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Notícias | Região Senhas da segurança

Oito policiais civis do Vale do Sinos formavam quadrilha de recuperadoras de veículos

Novo Hamburgo, com pelo menos cinco afastados nesta sexta-feira, tem o maior número de agentes investigados pela Cogepol por envolvimento criminoso com empresas de três Estados

Por Silvio Milani
Última atualização: 22.05.2020 às 21:39

A quadrilha formada por recuperadoras de veículos para acesso a informações sigilosas da segurança pública gaúcha, desbaratada nesta sexta-feira (22) pela Corregedoria Geral da Polícia Civil (Cogepol), contava com pelo menos oito policiais civis do Vale do Sinos. Os agentes públicos cumpriam papel estratégico na organização. Um deles seria o dono oculto de uma empresa envolvida, em nome de laranjas. No meio da operação, batizada de Sordidum Societatis, outros dois policiais civis foram presos com drogas.

A Cogepol não informa a procedência dos agentes, mas a reportagem apurou que pelo menos cinco são de Novo Hamburgo. Atuam na 1ª DP, 2ª DP, Delegacia de Homicídios e Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento. Três trabalham em delegacias de São Leopoldo e os outros três alvos iniciais da operação, que totalizam onze, assim como os dois flagrados com droga, também são da região metropolitana. "É uma notícia bomba para nós, que trabalhamos sério", comenta um policial de Novo Hamburgo, que pede para não ser identificado.

Inspetor guardava 13 quilos de maconha

Segundo o corregedor-geral, delegado Marcos Meirelles, dez agentes foram afastados e um, que é dono de recuperadora, preso temporariamente. Os outros dois flagrados com droga em meio ao cumprimento de 86 mandados de busca e apreensão, conforme Meirelles, estavam com maconha e cocaína. Na casa de um inspetor, que seria de uma delegacia de Novo Hamburgo, havia 13 quilos de maconha. Em uma casa no bairro Das Rosas, em Estância Velha, foram apreendidos um Palio e um Focus.

A operação ainda cumpriu prisões temporárias de quatro não policiais. São dois donos de recuperadoras e dois prestadores de serviços, dos quais um empresário e um colaborador portavam armas de uso restrito.

A investigação continua e pode chegar a mais policiais. "Tudo é possível. Vai depender da análise da documentação apreendida. Não se trata de investigar a instituição, mas os policiais e, desse modo, tentar afastar os maus servidores da corporação", frisa Meirelles.

Negócio lucrativo

A investigação, que começou há dois anos, identificou três recuperadoras de veículos no esquema. Uma de Curitiba (PR), uma de Campinas (SP) e uma de cidade não informada da Grande Porto Alegre, de propriedade do policial preso. Elas trabalham para seguradoras, que pagam comissão pela localização de carros roubados ou furtados de clientes. Os agentes entravam com a investigação e chegavam a alugar as senhas funcionais do Sistema de Consultas Integradas da Secretaria da Segurança Pública, que permitem pesquisa ampla sobre os veículos.

"Tenho carro roubado, aciono seguro, apresento os documentos para receber e preencho a transferência do veículo para a seguradora. A recuperadora encontra o carro e recebe comissão da seguradora, que pode vendê-lo e, assim, recuperar o prejuízo", explica o corregedor.


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