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Questão de Gênero

Hashtag do dia: #LoveIsLove

O que a data de hoje representa e como tem se configurado a homofobia no país e no mundo nos últimos tempos..

O dia 17 de maio foi declarado o Dia Internacional de Combate à Homofobia quando, nesta data em 1990, a Organização Mundial de Saúde retirou o homossexualismo de sua lista de distúrbios mentais, desconsiderando-o como um desvio e banindo o termo, uma vez que o sufixo “ismo”, na área da saúde, caracteriza uma condição patológica.

Em suma, a homofobia se caracteriza pelo medo e desprezo que algumas pessoas sentem pelos homossexuais, manifestando a discriminação e o preconceito de variadas maneiras, desde violências físicas e verbais, até mesmo assassinatos de LGBTs. O termo tem sido utilizado para descrever um repúdio da sociedade heteronormativa pelas relações afetivas e sexuais entre indivíduos do mesmo gênero.

Um grande perigo diz respeito à homofobia internalizada, um fenômeno resultado da aprendizagem e assimilação a respeito de toda a carga negativa dos valores homofóbicos presentes em nossa cultura, uma vez que as próprias pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais / travestis podem passar a não gostar de si pelo fato de serem LGBT.

Na última semana, foi divulgada uma pesquisa do Departamento de Psicologia da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, em que homens, declaradamente heterossexuais e que se sentiam desconfortáveis com o assunto homossexualidade, demonstraram, na maioria dos casos, um conflito tão grande quanto a própria sexualidade que o tormento se transformava em raiva e agressividade.

No ano passado o advogado William Bryan lançou o e-book “A origem da homofobia”, dividido em quatro capítulos: No Mundo Antigo, Na Idade Média, No Século XIX e XX e No Brasil. O pesquisador destaca que “o combate à discriminação contra homossexuais começa na compreensão de nossa própria história”, convidando os leitores a entender em apenas 10 páginas como a homossexualidade passou de louvável para abominável. O download do e-book gratuito pode ser feito clicando aqui.

Pelo menos 72 países do mundo, estados independentes ou regiões criminalizam a homossexualidade. De acordo com levantamento divulgado nessa semana pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Pessoas Trans e Intersexuais (Ilga), dentre esses, oito aplicam pena de morte a homossexuais, sendo estes: Afeganistão, Arábia Saudita, Iêmen, Irã, Iraque, Mauritânia, Paquistão e Sudão.

A associação Transgender Europe destaca o Brasil como um dos países com o maior número de assassinatos a transexuais no mundo. E segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia, 347 LGBTs foram mortos por causas violentas no Brasil em 2016. Somente neste ano, já são 117, de acordo com o site Quem a Homofobia Matou Hoje?

Apesar de a Constituição brasileira não conter uma proibição específica de crimes de ódio com base na orientação sexual, nosso país prevê proteção contra crimes de discriminação, permite a adoção e reconhece a união entre pessoas do mesmo sexo. Há um movimento pela criminalização da homofobia, que é o Projeto de Lei 122 de 2006. Os documentos, as informações e as tramitações sobre a PL pode ser conferidas aqui.

Para denúncias contra a homofobia, há o Disque 100, um serviço telefônico que recebe queixas de violações mantido pela Secretaria de Direitos Humanos. Dados de 2016 mostram que mais da metade dos crimes aos LGBTs aconteceram na rua ou na casa da própria vítima. A maior parte dos agressores é parentes próximos (irmão, mãe, pai, tio ou primo) da vítima, seguido de vizinhos e desconhecidos.

Sobre o instinto e a maternidade

Debates sobre ser mãe, taxa de fecundidade, instinto materno e entrevista com a professora Dagmar Meyer..

Dia das Mães chegando... Propagandas na televisão sobre a data, encartes de lojas com promoções, crianças fazendo cartões especiais nas escolas, etc. Mas que tal aproveitar o momento para debater a pressão social para a mulher se mãe? Ou sobre como a taxa de fecundidade no Brasil tem diminuído? Ou ainda acerca do mito do instinto materno?

Na década de 1960, a taxa de fecundidade era de cerca de 6 filhos por mulher, passando para 4,5 no final da década de 70. Em 2015, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa média de fecundidade no Brasil é de 1,72 filho por mulher, com uma variação da média conforme classe e raça das mulheres.

