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Questão de Gênero

Os atravessamentos de raça e gênero

Sobre os atravessamentos entre raça e gênero no Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial..

Falar sobre questões de gênero é falar sobre pessoas, sobre homens e mulheres. Porém, utiliza-se o plural justamente porque não existe apenas um tipo de homem ou um tipo de mulher, há uma diversidade humana. E por que é essencial o debate? Porque a sociedade não tem tratado os homens e as mulheres de forma igualitária, nem entre os próprios gêneros mesmos, e muito mesmo entre a relação de um com o outro.

Homens héteros e homossexuais não são tratados da mesma forma, e suas orientações sexuais acabam por definir vantagens e desvantagens, discriminações e preconceitos; assim como mulheres brancas e negras também são tratadas com diferenças, suas cores de pele fazem com que haja mais ou menos respeito, culminando, por vezes, em maus tratos e violência.

Portanto, o racismo se configura como um dos principais atravessamentos das questões de gênero, tanto para homens, quanto para mulheres. Assim como as deficiências, o gênero, a idade, a opinião e a sexualidade, a raça/etnia é uma diferença que existe entre as pessoas que deve ser valorizada, e não se tornar motivo para intolerância e restrição de oportunidades.

No dia de hoje, 21 de março, há 57 anos, na capital da África do Sul, Joanesburgo, cerca de 20 mil negros protestaram, em uma manifestação pacífica, contra a lei do passe, em que os obrigava a portar cartões de identificação que especificavam os locais por onde eles podiam circular. No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército, que atiraram sobre a multidão matando 69 pessoas e ferindo 186.

Em memória a essa tragédia, que ficou conhecida como o Massacre de Shaperville, a ONU – Organização das Nações Unidas instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. O Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial afirma:

"Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública."

A classificação do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, na categoria de pesquisa segundo cor ou raça, é dividida entre brancos, pardos, pretos, amarelos e indígenas; sendo que os negros correspondem ao somatório das populações pardas e pretas, sendo que essa composição é verificada pela autodeclaração.

De acordo com o mais recente Censo, os brancos deixaram de totalizar a maior parte da população desde antes de 2010. Atualmente, 54% da população do nosso país são compostos de pretos e pardos, sendo que a cada dez pessoas desse grupo, três são mulheres, e entre os brasileiros mais pobres, três em cada quatro são pessoas negras.

Gênero e raça se configuram como as duas maiores desigualdade entre as pessoas no mundo. Em termos de renda e salário, por exemplo, o homem branco está no topo, enquanto a mulher negra está base dessa cadeia. Mudanças econômicas, políticas e sociais são necessárias e, como não estão garantidas, infelizmente, é preciso lutar por elas!

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Assista abaixo ao episódio 90 do Nerdologia, canal do YouTube criado pelo biólogo e pesquisados Átila Iamarino, sobre o racismo:

A diversidade na Literatura LGBT

Aspectos da literatura com personagens LGBT e uma entrevista com o escritor do gênero Fabrício Viana..

A literatura, utilizando como matéria-prima a palavra como manifestação artística e por vezes também política, tem o poder de, entre outros, ressignificar a realidade. O termo literatura LGBT abrange a produção literária que inclui personagens gays, lésbicas, bissexuais e/ou transgêneros, com temas ou narrativas associadas a essas comunidades.

É comum o pensamento de que essa literatura é feita por escritores e para leitores LGBT, mas não é regra. O foco é a utilização de personagens, principalmente protagonistas, que representem a diversidade sexual. Embora muitos desaprovem a classificação, atualmente essa literatura tem sido entendida como uma espécie de movimento político, que compartilha, incentiva, promove e reúne livros com temática LGBT.

Um dos principais objetivos por trás dessa produção literária é a tentativa de reprimir a discriminação e o preconceito, assim como a (auto)identificação e a aceitação por parte dos leitores LGBT. Vale destacar que nem sempre se trata de um romance, há muitas histórias de aventura, comédia, drama, ficção e suspense que apresentam personagens gays, lésbicas, bissexuais e/ou transgêneros.

No ano passado, o site do Jornal Hoje em Dia publicou uma matéria com algumas obras que tiveram boa receptividade no mercado e que abordam a temática LGBT direta, ou indiretamente. Confira abaixo as capas destacadas:

Entre os dias 27 de março e 2 de abril de 2017, será realizado o I Congresso Nacional Online de Literatura Queer, um evento para debater o mercado, os livros publicados, a escrita criativa, a importância de personagens LGBTs, a história da literatura queer brasileira, as dificuldades, a publicação, a autopublicação, o preconceito e outros temas importantes e peculiares. Mais informações podem ser acessadas aqui no site oficial.

