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Bom Exemplo

Casal usa geladeira antiga para oferecer comida a quem precisa em Campo Bom

Por Ermilo Drews

Geladeira instalada por Márcia e Monteiro atrai quem ajuda e quem precisa de auxílio Foto: Inézio Machado/GES
Sabe aquela geladeira velha, esquecida no porão ou garagem da casa? A maioria das vezes ela só serve para acumular pó. Mas um casal de Campo Bom encontrou uma alternativa nobre para o aparelho antigo. Instalaram o eletrodoméstico na frente de casa e anunciaram à vizinhança que aquela caixa retangular aparentemente sem serventia tinha um propósito: fazer o bem. A "velharia" se tornou a Geladeira Solidária. A ideia é simples. Quem pode doa alimentos e deposita na geladeira. Quem precisa abre a porta e pega o que necessita. Mas há regras. Como o equipamento não está ligado, só podem ser doados alimentos não perecíveis, com a embalagem fechada e dentro do prazo de validade.

A ideia foi colocada em prática pelo casal Alexander Gil Monteiro, 44 anos, e Márcia de Fátima Teikoski, 42. Natural do interior de Santa Catarina, Márcia se inspirou numa iniciativa semelhante adotada por funcionários de um posto de saúde de sua cidade natal. "Como tínhamos uma geladeira que não estava sendo utilizada, resolvemos implantar a ideia e colocamos o utensílio doméstico na calçada, onde disponibilizamos alimentos não perecíveis para pessoas carentes ou que estejam passando por alguma necessidade momentânea, principalmente em decorrência de desemprego", explica Márcia.

Além de oferecer o alimento, Monteiro acrescenta que o objetivo é despertar nas pessoas o hábito de pensar no próximo. "Sempre pedimos para que levem somente o necessário, para que uma quantidade maior de pessoas possa ser beneficiada."

Corrente do bem se fortaleceu

Nos primeiros dias, quem arcava com as doações era o próprio casal. Mas logo a ideia se espalhou. Atualmente, alguns vizinhos e muitos amigos formaram uma verdadeira corrente solidária para nunca deixar a geladeira desabastecida. "Tem pessoas que aparecem de bairros distantes para pegar alimentos", conta Márcia. Com o aumento da demanda, até a prefeitura entrou na jogada e a Secretaria de Assistência Social passou a fornecer uma cesta básica por semana.

Márcia sabe que uma "Geladeira Solidária" não acaba com a fome do mundo, mas é um alento. "Temos consciência de que não vamos conseguir resolver o problema de todos, mas, com as doações de muitas pessoas, conseguiremos ajudar pelos menos algumas famílias." A geladeira fica na Rua Ademar Gonçalves, 119, bairro Jardim do Sol.

Procura crescente

Márcia reforça que a procura tem crescido. "No começo, tivemos a ideia pensando no pessoal que catava lixo reciclável pela rua. Mas tem vindo muitas pessoas, especialmente à noite. Alguns têm vergonha, pegam e saem correndo. Outros param para conversar. Um senhor nos contou que tem seis netos, por isso vem aqui." Mas também há quem tenta se aproveitar das boas intenções. "Já tentaram levar a geladeira três vezes. Em todas tinha gente em casa, que impediu. Acabei tendo que amarrá-la bem para evitar isso", lamenta Monteiro.

 


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