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Modos de ser e estar

Mortos e vivos

Busco compreender o que em mim está morto e qual parte vive. E assim, tento não esquecer que a vida precisa ser vivida a cada dia e que a morte lembra isto o tempo todo..

É no dia de finados que escrevo, enquanto penso nos meus que já morreram. Procuro entender se eles estão mais mortos ou mais vivos ou o quanto vivem em mim. Pretendo perceber, também, o quanto eu já morri ou quantas vezes senti a morte apagando um bocado de vida que não voltou mais. Ao menos, não daquele jeito, não daquele modo. Busco compreender o que em mim está morto e qual parte vive. E assim, tento não esquecer que a vida precisa ser vivida a cada dia e que a morte lembra isto o tempo todo.
A vida é passível de pequenas (ou grandes) mortes durante sua jornada no mundo. Quando penso na morte é automático, penso na vida. A morte é tão difícil de ser vivida, de ser pensada, de ser imaginada que cada vez mais ela é jogada para longe em uma tentativa de fugir de tanto assombro e fazer de tudo para ficar distante dela. Assim, é esquecido que morre-se muitas vezes durante a vida e aprender a renascer é realizar o próprio parto para não seguir abreviado ou com o fim antecipado. O viver é finito, mas ilimitado. E terminar é preciso. Assim como navegar.
Morei por um tempo, ao lado de uma funerária e essa experiência, que fez muitas pessoas torcerem o nariz quando dava o ponto de referência para me visitarem, lembrou-me todos os dias, durante alguns anos, que a vida é breve, é incerta, pode ser injusta, cruel ou dolorosa. Porém, como diz Adélia Prado “a graça da morte, seu desastrado encanto, é por causa da vida”. Viver é reviver, é se reinventar. E a morte pode ser, talvez, nosso maior acontecimento. Para isto é preciso estar à altura dela. E é vivendo uma vida bem vivida, não necessariamente sempre acertada, que será possível realizar uma experiência que, ao final, passa-se o bastão para que se continue a acreditar que viver é incrível.

Já fez seu pedido?

Lembra do gênio da lâmpada e da possibilidade dele realizar desejos?.

Foi nas conversas, eu prefiro chamar assim, ou nas palestras do escritor Márcio Vassallo, quando ele esteve em Novo Hamburgo no mês passado, que uma das suas provocações me fisgou e me deixou no contrapé desde então. Sabe quando, ao caminhar, uma pedrinha entra no sapato e a gente fica assim meio aos tropeços? Pois é, foi parecido. Isso não foi ruim e não deixa de ser um modo de seguir em frente quando se questiona com intensidade as certezas tão bem instaladas dentro e fora da gente. É uma maneira que permite compor com os vacilos da vida e que suscita questionamentos interessantes para produzir novas maneiras de pensar, de se pensar. Ali onde o sapato calça bem, onde está confortável é que a pedra acha um lugar que desassossega. Eita pedrinha danada que desafia a vida, o vivente e seus movimentos. Pode-se dizer que é um jeito dançante, para ser mais elegante, de seguir a vida. Fiquei pensando que talvez Vassallo, carioca que é, repara nos trejeitos do seu povo que samba muito no sobe e desce das favelas para garantir a sobrevivência. Só com esta plasticidade toda, corporal e subjetiva, é possível resistir e continuar vivendo.
Foi quando o autor contou sua história da lâmpada, aquela do gênio mesmo, numa narrativa divertida e impactante como tudo aquilo que nos surpreende e encanta no ordinário da vida. E acaba se transformando em extraordinário, em poesia. Vassallo sugeriu: quais são os desejos que você quer pedir ao gênio? Já fez sua lista de pedidos? Pode parecer simples, mas não é. Um tanto embargada, resolvi me lançar a pensar e experimentar quais seriam os meus, aqueles realmente mais vigorosos. E num silêncio que muito fala, grande parte da plateia riu com certo desconforto de quem sentiu a pua pegar. Como uma flecha que acerta o alvo, a interrogação do artista provocou tanto que segue ressoando no meu cotidiano e, como me contaram, no de quem se dispôs a ouvi-lo verdadeiramente.

