando a travessura. Não vejo isto como falta de respeito, mas justamente, como uma oportunidade de educar e de perceber o contato físico e afetivo.

Quando pensei em algumas destas palavras, estava sendo uma mãe cobertor. Na última semana fui beijar meu filho na sua cama enquanto ainda dormia, antes de sair. Abaixei-me, senti seu cheiro, seu calor, sua pele, sua respiração. Ao me levantar, uma mãozinha me enlaçou entre seu braço e seu corpo e me transformou imediatamente. A mãe cobertor é aquela que esquenta e acalenta. Ali fiquei, imóvel. Sentindo tudo e querendo que o mundo parasse. Todos os fantasmas, meus e dele, foram embora do quarto e permanecemos por um tempo, aconchegados como se fossemos um só.

A mãe inventora tem a maior capacidade de criar oportunidades para lidar com as situações mais inusitadas. Mas isto não é mágica. É treino. Depois de cair em muitas ciladas (todas aquelas que se acha que já sabe antes de ter filho) que fazem você ser politicamente correta jurando que estava preparada para acertar. A mãe inventora opta pela habilidade de compor com o seu entorno, com a experiência e com a sorte. Inventar histórias e criar situações, não para enrolar, mas para envolver é seu maior talento. Na grande maioria das vezes dá certo.

São todos nossos filhos

É muito possível prevenir sofrimentos e adoecimentos que podem se agravar em um futuro próximo com a atenção e proteção pertinentes, a busca pelo entendimento, a tolerância e a prudência indispensável para cultivar relações humanas mais resistentes e sujeitos mais resilientes. .

Muito se falou, nas últimas semanas, sobre o Desafio da Baleia Azul e sobre a série da Netflix chamada 13 Reasons Why (“Os 13 Porquês”), oportunizando diálogos entre as famílias, professores, profissionais da área psi e pessoas que tratam com a devida importância estas questões tão caras a uma sociedade. Certamente, ganhamos todos com este debate, pois a necessidade de conversar e se comunicar mais e melhor está clara e podendo, em alguma medida, acontecer. Talvez, não seja preciso deixar situações desta relevância tomarem uma proporção tão assustadora e fragilizante para conseguir olhar verdadeiramente e escutar o que as crianças e os adolescentes estão querendo dizer.

É muito possível prevenir sofrimentos e adoecimentos que podem se agravar em um futuro próximo com a atenção e proteção pertinentes, a busca pelo entendimento, a tolerância e a prudência indispensável para cultivar relações humanas mais resistentes e sujeitos mais resilientes. Para que as pessoas se desenvolvam com uma saúde mental suficientemente boa é necessário investir nas relações primárias que se baseiam em vínculos afetivos que promovem cuidados, segurança e confiança. Isto se dá, fundamentalmente, através das relações familiares e com os adultos que se relacionam e zelam pela infância. Mas, quando a adolescência chega, este processo ainda não terminou. Os jovens precisam muito dos pais, avós, tios, tias, professores, professoras, amigos e amigas que estão ao seu lado e que demonstram percebê-los realmente.

Tudo isto demanda o desejo genuíno por esta conexão, tempo para que isto aconteça (e não só qualidade de duração escassa) e muito afeto para compartilhar. Eis um norte de algo que não tem receita, mas que se exercita mutuamente na magia e na beleza da convivência e dos aconchegos da alma que sustentam o humano.

Investigar a si mesmo

...é preciso investigar a si próprio. E esta, não é uma tarefa que pode ser delegada. Talvez seja um dos trabalhos mais difíceis da existência. Mas pode, quem sabe, ser também um dos mais libertadores..

Semana passada participei de um programa de televisão que tratou da regulamentação da profissão de detetive que aconteceu em março. Fui convidada a comentar os aspectos psicológicos das pessoas e situações que levam a contratar os serviços daqueles que realizam a “atividade de coleta de dados e de interesse privado”. Achei um tanto curioso esta história toda e me pus a matutar para me intrometer um pouco mais onde fui chamada.

