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Notícias | Região Com menores populações

Saiba quais são os 15 municípios da região onde o novo coronavírus ainda não fez pacientes

De acordo com o sistema da Secretaria Estadual da Saúde (SES), estas cidades não registraram casos de Covid-19 até a quinta-feira; especialista alerta: "é muito difícil que o vírus não alcance estas cidades"

Por Bianca Dilly
Última atualização: 22.05.2020 às 13:39

Presidente Lucena é uma das poucas cidades da região que ainda não registraram casos de Covid-19 Foto: Prefeitura de Presidente Lucena
Quem reside nestas cidades, observa com atenção a atualização diária de casos do novo coronavírus pelas informações do Estado. Mas não é só para ver se surgiram novas confirmações da doença - e sim ter certeza de que o município ainda permanece no grupo de locais onde a Covid-19 não chegou. São 15 das 44 cidades de abrangência do Jornal NH.

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Integram a lista Alto Feliz, Araricá, Capela de Santana, Igrejinha, Lindolfo Collor, Linha Nova, Morro Reuter, Nova Hartz, Picada Café, Presidente Lucena, Riozinho, Santa Maria do Herval, São José do Hortêncio, Três Coroas e Vale Real. O levantamento foi realizado no final da manhã de quinta-feira (21) e confirmado à noite, segundo o sistema da Secretaria Estadual da Saúde (SES).

Destes, há algumas características que prevalecem. Por exemplo, 11 deles têm uma população abaixo de 10 mil habitantes. Na separação das regiões pelo distanciamento controlado do governo do Rio Grande do Sul, ficam nas áreas de Novo Hamburgo, Taquara e Caxias do Sul. Só uma delas pertence à delimitação de Canoas.

Alerta

Já o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia e professor da Universidade Feevale, Fernando Spilki, faz um alerta: "é muito difícil que o vírus não alcance estas cidades", pontua. De acordo com o profissional, se constatou que o novo coronavírus está circulando fortemente na região. "E o número de casos vem aumentando. Pode ser questão de tempo", avalia.

Um dos motivos para isso, segundo Spilki, é a projeção de casos. "Ainda não chegamos no pico, nem entramos em uma curva descendente. Não estamos em uma situação de estabilidade no número de casos novos", explica, acrescentando que a maior flexibilização para retomada de atividades, em virtude de novas políticas que vêm sendo implementadas no Estado, também deve interferir nos números.

Possíveis motivos

Analisando as cidades que não têm registros de coronavírus, Spilki chama a atenção para alguns detalhes. "São cidades com população pequena e o que ocorre, teoricamente, é que fica mais fácil de controlar, pois há menos tráfego de pessoas, menos pontos de aglomeração", pontua.

Porém, ele frisa que esse cenário vem mudando. "Estudos recentes estão mostrando que a propagação do vírus tem acelerado mais em cidades pequenas, em nível nacional", descreve.

São as mudanças nas relações econômicas que podem contribuir para o espalhamento do novo coronavírus. "Com a reabertura de grandes polos de comércio nas grandes cidades, por exemplo, pode acabar atraindo pessoas para consumo nesses locais", cita, lembrando, também, que muitos moradores podem trabalhar em municípios vizinhos onde já há casos.

Ritmo acelerado de expansão da doença

Outro ponto destacado por Spilki é que pesquisas estão mostrando um ritmo mais acelerado de expansão da doença em cidades pequenas e médias. O grupo da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), que também tem estudado o assunto, aponta que "na conjuntura atual, visualiza-se um processo de dispersão de casos da Covid-19 para municípios menores de forma acelerada, demonstrando que o processo de interiorização leva de quatro a seis semanas."

Morro Reuter está investindo em ações

Uma das ações de Morro Reuter, que ainda não registrou casos, foi a confecção de máscaras por agentes de saúde Foto: Divulgação/Prefeitura de Morro Reuter

Ainda pelo modelo, elas estão classificadas com as bandeiras amarela ou laranja, o que significa que possuem baixo ou médio risco. Ao ser questionada sobre os dados e traçar possíveis perspectivas futuras, a Secretaria Estadual da Saúde diz, em nota, que "não trabalha com este tipo de projeção". Isto é, não há como prever a evolução da doença hoje, amanhã ou depois.

"O município, seguindo orientações do Ministério da Saúde e governo do Estado, tomou várias medidas de prevenção", pontua a secretária de Saúde, Assistência Social e Meio Ambiente de Morro Reuter, Ana Cláudia Menna Barreto, como uso de máscara facial no comércio. "Também investimentos em equipamentos para a nossa equipe e desde 23 de março está sendo feita a sanitização nas áreas internas e externas da Unidade Municipal de Saúde", acrescenta.

O município ainda ressalta que investiu na aquisição de testes e participa do convênio de análises com o laboratório da Universidade Feevale. "Estruturamos espaços específicos para, caso aconteça um caso positivo, tenhamos toda condição de realizar um primeiro atendimento adequado. Também temos um ambulatório de campanha, na área externa da Unidade Municipal de Saúde, onde são triados os pacientes com síndrome gripal", conclui Ana Cláudia.

Alto Feliz entre as menores cidades

Alto Feliz, com 3.028 moradores, de acordo com população estimada pelo IBGE em 2019, adotou várias as medidas de prevenção desde o início da pandemia. "A conscientização e o respeito pelo próximo têm papel fundamental na prevenção deste vírus. Como se trata de um município pequeno e onde a comunidade é muito participativa e comprometida, a adesão ao isolamento social teve repercussão positiva", afirma o coordenador da Secretaria Municipal da Saúde, Jeferson Follmann.

Caso venha a confirmação de algum caso, a prefeitura diz que está preparada. "O município reestruturou o fluxo da Unidade Básica de Saúde, para atender os casos de Covid-19 e posterior encaminhamento ao nosso hospital de referência, que é o Hospital Schlatter, de Feliz", destaca, acrescentando que os profissionais dispõem de todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários.

 

Igrejinha segue com toque de recolher

Entre as medidas adotadas por Igrejinha na prevenção da Covid-19 está o toque de recolher. "O município vem trabalhando no sentido de equalizar as ações de distanciamento social com a questão econômica. Por isso, publicou na última semana o decreto 4.832/2020 que, entre outras medidas, instituiu o toque de recolher no município", pontua o prefeito, Joel Wilhelm.

De acordo com o chefe do Executivo, a ação serve como prevenção à pandemia e para evitar aglomerações. A cidade está entre as poucas na região classificada com a bandeira amarela. "Se mudar nossa bandeira para laranja, teremos mais restrições para o comércio e serviços, e é isso que não queremos", acrescenta.

Se confirmar algum caso, Igrejinha possui uma estrutura para atendimento dos sintomas gripais que funciona no Parque de Eventos Almiro Grings. O Hospital Bom Pastor possui 12 leitos para pacientes com Covid-19.

 


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