Até o momento, há diversos nomes da Literatura Queer confirmados, como Laura Bacelar, Roberto Muniz Dias, Lea Carvalho, Juliana Albuquerque, Diedra Roiz, Sérgio Viula, Mariana Veiga, Kris Barz, Hanna Korich, Tales Gubes, Enrique Coimbra, Moa Sipriano, Kátia Viula, Alexandre Willer Melo, Occello Oliver, Alexandre Rabelo, Rafael Farias Teixeira, Lorena Miyuki, Ícaro Trindade, Marli Porto e Karina Dias.

O blog QUESTÃO DE GÊNERO entrevistou o jornalista, escritor e bacharel em psicologia Fabrício Viana para conversar sobre literatura LGBT e o I Congresso Nacional Online de Literatura Queer, evento o qual ele organiza.

Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Como se deu o início de sua carreira literária no gênero?

Fabrício – Eu criei alguns projetos sociais na internet voltados pra diversidade sexual. Desde uma campanha contra o preconceito LGBT, até um portal que ajudava as pessoas a “saírem do armário” e um programa de TV online antes mesmo da existência no YouTube. Esses projetos não existem mais, mas me deram muita visibilidade e, por conta disso, comecei a receber e-mails de pessoas questionando a homossexualidade em si: como era na antiguidade, como se assumir, o que os pais precisavam saber, etc. Foi nesse momento, principalmente pela impossibilidade de responder aos e-mails, que resolvi escrever meu primeiro livro chamado “O armário” em 2006. Até então, sempre teve diversos livros sobre o tema, mas um com uma leitura simples, que ajudasse as pessoas, como pais, filhos, educadores, psicólogos e professores, não. Escrevi, produzi e lancei de forma independente, e hoje ele é um dos livros mais conhecidos no Brasil sobre o tema. Depois dele, me aventurei por outros gêneros literários, como a literatura erótica (Ursos Perversos), a coletânea literária (Orgias Literárias da Tribo) e meu último, um romance homoafetivo (Livro Theus: Do Fogo à Busca de Si Mesmo).

Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Você acredita que há algum tipo de preconceito em relação à literatura LGBT?

Fabrício – Sim, com certeza. Na verdade, não especificamente sobre ela. Mas um respingo do preconceito social nela. Por exemplo, nem todos os meus leitores (homens ou mulheres) são assumidos. Nem todos podem comprar meus livros e ter um exemplar em casa. Muitos compram a versão digital na Amazon, leem no celular, smartphone e tablet. Não porque é mais barato, mas sim porque nesses dispositivos, só eles terão acesso. E, claro, não só meu caso. A literatura LGBT ainda é um tabu, e falo observando meus colegas escritores e editoras LGBTs.

Blog QUESTÃO DE GÊNERO – No que os conceitos de literatura LGBT e Queer se diferenciam?

Fabrício – Muitos autores não gostam dessas nomenclaturas. Outros, quando criei o Congresso Nacional Online de Literatura Queer, me questionaram se teria alguma relação com a Teoria Queer. E também não é um gênero literário diferente do que conhecemos, como drama, romance, erótico, terror. O termo mais apropriado seria “livros com temática LGBT”. Porém, alguns autores/estudiosos acreditam em um empoderamento, um ativismo dessa literatura. Logo, Literatura LGBT, Queer, GLS, Lésbica ou Gay são apenas nomenclaturas para colocar, dentro de um conjunto, livros com temática LGBT. Nada além disso, e cada um chama do que mais lhe agradar; ou nem chama, afinal, outros não compactuam com a ideia de empoderar.

Blog QUESTÃO DE GÊNERO – É possível traçar um perfil do leitor dessa literatura?

Fabrício – Ingenuamente, em um primeiro olhar, sim. Mas, com o tempo e experiência, não. Há pessoas assumidas, pessoas não assumidas, heterossexuais (meu livro de contos eróticos gays faz um sucesso com mulheres casadas com homens), e assim vai indo. Também não existe um perfil específico de leitor. Tem pessoas que amam ler, mas não leem literatura LGBT, por preconceito ou mesmo desinteresse; e tem outros que nem gostam de ler, mas se atraem por um romance gay. O perfil, ainda mais no Brasil, onde a média de leituras de livros não passa de 4 ao ano, é um território bem complicado, mas fértil.

Blog QUESTÃO DE GÊNERO – Como surgiu a ideia do Congresso Nacional Online de Literatura Queer?

Fabrício – Há alguns anos eu fiz um encontro em uma ONG com escritores LGBTs, como uma forma de unir todas as pessoas que gostam desse tipo de literatura. Eu queria algo que fizesse com que todos se conhecessem, porém, foi desgastante para mim. E o resultado, não tão satisfatório. Quando eu vi que poderia fazer um Congresso Online, juntando pessoas que pudessem falar de um lado e com espectadores do outro, blogueiros, leitores e até outros profissionais do livro, foi perfeito. Não só pela praticidade, pois cada um poderá assistir as palestras de sua casa, como facilidade. O I Congresso Nacional Online de Literatura Queer vai acontecer no final deste mês e, se tudo der certo, teremos todos os anos. Um marco histórico em nossa cultura LGBT brasileira que quero levar pra toda a vida.

