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Modos de ser e estar

Tenha dúvida

A convicção é um golpe violento que não suporta vacilar. E a dúvida é sempre recebida com uma cara feia para ser posta de lado. Excluída, não a queremos..

Somos ensinados desde pequenininhos a encontrar certezas. A convicção permite falar de boca cheia, sem hesitar, como se satisfeitos estivéssemos após uma refeição farta e desmedida. A certeza é a rainha das respostas e das defesas. Na selva em que habitamos, efêmera como só ela, responder rápido será sempre a saída mais vantajosa ou de menor embaraço. E assim, a convicção se transforma num golpe violento que não suporta vacilar. E a dúvida, coitada, é sempre recebida com uma cara feia para ser posta de lado. Excluída, não a queremos. Rejeitamos ela como se só pudesse vingar a sensação de que está tudo resolvido. Ou será acabado?

Questionar, oscilar, tropeçar, gaguejar, jamais. Estes abalos nos jogam para fora do trem-bala. Nos tiram do prumo. Mas acontece que não dá pra viver sempre assim numa reta que endurece os modos de ser e de perceber a vida. Que não nos deixa olhar pro lado e sermos surpreendido. Afinal, a pulga atrás da orelha pode salvar do que já está arruinado e sugerir linhas de fuga ou rotas alternativas muitas vezes mais interessantes e repletas de novos sentidos. Gerar dúvidas ou problematizar questões faz a humanidade caminhar. As certezas empacam, fazem morrer.

Sempre que não se consegue perseguir algum convencimento, que precisa se reafirmar a todo instante, investimos forças em construí-lo, muitas vezes deixando de lado outros caminhos como possibilidades de resultados diferentes. Ou, no mínimo, realizando uma movimentação necessária para gerar processos de outras ordens. Como diria o poeta Manoel de Barros, é preciso “despraticar as normas”. É preciso fazer dúvida e, a partir disto, criar. Pensar e praticar outras formas de viver. Rachar as durezas e se abrir ao incerto. Navegar por mares desconhecidos para criar portos seguros mais móveis (se é que isto é possível!) o suficiente para continuar esboçando paisagens breves em um mundo não menos inventado.

Se lançar ao desconhecido não precisa só assustar ou paralisar. Pode também socorrer de um estado de sufocamento que deixamos acontecer a preferir respirar.

Machistas e Feministas

Se achas que todos devem ser tratados igualmente e ter os mesmos direitos, você (mulher ou homem) é feminista..

8 de março, dia da mulher. Flores? Presentes? O que mais? Sim, é preciso problematizar e pensar as relações de gênero. Os números têm se revelado assustadores. As mulheres de todas as classes sociais (eu disse todas!) tem começado a buscar auxílio revelando aos poucos seu sofrimento mais ou menos silencioso. Diz o IBGE que as mulheres são mais agredidas por pessoas que as conhecem. Ao contrário dos homens que são acometidos por quem eles desconhecem. Mas o que faz com que as mulheres sofram mais violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral por aqueles que as felicitam nesta semana? Os estudiosos na área têm dito que o machismo é o responsável. Porém, muita gente diz: "Não sou feminista e nem machista".

Afinal, será que sabemos o que é um e outro? Muito rapidamente, o feminismo busca a igualdade entre os gêneros e o machismo é o comportamento que coloca o homem em posição de superioridade com relação à mulher. Portanto, feminismo não é o contrário de machismo. Ser feminista não tem nada a ver com ser inimiga dos homens, ser mal amada, não usar maquiagem, ser homossexual ou optar por não ter filhos. Se achas que todos devem ser tratados igualmente e ter os mesmos direitos, você (mulher ou homem) é feminista.

Que tal, como celebração à data, começar a se perguntar qual é o diálogo possível entre homens e mulheres nos dias de hoje? Ou, quais masculinidades são menos nocivas à sociedade? Quais são as dificuldades e os sofrimentos das mulheres? Quais são as dificuldades e sofrimentos dos homens? Quais pequenos gestos são significativos para construir uma convivência mais justa e menos violenta? Quais são as brincadeiras sutis que violentam as mulheres? Como os homens podem conseguir expressar mais seus sentimentos? Como eles podem ser mais cuidadosos e exercer com mais competência a paternidade em vez de serem cada vez mais violentos?

Sugestão para ambos: guardem para si opiniões sobre as barrigas, bundas, magreza ou dobrinhas; questionem atitudes machistas de seus amigos ou amigas; não exponha materiais íntimos de outros ou outras em redes sociais; não contem piadas preconceituosas; respeite todas as possibilidades de ser homem e mulher.

