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Modos de ser e estar

Investigar a si mesmo

...é preciso investigar a si próprio. E esta, não é uma tarefa que pode ser delegada. Talvez seja um dos trabalhos mais difíceis da existência. Mas pode, quem sabe, ser também um dos mais libertadores..

Semana passada participei de um programa de televisão que tratou da regulamentação da profissão de detetive que aconteceu em março. Fui convidada a comentar os aspectos psicológicos das pessoas e situações que levam a contratar os serviços daqueles que realizam a “atividade de coleta de dados e de interesse privado”. Achei um tanto curioso esta história toda e me pus a matutar para me intrometer um pouco mais onde fui chamada.

Um detetive particular pode atuar em investigações de casos familiares e de traição conjugal tendo um número de clientes que não para de crescer, conforme a prestigiada profissional que lá estava. Mas o que será que leva alguém a procurar estes serviços? Que tipo de casamento, namoro e relação estabelecem os que desconfiam dos parceiros? Como lidar com a traição? Porque isto acontece? O que pode ser feito para não sofrer? Questões difíceis estas...

Ocorre que, quando a gente percorre algumas ideias parando pra pensar, ou melhor, quando o pensamento nos faz parar, muitas vezes somos levados a respostas diferentes daquelas que poderiam ser dadas imediatamente ou quase sem pensar. É por este caminho que outras perguntas também são possíveis. Afinal, algumas delas nos ajudam a entender muito mais do que as respostas.

Fiquei pensando o que faz com que alguém investigue no outro em vez de investigar a si próprio. O que, realmente, alguém quer saber quando contrata um detetive? Será que já não sabia? O que falta saber? Porque olhar somente para o outro e não para a relação que se estabelece e que o contratante também faz parte? Porque encarregar este trabalho a um terceiro?

Estudar por onde alguém anda, o que faz ou deixa de fazer pode acontecer de uma maneira bem mais poética, eu diria. Pode ser numa sedução romântica que permite, por exemplo, um casal se reencontrar nos desencontros da vida. Mas para isto, é preciso investigar a si próprio. E esta, não é uma tarefa que pode ser delegada. Talvez seja um dos trabalhos mais difíceis da existência. Mas pode, quem sabe, ser também um dos mais libertadores. E isto só pode acontecer se cada um tiver a liberdade e a coragem de se investigar, se conhecendo o suficiente para percorrer o desejo que caminha pelo inusitado e surpreende justamente por muitas vezes não estar onde se imagina.

No ônibus escolar

A aventura já começava bem antes do dia do evento tendo seu ponto alto na experiência da viagem de ônibus até o local. No momento em que as preparações foram acontecendo diariamente na relação entre a escola, os alunos e as famílias algo se anunciava: seu filho cresceu. Será isto algo tão difícil de perceber?.

Na semana passada meu filho, de 4 anos, foi assistir uma peça teatral com os colegas e professoras fora da escola. O acontecimento inédito causou uma certa perturbação para as famílias da turminha. A aventura já começava bem antes do dia do evento tendo seu ponto alto na experiência da viagem de ônibus até o local. No momento em que as preparações foram acontecendo diariamente na relação entre a escola, os alunos e as famílias algo se anunciava: seu filho cresceu. Será isto algo tão difícil de perceber?

Apareceu a pergunta: será que meu filho já pode ir sozinho? E o grupo das mães no whattsap começou a bombar. A escola, que já é avó na prática da educação infantil e em lidar com as famílias, se antecipou procurando comunicar cuidados e orientações necessárias para um passeio tranquilo e alegre como deveria ser e realmente foi. Mesmo assim, sentimentos comuns entre algumas mães vieram a tona causando um certo alarde conhecido entre as mulheres. Algumas mais ansiosas ou preocupadas puderam expor sentimentos onde todas se acolheram, se escutaram e contribuíram de diversas maneiras se ajudando.

Lembrei de um ditado antigo que diz que para criar uma criança é preciso uma aldeia. Formamos ali uma comunidade de mulheres-mães diferentes, mas que podem se apoiar nesta tarefa nada fácil que é educar e reconhecer o crescimento de um filho que vai se desenvolvendo e conquistando suas independências e liberdades a cada momento desta vida que não tem se mostrado, em algumas situações, muito amigável. Mas que vale muito a pena quando ensinamos a criar asas aqueles que amamos e queremos bem.

Durante aqueles dias lembrei de um poeminha que está em um livro adorável do Ricardo Silvestrin que se chama Transpoemas da editora Cosacnaify, que aliás recomendo. Além de ter uma ilustração inusitada, colorida e cativante do Apo Fousek, a obra é saborosa demais para pensar os inúmeros meios de transportes que podemos utilizar para viajar pelo mundo ou alçar voos pela imaginação. Para dar gosto nesta leitura, aí vai:

O ônibus escolar

O menino tem motorista particular e carro com ar.