Outra variação dessa taxa é a regional, em que as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste apresentam números menores às outras regiões. No Nordeste a taxa de fecundidade é de 2,04 filhos por mulher, abaixo da taxa de reposição populacional e semelhante à de alguns países desenvolvidos. A maior taxa de fecundidade do país é a da Região Norte (2,51 filhos por mulher), ainda assim abaixo da média mundial.

Recente estudo da Universidade de Southern Califórnia revelou que a maternidade após os 35 anos de idade melhora as habilidades mentais da mulher. Com base nos testes realizados, as mulheres mães nessa faixa etária demonstraram uma melhor habilidade verbal e resolveram os testes propostos com um resultado mais satisfatório. De acordo com o estudo, a mulher tem suas funções cerebrais interferidas de maneira positiva com o aumento hormonal que ocorre durante a gestação.

No ano passado a socióloga israelense Orna Donath lançou o polêmico livro Regretting Motherhood, ainda inédito no Brasil – algo como “Arrependendo-se da Maternidade” em português. A obra reúne depoimentos de 23 mulheres que amam seus filhos, mas, sabendo o que a maternidade significa e implica, optariam por não tê-los se pudessem decidir agora.

A tese da autora é que a pressão social sobre as mulheres para elas terem filhos é grande, e o resultado é que algumas acabam se arrependendo, mesmo que, aparentemente, supõe-se que decidam ser mães livremente. No Brasil se destaca, nos últimos anos, a crescente quantidade de pessoas casadas que optam por não ter filhos, acompanhada também de um aumento de residências chefiadas por mulheres.

Assista abaixo ao vídeo “Maternidade obrigatória”, do Canal do YouTube do médico Drauzio Varella, em que sua filha Mariana Varella afirma que abrir mão da maternidade imposta é uma possibilidade, assim como ter filhos.

O blog QUESTÃO DE GÊNERO entrevistou a professora Dagmar Elisabeth Estermann Meyer, graduada em Enfermagem pela PUC de São Paulo, mestre e doutora em Educação pela UFRGS, e pós-doutorado no Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é professora colaboradora convidada da UFRGS e integrante do GEERGE – Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero, vinculado à mesma universidade. Seus interesses de pesquisa majoritários estão vinculados ao estudo e à análise de Políticas Públicas de Inclusão Social, no âmbito das quais vem investindo na discussão da politização contemporânea do feminino e da maternidade.

Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Existe o instinto materno? Como ele se configura na identidade da mulher?

Dagmar – Trabalhando com a perspectiva teórica do pós-estruturalismo, a resposta a essa pergunta é muito simples: não. Pois o instinto materno, enquanto algo que é instintivo, ou seja, que estaria inserido na natureza feminina, não existe nessa perspectiva. Entretanto, não são somente as teóricas feministas pós-estruturalistas que enfatizam isso, uma das autoras mais conhecidas que trabalham com a temática é a Elisabeth Badinter, que tem um livro em que ela discute a questão do mito do amor materno assinalando que ele é uma construção cultural. O instinto materno é uma produção discursiva de longa duração nas culturas ocidentais modernas, e eu diria que desconstruir essa ideia isso foi um dos trabalhos mais árduos que as feministas, sobretudo da segunda onda, empreenderam, desde o momento em que disseram “mãe não é igual à mulher”, “o nosso corpo nos pertence” e “o privado é público”. Essas grandes bandeiras feministas dessa época buscaram estabelecer uma distância entre o que é ser mulher e o que é ser mãe, dizendo que uma coisa não se reduz à outra, que a maternidade não é o destino natural da mulher e muito menos o seu único destino. Tem outras vertentes feministas que trabalharam essa questão de modo que eu acho que tem pouca gente inserida em contextos de ativismo ou de estudos de gênero e de sexualidade que, hoje, se disponham a defender a ideia de que existe um instinto materno. O que eu acredito é que, paradoxalmente, estamos vivenciando contemporaneamente um recrudescimento da valorização da maternidade, não só pela sociedade, genericamente falando, mas pelas próprias mulheres. Sendo assim e, sobretudo, com o advento das tecnologias reprodutivas que abriram muitas outras possibilidades para conceber e procriar, viver a experiência da maternidade está de volta como um elemento cultural apresentado como muito importante para a realização feminina.

Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Por que, em sua opinião, a maternidade é supervalorizada?

