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Cotidiano | Decoração Herança dos descendentes de alemães

A tradição decorativa dos Wandschoner dos imigrantes alemães

Panos com frases usados para decorar as paredes são antigo costume europeu trazido pelos imigrantes

Por André Moraes
Publicado em: 25.07.2020 às 10:00 Última atualização: 25.07.2020 às 11:03

Wandschoner bordado: "Amar e ser amado é a maior felicidade do mundo". Foto: fotos Acervo pessoal Hedvig Wagner
Se você cresceu em casa de descendentes alemães, ou se costumava visitar algum nativo das colônias do Rio Grande do Sul, certamente já viu pendurados nas paredes aqueles panos, em geral de tecido branco, com dizeres em alemão. São os Wandschoner, uma antiga tradição europeia que chegou aqui junto com os imigrantes e por aqui segue sendo cultivada em alguns lugares, embora já não seja tão comum na própria Alemanha.

A professora de alemão Hedvig Wagner explica que a tradução literal de
Wandschoner é "protetor de parede". "Há estudos que explicam o significado dos Wandschoner. Certamente tem a ver com proteger as paredes fechando alguma fresta aberta nas casas de madeira ou cobrindo alguma mancha indesejada. Pode ser também uma forma de proteção da casa e da família, pelos dizeres escolhidos que geralmente eram religiosos, como versículos da Bíblia ou então ditos populares que transmitiam virtudes e valores humanos."

Wandschoner bordado com a frase "Tudo está sujeito às bênçãos de Deus" Foto: Acervo pessoal Hedvig Wagner
Hedvig conta que os Wandschoner fizeram parte de sua infância. "Lembro que quando ia nas casas dos parentes lá no interior e via esses bordados, eu achava lindo. Eram as obras de arte daquela época. Muitos não tinham condições de comprar quadros e a opção também era restrita. Eu gostava muito de ver os Wandschoner na nossa casa. Geralmente ficavam atrás do fogão a lenha ou atrás da mesa. Minha mãe tinha dois. Estão na minha memória representando o belo na poesia, na proteção, no aconchego e no conforto da casa."

A professora conta que nem sabe a época ao certo em que sua mãe bordou os seus, embora acredite que fosse ainda na época de solteira, no tempo em que as moças tinham o hábito de fazer enxoval. Ela também comenta que bordados em geral eram feitos "de noite, depois das tarefas domésticas, quando chovia e não se podia fazer o trabalho na lavoura ou ainda nos finais de semana". Sobre os materiais, explica que havia vários: "O tipo de tecido era diversificado. Alguns usavam linho, algodão ou panos de sacos bem resistentes, pois naquela época se comprava certos mantimentos como arroz, açúcar, farinha de milho e de trigo em sacos grandes de tecido. Eram usados então para fazer os Wandschoner, ou panos de prato."

Herança cultural

Wandschoner do século 19, no museu Vorarlberg, na Áustria. Foto: Andreas Praefcke/CC
No caso da família de Hedvig, trata-se de bordados feitos, aproximadamente, entre as décadas de 1950 e 1960. O costume da colônia, contudo, tem raízes nas levas de imigrantes alemães que chegaram ao Brasil, nas primeiras décadas do século 19. A professora conta que em suas viagens pela Europa, na Alemanha e Áustria, só viu Wandschoner em museus, não tendo recordação de tê-los visto nas casas das famílias que visitou lá. Ela conta que a origem da prática foi a Europa, mas ela seguiu cultivada pelos imigrantes que vieram para cá.

Grupos na região ainda mantêm viva a tradição

Os Wandschoner são uma tradição que segue sendo cultivada no Vale do Sinos e nas regiões de descendência germânica. Além das peças decorativas que são herança familiar, como as da professora Hedvig Wagner, também há grupos de senhoras que ainda hoje se reúnem para bordar e manter vivo o hábito trazido pelos primeiros imigrantes. Confira vídeo dos jornais do Grupo Sinos sobre uma turma de amigas que cria Wandschoner em https://bit.ly/2OTvUOt.


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