E a palavra do dia é... sororidade

No Dia Internacional da Mulher, uma reflexão sobre a sororidade, uma palavra atual de extrema importância entre as mulheres..

O projeto Estelar surgiu há cerca de cinco meses a partir da ideia de conectar, inspirar e transformar mulheres, sendo uma plataforma que promove o intercâmbio de conhecimentos femininos. O fio condutor do canal no YouTube é a experiência individual e única de cada mulher, cada discurso empoderado, por mais simples que pareça, pode criar uma transformação dentro de cada uma.

Tendo a apresentadora de televisão, desenhista industrial e modelo Paola de Orleans em frente ao projeto com vídeos novos quinzenalmente, no canal é possível encontrar depoimentos, entrevistas, histórias, palestras, poesia, olhares, receitas e workshops, entre outros. O intuito é multiplicar e disseminar a sabedoria feminina e gerar novos exemplos de vida e liderança.

O canal, que é voltado para inspirar mulheres a potencializarem suas forças e serem elas mesmas em sua alta frequência, está com cerca de 2.700 inscritos e um total de quase 79.500 visualizações nos seus vídeos. De acordo com a apresentadora, "Só com a união e com a troca nós podemos perceber e mudar nossos hábitos, desconstruir nossos medos, aumentar nossa frequência e ter ferramentas que nos ajude a ser nós mesmas na nossa maior capacidade."

Um vídeo de destaque para refletirmos sobre o Dia Internacional da Mulher é acerca da Sororidade, uma palavra muito importante entre as mulheres, principalmente nos últimos tempos. Esse verbete novo, que está diretamente ligado ao feminismo, significa a aliança e a união entre as mulheres, baseado no companheirismo e na empatia, em busca de alcançar objetivos em comum.

A origem da palavra está no latim sóror, que significa “irmãs”. O termo pode ser considerado a versão feminina da fraternidade, que se originou a partir do prefixo frater, que quer dizer “irmão”. Basicamente, a sororidade consiste em ajudar a não fortalecer estereótipos preconceituosos criados por uma sociedade machista e patriarcal, que acontece quando há julgamento entre as próprias mulheres.

Assista abaixo o que a Paola comenta sobre essa questão:

Saiba mais sobre o projeto Estelar aqui.

As identidades sexuais

Ser a, gray, demi, hétero, homo, bi, pan, poli... a diversidade da identidade sexual e seus conceitos para aceitação e valorização..

As identidades sexuais não se restringem a ser hétero ou homossexual. A diversidade sexual está muito mais além do que costumamos pensar, e os estereótipos estão sendo cada vez mais quebrados e atualizados pelas novas experiências descobertas e vivenciadas. Os prefixos para as identidades sexuais são vários: a, gray, demi, hétero, homo, bi, pan, poli, entre outros.

Primeiramente, a identidade sexual está relacionada à atração sexual, que é o sentimento de desejar ter relações sexuais com uma pessoa. Essa identidade diz respeito aos gêneros pelos quais uma pessoa pode se sentir atraída sexualmente e, assim como o gênero, ninguém escolhe ter uma ou outra identidade sexual, comumente chamada também de orientação sexual e erroneamente de opção sexual.

Em suma, podemos conceituar as identidades sexuais citadas como:

  • Assexual: não há atração sexual
  • Grayssexual: raramente há atração sexual
  • Demissexual: atração sexual somente depois de afetividade
  • Heterossexual: atração sexual pelo gênero oposto
  • Homossexual: atração sexual pelo mesmo gênero
  • Bissexual: atração sexual por dois ou mais gêneros
  • Panssexual: atração sexual por todos os gêneros
  • Polissexual: atração sexual por variados gêneros

Além dessas, há outras maneiras de se manifestar a atração sexual, uma vez que os desejos são ilimitados e também não devem ser restringidos. Hoje em dia muitas pessoas, principalmente as mais jovens, estão se descobrindo e compreendendo melhor suas vontades e tomando contato com informações sobre a diversidade sexual, o que auxilia no estabelecimento de identidades próprias e reconhecimento do seu próprio ser.

Acima de tudo, esses conceitos não objetivam classificar ou mesmo rotular as pessoas, mas sim, demonstrar quão diversa é nossa sexualidade, e que cada um pode ser e se descobrir como quiser, que não há nada de estranho em gostar de um ou outro ou vários gêneros. Só há problema quando não se respeita e se condena quando se percebe uma identidade que não corresponde à maioria da população.

Mais importante do que a identidade que damos a uma pessoa de acordo com sua atração sexual, é como ela própria se identifica. Assim como o gênero, por muitas vezes a identidade sexual também é uma construção social, estereotipada e julgada pela aparência ou pelo que a sociedade espera dos indivíduos. O importante é não categorizar, pois isso significa obrigar a certa conduta e também uma maneira indireta de controle social.

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