Dagmar – Se formos pensar dentro desse argumento da politização contemporânea do feminino e da maternidade que temos defendido, que se instaura historicamente com a constituição dos estados nacionais modernos, que Michel Foucault analisou como o sendo período em que se instaura uma gestão da vida da população (quando esta entra na ordem do discurso, quando ocorre a transformação das sociedades feudais em mercantilistas e depois capitalistas), nesse processo investiu-se numa certa posição da mulher atribuindo-lhe muita importância como mãe, enquanto esteio de uma família da qual o Estado precisava para se fortalecer enquanto Estado e, ao mesmo tempo, de reprodutora biológica e social do Estado – reprodutora social na medida em que é provedora do cuidado e da educação de filhos saudáveis. De lá para cá, cuidando para não fazer uma leitura homogênea e simplista de um processo que é muito complexo e tem muitas facetas, eu diria que, sob vários aspectos, a ênfase na responsabilidade das mulheres como mães para o fortalecimento do Estado, para a produção de uma população saudável, para a promoção de melhoria de condições sociais de vida em sentido lato, se ampliou muito na medida em que as sociedades foram se complexificando. Se formos analisar as políticas de inclusão social, como o Bolsa Família, que é o exemplo mais bem sucedido e alicerçado disso na cena contemporânea brasileira, a centralidade para que funcione está colocada nas mulheres mães, ou seja, são elas que são designadas como alvos preferenciais do programa como beneficiárias e, também, como executoras daquelas tarefas que, de alguma forma, vêm vinculadas a isso, como garantir a escolarização, a vacinação, crescimento e desenvolvimento saudáveis, adequação social. Mas tudo isso, atualmente, é mais complexo do que era no século XIX, porque hoje se espera muito mais do exercício da maternidade. Por exemplo, se olharmos o PIM – Programa Infância Melhor - ele conta com visitadoras sanitárias que visitam as mulheres em casa para ensiná-las como é que elas precisam brincar com as crianças para promover vínculos e desenvolvimento da motricidade, como elas devem acompanhar o tema da criança, dentre outras coisas; as escolas chamam, e de alguma forma demandam mesmo, que a mãe e a família em geral estejam presentes na cena escolar; o posto de saúde exige presença regular.... Então é mais do que só um trabalho simples de acompanhamento e cuidado, tem uma série de tarefas de acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento, de socialização “adequada”; e também há todas as questões que estão vinculadas com prevenção de DST, de gravidez precoce, de uso de substâncias psicoativas, de violência, enfim, e que vão, de alguma forma, todas sendo costuradas em torno disso que se chama inclusão da família vulnerável. Mas, para investir nas chamadas famílias vulneráveis, na grande maioria das vezes tanto as políticas quanto as instituições interpelam as mães. Essas coisas nossas pesquisas tem nos permitido afirmar. Agora, eu não vou me atrever a falar de uma forma genérica sobre o que a maternidade representa hoje, por exemplo, para as mulheres das classes médias, de um ponto de vista individualizado, porque não faço pesquisa que me permita sustentar isso. Entretanto, do ponto de vista das pesquisas sobre políticas que fazemos, o que a gente pode afirmar é que vivemos, sob vários aspectos, uma responsabilização cada vez maior e mais complexa das mulheres.

Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Você acredita que os movimentos feministas têm influência na redução da taxa de fecundidade no país?

Dagmar – Eu acho que, sem dúvida, eles contribuíram muitíssimo, mas claro que não dá para atribuir isso só a eles. Acredito que tem vários elementos e diferentes razões envolvidas nisso, inclusive políticas indutoras dos próprios Estados, do que se chamava de controle da natalidade. Mas, seguramente, nos anos 60, com a criação e a disponibilização da pílula anticoncepcional, os movimentos feministas e os movimentos de mulheres alavancaram muito a condição social das mulheres: uma entrada grande delas, sobretudo de classes médias, no mercado de trabalho, o incremento das taxas de escolarização, todas essas questões juntamente com garantia de direitos, políticas de Estado como o PAISM – Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher, vão de algum modo desenhando um cenário que faz com que as mulheres hoje pensem mais, de um modo geral, quantos filhos podem ou gostariam de ter. A gente vai ver também que essa taxa de natalidade, daqui a pouco – e já tem demógrafas chamando atenção – de alguma forma, isso vai se constituir num problema em termos de “reposição da população”. Logo talvez a gente até viva aqui no Brasil o que se vive em alguns países europeus hoje, produzindo políticas que são políticas de incentivo à procriação, ao contrário de políticas de incentivo do controle.

Blog QUESTÃO DE GÊNERO – O que mudaria se a maternidade fosse concebida mais como uma questão política e menos como natural?

