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Notícias | Região Golpe da pirâmide

Diretor jurídico da Unick está em casa com tornozeleira eletrônica

Quando foragido, o advogado Fernando Lusvarghi, um dos principais membros da cúpula da pirâmide, foi beneficiado com prisão domiciliar

Por Silvio Milani
Última atualização: 03.12.2019 às 10:04

Leidimar e Danter, presos, formavam o núcleo de comando da empresa com Lusvarghi Foto: Reprodução
Único foragido da Operação Lamanai da Polícia Federal, o diretor jurídico da Unick e dono da garantidora SA Capital, Fernando Marques Lusvarghi, 33 anos, foi beneficiado com prisão domiciliar. Ele se entregou e está em casa, em Bragança Paulista (SP), com tornozeleira eletrônica. O motivo: não havia cela especial disponível para o advogado.

As prisões temporárias de Lusvarghi e dos outros nove da cúpula da pirâmide financeira foram decretadas em 14 de outubro, três dias antes da deflagração da operação. Só ele não foi encontrado. Na condição de foragido, pediu habeas corpus. Alegou que, quando os mandados eram cumpridos, estava em compromisso profissional em Brasília, e afirmou que se apresentaria desde que a prisão fosse revogada.

O pedido de liberdade provisória foi negado em 5 de novembro pelo desembargador Leandro Paulsen, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF 4), quando a prisão já tinha sido convertida em preventiva. Porém, ao não conceder a soltura, Paulsen frisou que o habeas era inócuo porque a juíza substituta da 7ª Vara Federal, Karine da Silva Cordeiro, já havia decidido pelo recolhimento em domicílio. Na decisão, a magistrada mandou Lusvarghi para casa "enquanto não surgirem nos autos informação de local que atenda aos requisitos mínimos inerentes a uma sala de Estado-Maior".

Compromisso

O advogado se apresentou no último dia 22. Entregou o passaporte e recebeu a tornozeleira. Teve que assinar um termo de compromisso, em que fica proibido de entrar em contato com os demais investigados, impedido de abrir conta em qualquer instituição financeira e com acesso à Internet e telefonia vedado. Também, por óbvio, se comprometeu a não sair do raio de monitoramento centrado na residência e a manter a carga da bateria da tornozeleira. "Desde já fica advertido o preso que o descumprimento de qualquer das obrigações causará a revogação imediata do benefício de liberdade provisória e expedição de ordem de prisão", despachou o titular da 7ª Vara Federal, Guilherme Beltrami.

Estrategicamente conflitante

Lusvarghi cumpre papel estratégico e conflitante no esquema. A garantidora SA Capital oferece um loteamento tomado por posseiros em Cristalina, no interior de Goiás, como "seguro" aos milhares de investidores da Unick, conforme revelado pelo Jornal NH quatro dias antes das prisões. Como diretor jurídico da operadora de investimentos, ele vai mover ação contra a fiadora da qual é proprietário para que honre com as garantias? Conseguiria ocupar o papel de autor da ação e réu ao mesmo tempo?

Presidente não ganha habeas

O presidente da Unick, Leidimar Lopes, 39, tenta habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça, negado semana passada pela ministra Laurita Vaz em caráter liminar. Também segue preso o diretor de Marketing, Danter Silva, 23, junto com outros dois. No total, o processo tem 15 réus, todos da cúpula, e deve receber denúncia contra mais de 1,2 mil líderes, conforme revelado ontem pelo Jornal NH.


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