Um detetive particular pode atuar em investigações de casos familiares e de traição conjugal tendo um número de clientes que não para de crescer, conforme a prestigiada profissional que lá estava. Mas o que será que leva alguém a procurar estes serviços? Que tipo de casamento, namoro e relação estabelecem os que desconfiam dos parceiros? Como lidar com a traição? Porque isto acontece? O que pode ser feito para não sofrer? Questões difíceis estas...

Ocorre que, quando a gente percorre algumas ideias parando pra pensar, ou melhor, quando o pensamento nos faz parar, muitas vezes somos levados a respostas diferentes daquelas que poderiam ser dadas imediatamente ou quase sem pensar. É por este caminho que outras perguntas também são possíveis. Afinal, algumas delas nos ajudam a entender muito mais do que as respostas.

Fiquei pensando o que faz com que alguém investigue no outro em vez de investigar a si próprio. O que, realmente, alguém quer saber quando contrata um detetive? Será que já não sabia? O que falta saber? Porque olhar somente para o outro e não para a relação que se estabelece e que o contratante também faz parte? Porque encarregar este trabalho a um terceiro?

Estudar por onde alguém anda, o que faz ou deixa de fazer pode acontecer de uma maneira bem mais poética, eu diria. Pode ser numa sedução romântica que permite, por exemplo, um casal se reencontrar nos desencontros da vida. Mas para isto, é preciso investigar a si próprio. E esta, não é uma tarefa que pode ser delegada. Talvez seja um dos trabalhos mais difíceis da existência. Mas pode, quem sabe, ser também um dos mais libertadores. E isto só pode acontecer se cada um tiver a liberdade e a coragem de se investigar, se conhecendo o suficiente para percorrer o desejo que caminha pelo inusitado e surpreende justamente por muitas vezes não estar onde se imagina.

No ônibus escolar

A aventura já começava bem antes do dia do evento tendo seu ponto alto na experiência da viagem de ônibus até o local. No momento em que as preparações foram acontecendo diariamente na relação entre a escola, os alunos e as famílias algo se anunciava: seu filho cresceu. Será isto algo tão difícil de perceber?.

Na semana passada meu filho, de 4 anos, foi assistir uma peça teatral com os colegas e professoras fora da escola. O acontecimento inédito causou uma certa perturbação para as famílias da turminha. A aventura já começava bem antes do dia do evento tendo seu ponto alto na experiência da viagem de ônibus até o local. No momento em que as preparações foram acontecendo diariamente na relação entre a escola, os alunos e as famílias algo se anunciava: seu filho cresceu. Será isto algo tão difícil de perceber?

Apareceu a pergunta: será que meu filho já pode ir sozinho? E o grupo das mães no whattsap começou a bombar. A escola, que já é avó na prática da educação infantil e em lidar com as famílias, se antecipou procurando comunicar cuidados e orientações necessárias para um passeio tranquilo e alegre como deveria ser e realmente foi. Mesmo assim, sentimentos comuns entre algumas mães vieram a tona causando um certo alarde conhecido entre as mulheres. Algumas mais ansiosas ou preocupadas puderam expor sentimentos onde todas se acolheram, se escutaram e contribuíram de diversas maneiras se ajudando.

Lembrei de um ditado antigo que diz que para criar uma criança é preciso uma aldeia. Formamos ali uma comunidade de mulheres-mães diferentes, mas que podem se apoiar nesta tarefa nada fácil que é educar e reconhecer o crescimento de um filho que vai se desenvolvendo e conquistando suas independências e liberdades a cada momento desta vida que não tem se mostrado, em algumas situações, muito amigável. Mas que vale muito a pena quando ensinamos a criar asas aqueles que amamos e queremos bem.

Durante aqueles dias lembrei de um poeminha que está em um livro adorável do Ricardo Silvestrin que se chama Transpoemas da editora Cosacnaify, que aliás recomendo. Além de ter uma ilustração inusitada, colorida e cativante do Apo Fousek, a obra é saborosa demais para pensar os inúmeros meios de transportes que podemos utilizar para viajar pelo mundo ou alçar voos pela imaginação. Para dar gosto nesta leitura, aí vai:

O ônibus escolar

O menino tem motorista particular e carro com ar.

Mas queria mesmo era estar no ônibus escolar.

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