Dagmar – Sob certos aspectos, para o Estado, que interpela e posiciona as mulheres como mães em determinadas posições nas políticas sociais, a maternidade é politizada, na medida em que uma série de ações programáticas está baseada na ideia de que, para viabilizá-las é preciso contar com uma parceria das famílias e das mulheres, e nessa direção, o Estado inclusive educa as mulheres como mães para participar nessa condição. O que a pergunta significa para as pessoas individualmente, não sei dizer. Eu acho que a gente vive hoje esse paradoxo: as jovens mulheres, ao mesmo tempo em que elas, até pela cena social na qual elas estão sendo educadas como mulheres, se dão conta e têm todas as condições para viver sabendo que ser mulher e ser mãe não é extensão uma coisa da outra, eu sinto, como observadora desse social, que as mulheres continuam valorizando muito a maternidade na sua experiência como mulheres, e estão dispostas a muitos esforços e sacrifícios – inclusive alguns que afetam a saúde – para tornarem-se mães Ainda não é muito simples assumir “eu não quero ser mãe”. Claro que isso tem a ver com um segmento da população que tem, digamos assim, um privilégio de poder “escolha” sobre isso.

Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Como você interpreta a pesquisa que afirma que a idade ideal para ser mãe é aos 35 anos?

Dagmar – Dizer em que idade ou quais são as idades apropriadas para se tornar mãe é também um conhecimento que é histórico. Se formos pensar, nos séculos XVI, XVII e XVIII, as mulheres se tornavam mães muito novas, com 14 e 15 anos, então a ideia era que a melhor idade para ser mãe era ser mãe muito jovem, inclusive porque a expectativa de vida era muito menor. Há o alargamento da expectativa de vida da população, com o próprio fato do alargamento das exigências de escolarização feminina, as expectativas sociais de que as mulheres se insiram no mercado de trabalho, tudo isso contribuiu para que as mulheres, individualmente, e o Estado, enquanto instância indutora de determinadas coisas, incentive hoje uma maternidade mais tardia. A própria ciência tem uma participação nisso, uma vez que tem todo um conhecimento científico que hoje, por exemplo, patologiciza a maternidade na adolescência, com a ideia de uma inadequação do corpo, imaturidade psicológica, etc; mas digamos que é este mesmo corpo que no século XVIII ou XIX era adequado. Se eu assumo que saber e poder são duas instâncias que estão extremamente relacionadas e que a ciência é um campo de discurso que produz determinadas coisas, ela está aí produzindo isso como uma verdade desse tempo, mas não era a mesma verdade de um outro tempo e pode não ser a de amanhã.

Blog QUESTÃO DE GÊNERO – No que se concentram suas pesquisas atuais?

Dagmar – Em nossa agenda de pesquisa atual o foco não é mais só a maternidade, pois temos discutido muito as políticas públicas de inclusão social pensando o processo de feminização dessas políticas, mas feminização não apenas porque seu alvo são mulheres ou porque são profissionais mulheres que as estão implementando, mas é exatamente dentro dessa perspectiva de que, se eu tomo o gênero como sendo um organizador do social e da cultura, de examinar como é que o gênero tem organizado uma certa lógica de pensamento que vai produzindo as políticas de inclusão social marcadas e alicerçadas por competências, habilidades e saberes que a nossa sociedade e a nossa cultura seguem definindo como femininos. A ideia de que quem trabalha com política social tem que ser capaz de improvisar, saber fazer muito com pouco, ser alguém que se doa para o trabalho, trabalha em condições muito precárias sem reclamar, e se o trabalho não der as condições, não tem problema, se leva o trabalho para casa. Não precisa ser mulher para fazer isso, mas está dentro de uma representação de cuidado, de vocação e de compromisso, e mesmo de profissionalidade, que historicamente tem sido designada como feminina, e que continua presente e ecoando nessas políticas, independentemente se é homem ou mulher que está ali exercendo isso.

Sociedade: Chega de Fiu Fiu!

Mais informações sobre a campanha e o seu documentário contra o assédio sexual em espaços públicos..

Tudo começou com algumas ilustrações publicadas com mensagens de repúdio ao assédio sexual em espaços públicos. Logo, as imagens foram compartilhadas por milhares de pessoas nas redes sociais, gerando uma resposta tão positiva que acabou sendo o início de um grande movimento social contra essa violência, com o nome de Chega de Fiu Fiu, em julho de 2013.

