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Sétima das Artes

Crítica: X-Men - Apocalipse

Novo filme dos mutantes é a história de super-heróis que eu mais gostei neste ano. .

X-Men: ApocalipseParece que a crítica em geral não tem gostado de X-Men: Apocalipse, novo longa estrelado pelos mutantes (é o oitavo longa da franquia começada em 2000). 
Eu não estou entre eles. É o filme de super-herói lançado em 2016 que eu mais curti. Com todos os problemas apontados por aí (e que provavelmente existem), eu torci. Funcionou comigo. 
Batman vs. Superman e Capitão América: Guerra Civil têm suas doses (maiores ou menores) de problemas e acertos. Mas um certo distanciamento dos personagens -- dado à constante necessidade de mostrar seu poder e invulnerabilidade -- era notável.
Nos X-Men, o que sempre me encantou é o fato de que o poder é visto também como uma maldição. Via em regra, estes poderes também geram limitações. Ou eles são acompanhados de algum tipo de deslocamento social quase intransponível. 
O bacana de X-Men: Apocalipse é ver esses personagens atormentados, falhos e vulneráveis tendo que enfrentar um vilão que tem como maior característica a falta de limites. 
Há quem argumentará que é uma velha história de malvadão querendo dominar o mundo. Exato. O que me move aqui, porém, não é o perigo do plano do vilão, mas o contraponto que ele oferece contra seus frágeis oponentes. 
Outra coisa que eleva o padrão da atual "trilogia" dos mutantes, começada com X-Men: Primeira Classe é a qualidade do seu elenco. Michael Fassbender, em especial, se destaca como Magneto -- e as suas cenas são arrepiantes. Em certa sequência, ele destrói um local histórico que, por si só, é de uma simbologia poderosíssima. 
Há outras cenas dignas de nota: a comentada sequência em que Mercúrio entra em ação e a aparição inesperada de outro mutante são, respectivamente, divertidíssima e forte. 
Por mais que a maquiagem do vilão seja nitidamente tinta azul no rosto; por mais que o filme invista nos mesmos furos que todo blockbuster da década (cidades arrasadas sem mostrar as consequências para a população); ainda assim ele me pegou e eu torci por cada personagem no final. 
Pode ser que como crítico eu esteja amolecendo. Ou evoluindo.  

Crítica: Batman vs. Superman

Apesar do esforço e de alguns acertos, épico de super-heróis não convence. .

Batman Vs. SupermanBatman Vs. Superman: A Origem da Justiça não me convenceu. 
Não me parece um desastre absoluto (mas isso vai depender da expectativa de quem vê), mas está longe de ser um grande ou mesmo um bom filme. 
O motivo principal está na tentativa do estúdio de fazer um grande épico com tons operísticos - e tentar encaixar elementos conceituais demais para o filme dar conta. 
Há a pretensão de criar debate político, de debate filosófico, de debate ético, subtramas de jornalismo investigativo e repetidas e nada sutis menções à natureza divina dos super-heróis. E ainda a necessidade de contar a história de dois personagens que vão se enfrentar. 
Por isso que as duas primeiras horas do filme são atropeladas. Tem tanta coisa para se mostrar e contar que, no fim, não mostra nem conta nada. A própria montagem parece ter sido feita às pressas e tem cenas que surgem abruptas, de maneira deselegante e pouco fluida. 
A projeção abre com a história de origem do Batman. Precisamos saber mesmo, após sete filmes, o que aconteceu com seus pais? 
Batman tem sonhos. O diretor Zack Snyder, que gosta de fazer cenas com visual rebuscado, parece estar mais interessado em dirigir as cenas de sonho do que a ação "real" da narrativa. 
Por falar em Batman, Ben Affleck como o Morcego está muito bem. Ele se apropria do personagem e lhe dá uma leitura  mais sombria e violenta. Faz um Batman que não se preocupa tanto com a vida dos adversários. 
E por falar em apropriação de personagem, o pouco que Gal Gadot aparece em cena como a Mulher Maravilha é o que o projeto tem de melhor. A atriz israelense mostra que já se adonou da personagem. Batman Vs. Superman me fez ter vontade de ver o filme solo da amazona (agendado para o ano que vem). 
O Lex Luthor de Jesse Eisenberg, por outro lado, é um dos pontos fracos. Seu vilão é afetado demais, com tiques e psicopatia em excesso. A abordagem do ator é que Lex é louco. Bem diferente do adversário calculista e estrategista dos quadrinhos. Neste caso, diferente é um problema. 
O mesmo acaba valendo para o Superman de Henry Cavill, que parece estar atuando no automático. Não deve ter tido um bom apoio do diretor Snyder. Mas o fato é que é uma atuação desinteressada para um personagem descrito como onipotente o filme inteiro. 
Na sua última meia hora ou 45 minutos finais, o filme melhora. As cenas de combate deixam ele mais bacana e até apreciável. Mas isso é menos mérito da narrativa do que do "fan delivery": aquilo que surge na tela para agradar aos fãs.
O que sustenta o clímax da fita não são as duas horas anteriores de narrativa mal enjambrada: são décadas de quadrinhos, desenhos animados e outros filmes. 
Isso o salva do desastre. Ou, talvez, o condene a ele. E se a crítica parece supérflua, é porque o filme não merece mais do que isso.  

