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Cotidiano | Entretenimento Traço

A história secreta do Sinovaldo

Pouca gente sabe ou lembra, mas o chargista dos jornais do Grupo Sinos na verdade adotou o nome de um de seus antigos personagens

Por André Moraes
Publicado em: 12.09.2020 às 03:00 Última atualização: 12.09.2020 às 08:15

Há mais de 50 anos os leitores dos jornais do Grupo Sinos se acostumaram com o humor do chargista Mário Junges, o Sinovaldo, em seu espaço em que faz graça com os principais assuntos da região e do mundo. O desenhista de 69 anos também é o criador do popular personagem dos quadrinhos Vavau, que tem vários livros publicados, além de ter se consagrado como tirinha. Mas o que pouca gente lembra, e que muitos inclusive nem sabem, é que Sinovaldo, antes de ser o pseudônimo do artista, foi na verdade um personagem, lá nos primórdios de sua carreira.

O começo

Sinovaldo foi uma figura criada por Junges em 1969, quando ele começou a colaborar com o Grupo Sinos. “Comecei a tirinha do personagem Sinovaldo para o jornal me inspirando no meu guru Paulo Brasil Gomes de Sampaio, o SamPaulo, que na época produzia uma tirinha nos jornais da capital com o personagem Sofrenildo”, conta o chargista. “O nome Sinovaldo surgiu da junção de ‘Sino’ de Vale do Sinos mais o nome próprio Valdo”, explica o autor. A característica de Sinovaldo, o personagem, era que ele era bem azarado. Podia estar comemorando um gol do Novo Hamburgo, bater a cabeça e ir parar no hospital, ou então entrar na casa para fugir dos assaltos e encontrar um bandido esperando já lá dentro. Por sinal, muitas das aventuras dele lidavam com problemas da região que seguem bem atuais, como a questão da segurança, o custo de vida e os transtornos dos alagamentos.

Evolução

Mário Junges Foto: Reprodução
Justamente por causa da atualidade e da ligação com o cotidiano da região e do Estado, o espaço do Sinovaldo foi virando um comentário a assuntos do noticiário. Do formato de tira vertical, ele virou um quadro único. Em 1970, já neste formato de charge, o personagem ainda aparecia nos desenhos, com a assinatura Mário Junges e um título que sempre começava por “Sinovaldo e...”.
Ao longo do tempo, o personagem foi deixando de aparecer em todas as charges e, eventualmente, só restou o nome dele batizando o espaço do jornal. Lá pelas tantas o próprio autor passou a adotar como nome artístico o título do espaço. “Virou assinatura da charge. Esse processo aconteceu naturalmente”, explica Junges.

Nestas mais de cinco décadas, a seção da charge permaneceu fiel às origens trazendo uma visão bem-humorada sobre acontecimentos do dia a dia e também incluindo a perspectiva do leitor, que aparece aqui e ali como o sujeito que lê as notícias ou fica indignado com alguma situação nacional ou mundial, como costumava fazer o personagem Sinovaldo lá no começo.

Apesar de ter adotado o nome do personagem, o Sinovaldo de verdade faz questão de salientar uma diferença para a figura que criou. “Graças a Deus não sou azarado como ele. Sempre me considerei um cara de muita sorte”, brinca.


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