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Cotidiano | Decoração Design urbano

Repensando os espaços no pós-pandemia

Arquiteto fala sobre o que pode mudar a partir da experiência da quarentena e do coronavírus na maneira de organizar o espaço

Por André Moraes
Publicada: 27.06.2020 às 03:00

Sacadas estão entre os recursos arquitetônicos que podem voltar ao interesse dos usuários após a Covid, quando a tendência é que se tenha maior atenção à qualidade de espaço Foto: Adobe Stock
Muita coisa mudou no ambiente em torno de todos nós nestes últimos meses, por conta das limitações impostas pela quarentena e pela necessária adoção de novos protocolos de higienização e prevenção de contágio. Mas em que medida estas transformações no espaço que nos cerca, e nas áreas de convívio, podem passar de provisórias a definitivas? A pandemia vai influenciar a decoração, até mesmo a arquitetura e o design urbano, de formas mais profundas ou duradouras? Perguntado a respeito, um profissional e professor da área acredita que sim.

Tiago Balem, arquiteto com mestrado em Design, doutorando em Planejamento Urbano e professor de Projeto Arquitetônico na Feevale, comenta que houve impactos imediatos, como paradas em obras, novas exigências de equipamentos de segurança e diminuição das reuniões presenciais, assim como solicitações de clientes para pensar layouts e espaços de atendimento adaptados às novas normas, por exemplo. “Mas são elementos que talvez continuem”, acrescenta. “Vai ter impactos de longo prazo. A gente não vai passar por esta situação incólume”, pondera, ao opinar que deve haver mudanças no próprio fazer arquitetura.

O professor comenta que com a quarentena as pessoas passaram a ficar muito tempo em casa, tendo mais atenção no espaço doméstico. Ele considera que é possível que as pessoas passem a procurar áreas com mais qualidade interna, contrastando com o período em que os espaços haviam diminuído. O mercado, neste caso, teria que responder ou se adaptar a possíveis novas demandas.
Tiago considera que as sacadas ou balcões abertos, por exemplo, possam voltar. “Outra coisa é o hall de entrada dos apartamentos. Acho que vai voltar esse elemento que tinha desaparecido na configuração dos apartamentos, das casas.” Ele também especula que outro elemento que pode voltar é a ideia antiga da chapelaria, o armário dos casacos ou dos sapatos para quem vem da rua.

A longo prazo, o profissional também acredita que possa haver uma pressão social pela qualificação do que as cidades oferecem. “As pessoas estão se dando conta de que elas estão com sede de vida social, de vida urbana, vida cultural.” Ele aposta em uma mudança em direção à vida coletiva. “Eu acho que a gente vai também despertar para a saúde coletiva”, considera Tiago, exemplificando com um princípio básico, que é o sanitário. “Como é que a gente pode conviver com a ideia de que tem pessoas que não têm um banheiro dentro de casa? Que não têm água? Como é que a gente pode conviver com a ideia de que há pessoas que nâo têm uma casa bem ventilada? A vida dessas pessoas impacta.” Ele comenta que é um princípio ético para o qual as pessoas devem despertar. “Não dá para a gente passar sem essa reflexão.”

“Outra coisa. Ficar reclamando do trânsito dentro do carro. Acho que a gente vai passar a entender que então é muito melhor ter um transporte coletivo, cobrar neste sentido dos órgãos públicos.” Também considera que as questões ecológicas devem receber um olhar mais generoso. “Será que a gente está focando no ponto certo, direcionando nossa energia, nosso tempo, nossos recursos financeiros para pensar o papel de parede, o revestimento de piso, a torneira com luz colorida, em vez de outras coisas que tornam o espaço muito melhor?” Ele acrescenta: “Acho que as pessoas estão com tempo de pensar de uma maneira mais profunda.”


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