Mas queria mesmo era estar no ônibus escolar.

Tenha dúvida

A convicção é um golpe violento que não suporta vacilar. E a dúvida é sempre recebida com uma cara feia para ser posta de lado. Excluída, não a queremos..

Somos ensinados desde pequenininhos a encontrar certezas. A convicção permite falar de boca cheia, sem hesitar, como se satisfeitos estivéssemos após uma refeição farta e desmedida. A certeza é a rainha das respostas e das defesas. Na selva em que habitamos, efêmera como só ela, responder rápido será sempre a saída mais vantajosa ou de menor embaraço. E assim, a convicção se transforma num golpe violento que não suporta vacilar. E a dúvida, coitada, é sempre recebida com uma cara feia para ser posta de lado. Excluída, não a queremos. Rejeitamos ela como se só pudesse vingar a sensação de que está tudo resolvido. Ou será acabado?

Questionar, oscilar, tropeçar, gaguejar, jamais. Estes abalos nos jogam para fora do trem-bala. Nos tiram do prumo. Mas acontece que não dá pra viver sempre assim numa reta que endurece os modos de ser e de perceber a vida. Que não nos deixa olhar pro lado e sermos surpreendido. Afinal, a pulga atrás da orelha pode salvar do que já está arruinado e sugerir linhas de fuga ou rotas alternativas muitas vezes mais interessantes e repletas de novos sentidos. Gerar dúvidas ou problematizar questões faz a humanidade caminhar. As certezas empacam, fazem morrer.

Sempre que não se consegue perseguir algum convencimento, que precisa se reafirmar a todo instante, investimos forças em construí-lo, muitas vezes deixando de lado outros caminhos como possibilidades de resultados diferentes. Ou, no mínimo, realizando uma movimentação necessária para gerar processos de outras ordens. Como diria o poeta Manoel de Barros, é preciso “despraticar as normas”. É preciso fazer dúvida e, a partir disto, criar. Pensar e praticar outras formas de viver. Rachar as durezas e se abrir ao incerto. Navegar por mares desconhecidos para criar portos seguros mais móveis (se é que isto é possível!) o suficiente para continuar esboçando paisagens breves em um mundo não menos inventado.

Se lançar ao desconhecido não precisa só assustar ou paralisar. Pode também socorrer de um estado de sufocamento que deixamos acontecer a preferir respirar.

Machistas e Feministas

Se achas que todos devem ser tratados igualmente e ter os mesmos direitos, você (mulher ou homem) é feminista..

8 de março, dia da mulher. Flores? Presentes? O que mais? Sim, é preciso problematizar e pensar as relações de gênero. Os números têm se revelado assustadores. As mulheres de todas as classes sociais (eu disse todas!) tem começado a buscar auxílio revelando aos poucos seu sofrimento mais ou menos silencioso. Diz o IBGE que as mulheres são mais agredidas por pessoas que as conhecem. Ao contrário dos homens que são acometidos por quem eles desconhecem. Mas o que faz com que as mulheres sofram mais violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral por aqueles que as felicitam nesta semana? Os estudiosos na área têm dito que o machismo é o responsável. Porém, muita gente diz: "Não sou feminista e nem machista".

Afinal, será que sabemos o que é um e outro? Muito rapidamente, o feminismo busca a igualdade entre os gêneros e o machismo é o comportamento que coloca o homem em posição de superioridade com relação à mulher. Portanto, feminismo não é o contrário de machismo. Ser feminista não tem nada a ver com ser inimiga dos homens, ser mal amada, não usar maquiagem, ser homossexual ou optar por não ter filhos. Se achas que todos devem ser tratados igualmente e ter os mesmos direitos, você (mulher ou homem) é feminista.

Que tal, como celebração à data, começar a se perguntar qual é o diálogo possível entre homens e mulheres nos dias de hoje? Ou, quais masculinidades são menos nocivas à sociedade? Quais são as dificuldades e os sofrimentos das mulheres? Quais são as dificuldades e sofrimentos dos homens? Quais pequenos gestos são significativos para construir uma convivência mais justa e menos violenta? Quais são as brincadeiras sutis que violentam as mulheres? Como os homens podem conseguir expressar mais seus sentimentos? Como eles podem ser mais cuidadosos e exercer com mais competência a paternidade em vez de serem cada vez mais violentos?

Sugestão para ambos: guardem para si opiniões sobre as barrigas, bundas, magreza ou dobrinhas; questionem atitudes machistas de seus amigos ou amigas; não exponha materiais íntimos de outros ou outras em redes sociais; não contem piadas preconceituosas; respeite todas as possibilidades de ser homem e mulher.

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