Adaptar é preciso

A máxima de Darwin, já bastante popularizada e desgastada, não quer dizer que é o mais forte que sobreviverá, mas, justamente, aquele que terá maior capacidade de adaptação conseguirá melhor resistir. E este entendimento muda muita coisa..

Cada vez mais se pesquisa e se estuda o quanto a capacidade de adaptação dos seres marca sua sobrevivência. Darwin, biólogo e naturalista revolucionou a forma de ver o mundo através da sua Teoria da Evolução das Espécies por seleção natural. Atualmente, valoriza-se muito a capacidade de adaptação das pessoas. A máxima do pesquisador, já bastante popularizada e desgastada, não quer dizer que é o mais forte que sobreviverá, mas, justamente, aquele que terá maior capacidade de adaptação conseguirá melhor resistir. E este entendimento muda muita coisa.
A depressão é um sintoma do mundo contemporâneo, e com ela o desânimo e a dificuldade de persistir acabam prevalecendo. Aqueles que sentem e pensam que não vão conseguir determinadas conquistas podem estar muito enganados, desde que construam um caminho que vai se tornando possível durante o processo de conquista e que exige esforços e capacidade de adaptação. Afinal, nem tudo que se encontra pela frente são pérolas. Há pedras no caminho. Não é a toa que a tolerância é exigida, e com isto a saúde mental passeia por uma montanha-russa moderna.
Na psicologia, muito se fala em desacomodação e mudanças ao olhar para a adaptação como herança de um passado que não permitia uma vida diferente da prevista nas normas estabelecidas. Não se pode perder de vista as exigências que o “habitat” impõem. É preciso se adaptar às situações da vida. Isto significa ter jogo de cintura, flexibilidade, paciência e uma capacidade de aceitação que é longe de ser passiva, mas que também não gera somente revolta e vitimação, como muitas pessoas justificam seus mimimis. Pode-se dizer que estas habilidades têm aparecido pouco nas relações com a família, no trabalho, nas amizades, nas tarefas cotidianas como parar na fila do supermercado, na ida ao banco, no tratar com o marceneiro, no trânsito, no cuidado com o planeta... Adaptar-se não é fácil. Talvez leve milhões de anos para conseguir algumas transformações. Enquanto indivíduos, não temos todo este tempo. Enquanto espécie, também não temos mostrado muitas avanços. Mas precisamos nos empenhar mais para fazer valer esta capacidade que num esforço diário pode-se construir.

Viagem dentro e fora

Mudar costumes e conhecer um pouco mais deste mundão múltiplo e variado o suficiente para nos surpreender a cada novo passo dado em direção ao desconhecido pode ser revigorante e suficiente para recarregar as baterias..

Tenho sempre a necessidade de escrever sobre férias da mesma forma que tenho de usufruí-las. E não poderia ser diferente. Depois de um ano de muitas atividades e compromissos, todos precisam dela! Um povo trabalhador como o nosso precisa descansar o corpo, aliviar a mente para então, se abrir a novas ideias e percepções do mundo, do próprio universo e de si mesmo. Quando se tem a oportunidade de sair de casa e passear por outros lugares esta sensação pode ser potencializada. Mudar costumes e conhecer um pouco mais deste mundão múltiplo e variado o suficiente para nos surpreender a cada novo passo dado em direção ao desconhecido pode ser revigorante e suficiente para recarregar as baterias.
Porém, é possível enxergar somente aquilo que nos é familiar, que nos conforta e que nos redireciona ao que já conhecemos e ao que já somos. Sem mudar esta forma de olhar que nos permite reparar mais, não é possível ver o que um descanso faz o olho alcançar. Podemos ser turistas na potência elevada, não visitando somente os mesmos pontos das rotas percorridas, mas nos percebendo diferentes durante os quilômetros rodados. Numa viagem ou em um passeio, não importando a distância da nossa casa, pode nos fazer voltar outro. Talvez esta seja uma mudança pouco aparente e não tão visível quanto um bronzeado adquirido, uma nova roupa ou souvenir trazido na mala. É uma bagagem que vai aumentando com o grau de abertura que vem de dentro para fora e que exercitamos durante toda a vida, no cotidiano ou naquele tempo onde apenas sonhamos com as férias, mas estamos mesmo é “matando os leões”. É no dia a dia que praticamos tudo aquilo que se intensifica com mais tempo e em outro ritmo durante o recesso de trabalho.
Férias é investir na saúde física e mental. É qualidade de vida. É prevenir adoecimentos e sofrimentos. É a possibilidade de retomar a jornada tendo revisado o percurso alcançado até ali com a distância necessária para mudar a rota, alterar o sentido ou continuar com mais confiança. Os trabalhadores carecem deste tempo. A produtividade e as relações de todo ambiente de trabalho agradecem.

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