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Notícias | Região Estupro de vulnerável

Abusada há seis anos pelo pai, menina foge de casa em Novo Hamburgo

Ela era abusada desde a infância, agora se esconde do agressor com a mãe e o irmão mais novo, também ameaçados de morte

Por Silvio Milani
Última atualização: 08.11.2019 às 08:41

Estuprada desde a infância pelo pai, em Novo Hamburgo, uma estudante de 14 anos decidiu fugir de casa. A mãe e o irmão foram junto. Estão todos ameaçados de morte. Cansada dos abusos, a menina reagiu a nova investida do agressor, no início da noite de quarta-feira (6), e buscou ajuda na casa da avó. À noite, foi à Central de Polícia e pediu medida protetiva urgente. O caso está com a Delegacia de Polícia Especializada no Atendimento a Mulher (Deam). A titular do órgão, Raquel Peixoto, não foi localizada nesta quinta-feira (7) para falar sobre as providências em benefício das vítimas.

Eram 18h10. O pedreiro de 35 anos manda o caçula andar de bicicleta para ficar sozinho em casa com a filha adolescente. Assim que o garoto sai, começa o assédio. Conforme a vítima, que pela primeira vez decidiu se defender, o pai passou as mãos entre as pernas dela. Empurrou o homem. Surpreso, ele deu um soco no rosto da filha e a segurou pelo braço. A jovem conseguiu correr até a cozinha, pegou uma faca para mostrar que não se entregaria e foi apressadamente para a rua, onde encontrou o irmão. Os dois foram se abrigar na casa da avó, que levou a neta à delegacia.

'Aterrorizada'

No depoimento, a adolescente contou que começou a ser estuprada pelo pai aos oito anos de idade. Lembrou que uma vizinha chegou a acionar o Conselho Tutelar. Na época a vítima negou, porque o homem ameaçava matá-la se contasse algo. A adolescente acrescentou que o caçula, hoje com sete anos, presenciou vários abusos do pai contra a irmã.

A estudante ainda falava aos policiais quando a mãe, que estava trabalhando, chegou à delegacia. A mulher de 32 anos estava "aterrorizada", conforme definido pelos agentes, porque o homem havia ameaçado matar a todos caso procurassem a Polícia. A solução foi abandonar a casa apenas com a roupa do corpo. O pedreiro deve responder pelo crime de estupro de vulnerável, com pena prevista de oito a 15 anos de prisão.

"A gente vivia com ele para não morrer"

Oprimida por um homem violento, a família tenta se reencontrar em esconderijo longe de casa. Os traumas, os medos e a revolta acompanham. Vítima desde os oito anos de ameaças e estupros, a adolescente pouco fala. Tem olhar distante. Com a mãe e o irmão pequeno, vivia o inferno ao lado do pai. "A gente vivia com ele para não morrer. Ameaçava nos matar se fôssemos embora. E não dá para chamar de pai, né", comenta a mãe, em meio ao choro. As vítimas ainda não foram ouvidas na Deam.

Você nunca desconfiou antes?

Mãe - Várias vezes. Cheguei a conversar muitas vezes com minha filha, quando estávamos sozinhas. Só que ele ameaçava muito ela. E ela negava. Dizia que ele respeitava.

Por que só ontem ela resolveu reagir?

Mãe - Na verdade estamos vivendo abaixo de ameaça. Me separei dele este ano, em abril, quando descobri. Daí ele não fez mais nada pra ela. Só que tive que voltar por ameaça. A gente vivia com ele para não morrer. Eu estava juntando dinheiro para fugir com meus filhos. Eu sempre dizia para ela não chegar perto dele. E ontem tentou de novo. Estava cansada disso. Falei pra ela se defender. Eu pretendia fugir com eles. Ninguém sabia.

Como você ficou sabendo?

Mãe - O piá (filho) contou. Agora maiorzinho, disse que viu o pai fazendo coisas com a irmã quando eu não estava em casa.

Sua filha aparenta traumas?

Mãe - É bem fechada. Sempre achava ela estranha. Não é de conversar. Mas vai bem na escola.

Como é a relação do filho com o pai?

Mãe - Boa, mas de um tempo pra cá, quando ficou maiorzinho, criou medo. Ficava apavorado quando vias as coisas com a mana. Também quando o pai me empurrava, me pegava pelo pescoço, me batia.

O que você sente pelo ex?

Mãe - Ódio, desprezo. É um monstro. Tenho medo que venha atrás. Está solto.

TAGS: Deam estupro pai
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