Crítica: A Bruxa

Horror independente americano produzido por brasileiro é pura angústia.

A BruxaA Bruxa não é um filme de terror comercial ou convencional. Apesar de estar sendo lançado em grande circuito, não espere dele os elementos típicos de Invocação do Mal, por exemplo. Não se baseia na antecipação que leva ao susto, e tem poucas imagens gráficas. Tudo nele é clima e drama.
Em suma: A Bruxa é um excelente filme. 
Não falo apenas "excelente filme de horror", mas é ótimo cinema como um todo. Se o caro leitor espera algo que dê sustos divertidos, A Bruxa não é o teu filme. Mas se estiver esperando cinema com consistência, é uma ótima (e angustiante) opção.
A história se passa no período de colonização dos EUA. Uma família (os pais e cinco filhos) vivem isolados numa fazenda às beiras de uma assustadora floresta. Ainda no início da trama, o bebê é levado por uma bruxa -- e a família entra numa medonha espiral de culpa, delírio e medo. 
Não é só uma questão de clima que rege o filme. Os planos que mostram a floresta como algo misterioso e assustador não são mais importantes do que o drama dos seus personagens. E é na dramaturgia que A Bruxa se sustenta. Seu elenco pouco ou nada conhecido tem desempenhos incríveis, inclusive as crianças (o menino Harvey Scrimshaw, como Caleb, tem uma cena particularmente hipnotizante). 
As relações entre os personagens se desenvolvem como sustentáculo graças ao fato de serem concebidas para serem particularmente complexos -- do pai que ama os filhos ao mesmo tempo em que mente, aos gêmeos cujas ações causam desconforto o tempo inteiro. No que eles guardam de pior dentro de si é onde germinam as tensões, à medida em que a bruxa os vai atormentando. 
Por falar nisso, uma das melhores sacadas do diretor e roteirista estreante Robert Eggers foi a de retirar os diálogos do roteiro diretamente de processos contra pessoas acusadas de bruxaria nas colônias inglesas da América do século XVII. Assim, não só o linguajar dos personagens é arcaico (o que acentua a estranheza do filme), como o que eles falam refletem o sentimento de medo e paranoia religiosa dos colonos europeus. 
A mentalidade de quem vinha às Américas -- seja nas áreas de colonização inglesa, espanhola ou portuguesa -- ainda era profundamente medieval. A religião causava mais medo do que alívio; a ideia de pecado era avassaladoramente pesada. O roteiro consegue trazer esse conceito de forma muito vívida. As próprias representações da bruxa -- ora como uma velha nua, ora como uma jovem sedutora -- refletem imaginário do período com fidelidade. 
A Bruxa tem o brasileiro Rodrigo Teixeira (de Tim Maia e Alemão, entre outros) como um dos produtores -- então espante-se, é também uma produção nacional. Foi feito de forma independente, custando entre US$ 1 milhão e US$ 3,5 milhões. O baixo orçamento não impede, contudo, que a obra tenha excelente fotografia e som. Tecnicamente, é muito bem acabada. 
No final da sua incursão ao espírito de uma época sombria, a película surpreende por apresentar um desfecho quase anti-climático em termos de ação, ainda que imensamente provocador. Stephen King, rei da literatura de horror, disse que o filme é uma experiência assustadora. Ele é. Mas não espere algo fácil, ou sanguinolento. Espere angústia em estado mais puro. 

