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Cotidiano | Viver com saúde Hora de amadurecer

Síndrome de Peter Pan pode trazer ansiedade e sofrimento

Frequente especialmente entre os homens na faixa etária dos 18 a 25 anos, manifestação em muitos casos precisa de ajuda psicológica

Por Adriana Lima
Última atualização: 07.10.2019 às 03:00

Síndrome de Peter Pan pode trazer ansiedade e sofrimento Foto: Fotolia
É completamento saudável passar um tempo entre amigos ou com o parceiro desfrutando de brincadeiras saudáveis. Se divertir com os filhos, então? Excelente! Porém, bem diferente disso, a infantilidade pode assumir papel de destaque na vida adulta e prejudicar esta fase. "A síndrome de Peter Pan é uma espécie de paralisia do amadurecimento ou uma impossibilidade disso. Se caracteriza pela recusa de amadurecer e a dificuldade de tolerar a frustração, bem como de assumir responsabilidades - em especial as da vida adulta. Em casos muito extremos, as eternas crianças ou adolescentes podem não desenvolver autonomia suficiente para viver sem os pais, passando a viver como uma extensão destes, o que pode trazer uma série de prejuízos para a vida profissional, bem como a pessoal, uma vez que essas pessoas passam a precisar de substitutos desse cuidado sem os quais não sabem funcionar", destaca o o psicólogo do NAP, Luiz Mateus Pacheco.

Seria então uma fase de buscar o prazer como bem supremo? "A medida em que a infância e depois a adolescência e juventude vão sendo 'esticadas' em termos cronológicos e, ao mesmo tempo, sendo afastadas de responsabilidades e tarefas, esse período da vida passou a ser identificado com um período de prazer e felicidade. A vida adulta passou a ser um tempo de trabalhar e pagar boletos. Dessa perspectiva, acredito que há uma relação entre hedonismo e a Síndrome de Peter Pan", responde o doutor em História com ênfase em Antropologia e professor de Antropologia na Faculdade IENH, Luís Alexandre Cerveira.

Indícios em casa

Mateus explica que o principal sinal é a recusa em amadurecer. "Pode se expressar de várias formas, como rejeição de papeis sociais adultos ou até hábitos infantis. As dificuldades de assumir compromisso e o egocentrismo podem também ser marcadores importantes, este último por uma baixa capacidade de se importar com o outro ou com as consequências de seus atos."

Personagem da Disney, ninguém sabe a idade de Peter Pan, o menino que se recusa a crescer e só se mete em confusões.

Filhos mimados ou não

"Geralmente são filhos de pais excessivamente bons e que não permitiram que desenvolvessem uma autonomia nem tivessem que lidar com a frustração ou arcar com as responsabilidades dos próprios atos. O outro extremo da moeda também é verdadeiro: filhos que sentiram que seus pais não foram bons o suficiente e estendem essa dívida à vida adulta", citam Cerveira e Mateus.

Medo de ficar velho?

Mas a síndrome tem alguma relação com o medo de envelhecer? "Entre outras culturas, e mesmo na nossa, em tempos passados, a vida adulta era vista como a meta óbvia, se perguntava: 'o que vai ser quando crescer?'. Por outro lado, a velhice era o tempo da sabedoria. Desde que entramos em um período de acelerado desenvolvimento científico e tecnológico, somado à redução do número de crianças, perder a infância e a juventude passou a significar estar ultrapassado. Atualmente, nossa cultura tem a infância e a juventude como modelos de felicidade, isso nos faz desejar permanecer nesse 'eterno paraíso'", explica Cerveira.

Como devo agir?

Reverter esta situação é um processo desafiador, lembra Mateus. "Se você perguntar para estas pessoas se preferem as responsabilidades da vida adulta, a maioria provavelmente vai dizer que não, que preferia a vida sem boletos ou algo semelhante. Se esquecem, entretanto, do quanto era angustiante viver uma vida onde o outro decidia sobre você. Ajudar a ver as vantagens da vida adulta e a elaborar o luto pela infância são tarefas importantes nesse processo", cita. E o outro lado também precisa mudar. "Poder faltar um pouco - tarefa que exige paciência - e não assumir as pontas de tudo e nem tomar o outro como eterno coitadinho também. Não seria mais justo compartilhar?"

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