Trocar brinquedos

Para as crianças brincarem satisfeitas os pais, avós, tios, amigos precisam viver dentro de lojas destes artigos infantis consumindo sem critérios, principalmente no mês do dia das crianças? É preciso gastar o que tem e o que não tem para ver seu filho com prateleiras, caixas e gavetas carregadas? É isso realmente que fará ele feliz?.

Brincar é prioridade para a criança. É brincando que ela desenvolve sua subjetividade, seu corpo, a criatividade, autonomia e liberdade. As crianças se expressam brincando, aprendem e socializam. De preferência, a brincadeira não deve ser sempre dirigida com conteúdos propostos pelos adultos. Inventar as brincadeiras, produzir seus próprios brinquedos ou estar aberto a conhecer novas maneiras de fazer este “ofício” é importante porque, além de divertido, é fundamental para a criança ter uma infância bem aproveitada e saudável.
Mas para as crianças brincarem satisfeitas os pais, avós, tios, amigos precisam viver dentro de lojas destes artigos infantis consumindo sem critérios, principalmente no mês do dia das crianças? É preciso gastar o que tem e o que não tem para ver seu filho com prateleiras, caixas e gavetas carregadas? É isso realmente que fará ele feliz?
As Feiras de Trocas de Brinquedos em nossa cidade já tem frequentadores assíduos que são famílias que exercitam práticas de consumo colaborativo. As crianças vêm aprendendo que trocar é muito legal e estimulante. Que o brinquedo não precisa sair novo da caixa para estar em bom estado e ser novidade. Eles sabem direitinho o que trocaram nas feiras anteriores e que a experiência realizada produz novos amigos, novas capacidades e entendimentos, como desapegar, conquistar, negociar, além de aprender a se relacionar através de outra mediação que não o brincar. Esperando a próxima oportunidade, separam o que querem trocar com o auxílio dos pais, mas sem que estes interfiram na decisão e escolha, pois isto precisa acontecer através do desejo da criança e não pela vontade dos pais.
No Facebook tem a página da Feira de Trocas de Brinquedos NH/RS para acompanhar o que rola, mas teremos uma oportunidade no dia 21 das 14 as 16 horas durante a VIII Feira Viva que ocorrerá na Praça da Bandeira das 10 as 18 horas. Estão todos convidados!

Psicologia: por mais saúde e liberdade

Após mais uma semana de impactos violentos contra nossos corpos e nossa subjetividade, os direitos humanos, a saúde e a liberdade sofrem novas tentativas de serem dizimados e controlados. Com o intuito de esclarecer a postura ética da prática psicológica, elucido aqui, alguns tópicos que norteiam este exercício de maneira coerente com o país laico em que vivemos..

Após mais uma semana de impactos violentos contra nossos corpos e nossa subjetividade, os direitos humanos, a saúde e a liberdade sofrem novas tentativas de serem dizimados e controlados. Com o intuito de esclarecer a postura ética da prática psicológica, elucido aqui, alguns tópicos que norteiam este exercício de maneira coerente com o país laico em que vivemos. Compartilho parte da Resolução do Conselho Federal de Psicologia, N° 001/99, que estabelece normas de atuação para a categoria em relação à questão da Orientação Sexual. Afinal, o psicólogo é um profissional da saúde que é frequentemente questionado questões ligadas à sexualidade.
A forma como cada um vive sua sexualidade faz parte da identidade do sujeito e deve ser compreendida e respeitada. A homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão. Há uma inquietação em torno de práticas sexuais desviantes da norma estabelecida socioculturalmente porém, a Psicologia deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento e promovendo a superação de preconceitos e discriminações.
Os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão que disciplinam a não discriminação e a promoção e bem-estar das pessoas. Eles deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas. Portanto, estes trabalhadores não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Por fim, os psicólogos não poderão se pronunciar nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.
Recado dado, favor respeitar.

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