Mas o que é esse assédio? Todos os dias, mulheres são obrigadas a lidar com comentários de teor obsceno, olhares, intimidações, toques indesejados e importunações de teor sexual afins que se apresentam de várias formas e são entendidas pelo senso comum como elogios, brincadeiras ou características imutáveis da vida em sociedade (o famoso “é assim mesmo...”) quando, na verdade, nada disso é normal ou aceitável.

O número de mulheres que apoiaram a campanha em seu início era um forte sinal disso, mas, para provar esse ponto de maneira ainda mais contundente, a jornalista Karin Hueck elaborou um estudo online, lançada pela ONG feminista Think Olga, para averiguar de perto a opinião das mulheres em relação às cantadas de rua.

A expectativa era de algumas dezenas de respostas, mas em apenas duas semanas, foram quase 8 mil participantes – e os números encontrados eram parte surpreendentes e parte esperados: 98% delas já haviam sofrido assédio, 83% não achavam legal, 90% já trocaram de roupa antes de sair de casa pensando onde iam por causa de assédio e 81% já haviam deixado de fazer algo por esse motivo. Você confere a pesquisa completa aqui.

Com a popularidade após a divulgação desses dados, a campanha passou a receber milhares de mensagens via comentários, emails e Facebook, que vinham de três públicos principais: mulheres que se identificavam com a campanha, homens surpresos com os dados e uma incômoda, mas significativa, minoria de mensagens de ódio e até ameaças de estupro vindas de homens revoltados com a campanha.

O próximo passo foi a criação do Mapa Chega de Fiu Fiu, uma ferramenta para tornar as cidades mais seguras para as mulheres ao relacionar geograficamente os locais e motivos que aumentam a incidência de casos de assédio em determinadas áreas em busca de soluções que mudem essa realidade.

Com o expertise da campanha, o Think Olga se tornou uma das vozes mais importantes contra o assédio em locais públicos no Brasil, estabelecendo parcerias para a criação de diversas iniciativas para o aumento da conscientização da importância do tema, tais como o ebook Meu Corpo Não é Seu, a cartilha informativa do Ministério Público de São Paulo, entre outros.

E em março de 2017 foi lançado o trailer do documentário Chega de Fiu Fiu, que pretende ampliar anda mais o debate sobre o assédio sexual em locais públicos. Dirigido por Amanda Kamanchek e Fernanda Frazão, o filme é baseado nos dados da pesquisa e do Mapa da campanha, e tem como objetivo estabelecer um diálogo entre as vítimas, os que praticam o assédio e especialistas no tema.

Assista abaixo ao trailer do documentário Chega de Fiu Fiu:

Só quem sente pode definir

Conheça o Dicionário de Gêneros, um espaço colaborativo que busca a inclusão da diversidade de gêneros através da língua..

Já pensou em como nossa língua te define?

O dicionário representa o pensamento de uma sociedade.

Mas, infelizmente, muitas pessoas não se sentem representadas.

O olhar da sociedade mudou.

Chegou a hora da nossa língua mudar também.

Quem sabe no futuro ninguém precise de definição para ser entendido.

Afinal #SomosTodosGente

A proposta do Dicionário de Gêneros, um projeto do Além do Arco-Íris, do AfroReggae, é reunir representantes de diversos gêneros e as interpretações de cada um sobre a própria identidade, uma vez que os dicionários refletem o olhar de um povo e, quando o assunto é identidade de gênero, muitas pessoas não se enxergam ali. Precisa-se de representatividade e, para serem os porta-vozes dessa história, ninguém melhor do que as próprias pessoas.

Assista abaixo ao vídeo com depoimentos para entender melhor sobre o projeto:

O site do Dicionário de Gêneros apresenta uma lista verbetes criada com a colaboração das pessoas, cujas interpretações foram reunidas e compiladas por uma equipe de filólogos e lexicólogos para a criação de novos verbetes que realmente representem a todos e todas, com palavras como agênero, andrógino, bigênero, binariedade, gênero fuido, homem transgênero, mulher, pangênero, transgênero, transexual e travesti.

O projeto destaca que para enxergar a diversidade, é preciso compreender que nossa sociedade é múltipla. Aceitar as diferenças sem julgamento de cor, raça, sexo, orientação sexual e gênero é abraçar a diversidade e um grande passo para diminuir o preconceito. E para início dessa conversa, é fundamental a diferenciação entre sexo, orientação e gênero:

A seguir, links dos depoimentos de pessoas sobre alguns gêneros:

Participe do Dicionário de Gêneros escrevendo como você enxerga o seu gênero!

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