Crítica: Deuses do Egito

Hollywood agora ataca de mitologia egípcia. .

Deuses do EgitoDeuses do Egito é uma bobagem anunciada. Já nos trailers dava para notar que seria um Fúria de Titãs (a refilmagem) no Egito. Garantia de filme rasteiro, construído da forma mais enlatada o possível. 
É isso que o roteiro da dupla Matt Sazama e Burk Sharpless se esforça em fazer. Ambos são responsáveis por outras tolices das grossas (como o lamentável Drácula: A História Nunca Contada) e imprimem aqui o mesmo tipo de narrativa preguiçosa e repleta de inconsistências. 
A trama: num Egito mitológico, deuses e homens convivem. O malvado deus do deserto, Set (Gerard Butler), mata seu irmão Osíris para tomar seu trono. Cabe a um ladrão mortal, Bek (Brenton Thwaites) convencer o deus Hórus (Nikolaj Coster-Waldau), cegado por Set, a revidar. Este plot é vagamente inspirado na mitologia egípcia, mas toma bastante liberdade. 
Então, quem é fã da mitologia e do Antigo Egito pode ficar decepcionado já de cara. Os deuses, quando assumem uma forma não-humana, apresentam-se estranhamente como criaturas de metal, praticamente mecânicas; Set, ao invés do personagem complexo que alterna vilania e heroísmo, é um mero vilão comum; Ísis sequer aparece como personagem; a palavra "faraó" nunca é mencionada; um dos monstros que ameaça os protagonistas, a Esfinge que propõe um enigma, na verdade é das lendas gregas. A lista é longa. 
Mas isso é o de menos. O problema é a estrutura maluca do roteiro. Há soluções mágicas que surgem do nada (como uma carruagem alada que aparece para auxiliar dois personagens a chegarem mais rapidamente onde precisam chegar - supostamente enviada por um terceiro personagem que já morreu). A própria sequência de cenas às vezes não faz sentido; nunca entendemos em quanto tempo a história se passa, ações paralelas às vezes são sumariamente esquecidas. Em suma, o texto é uma baderna. 
A única coesão do roteiro vem dos clichês inevitáveis: o vilão que sempre sabe onde os heróis estão, mesmo quando ninguém o informa disso; a mentira que o protagonista não revela aos seus aliados; a presença feminina estereotipada. Nesses tempos em que discutimos tanto representatividade, também incomoda que os atores sejam predominantemente brancos. A sociedade em si é mostrada de forma multi-étnica, o que é correto (dentro do Egito habitam povos de diversas origens), mas sabemos que os deuses e faraós eram negros -- fica chato vermos brancos ocupando quase todos os papeis principais. 
Então, porque diabos eu me diverti?
Sim, eu me diverti em Deuses do Egito. Logicamente que poderia ser um filme bem melhor se ao menos fosse escrito com menos preguiça. Porém, mesmo com todos os problemas, não é um filme tedioso, daqueles que insultam abertamente o espectador com a sua tolice. Ele consegue entreter, de certa forma.
Um pouco dessa impressão é pelos seus amplos valores de produção, graças ao seu orçamento milionário: efeitos bem realizados, arte e figurino corretos. A música de Marco Beltrami soa divertida ao emular as trilhas de antigos filmes ambientados no Egito faraônico, com amplas melodias orientalistas. 
Mas é notável o esforço do diretor Alex Proyas (de Eu, Robô) e do elenco em fazer bem o seu trabalho. O cineasta comanda as cenas de ação com eficiência. Por mais que se apoie bastante nos efeitos visuais, consegue manter uma lógica de mise-en-scène clara. Ou seja: as sequências são construídas de forma coerente, sem aquela confusão que os filmes recentes tanto gostam de fazer. Podemos contemplar a ação em sua completude. 
Quanto ao elenco, eles realmente levam a sério o que estão fazendo e retiram suco do bagaço de papel que lhes foi dado. Nikolaj Coster-Waldau consegue dar substância e profundidade a um Hórus meio tolo, e Elodie Yung consegue dar contornos mais vívidos à sua Hator concebida de forma estereotipada -- mas interpretada de forma mais humana. 
Esse esforço todo não é o bastante para tirar o filme da vala comum. Mas garante que não seja uma experiência traumática, pelo menos. 

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