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Notícias | Rio Grande do Sul Alimenta-se de sangue

Conheça as características do morcego-vampiro encontrado pela 1ª vez no RS

Especialista afirma que não há nenhuma evidência científica de que a nova espécie propague raiva

Última atualização: 29.06.2020 às 12:05

É o primeiro registro da espécie Diaemus youngi no Rio Grande do Sul Foto: André Witt/Secretaria de Agricultura do RS
Uma espécie de morcego-vampiro foi identificada pela primeira vez no Rio Grande do Sul. Os técnicos da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) localizaram exemplares do Diaemus youngi, morcego hematófago, ou seja, que se alimenta de sangue, em Restinga Seca.

Três animais foram capturados em janeiro de 2019. Até então, o Rio Grande do Sul havia documentado a presença de apenas uma espécie de morcego hematófago, o Desmodus rotundus.

A descoberta foi publicada no periódico científico Notas sobre Mamíferos Sudamericanos, da Sociedade Argentina para o Estudo de Mamíferos (Sarem). Após a publicação do artigo, novos espécimes de Diaemus youngi também foram encontrados na região das Missões.

O coordenador do Programa de Controle da Raiva Herbívora da Seapdr, Wilson Hoffmeister, explica que a espécie encontrada se alimenta de sangue de aves silvestres e galinhas criadas soltas (chamadas crioulas, caipiras ou coloniais) e, portanto, não transmite raiva, como é o caso da espécie mais comum no Estado, Desmodus rotundus.

“A Diaemus youngi pode transmitir doenças para aves, mas é difícil que consiga contaminar aves comerciais, criadas em galpão, porque esses espaços são telados justamente para evitar isso”, avalia.

Wilson frisa que não há nenhuma evidência científica de que a nova espécie propague a raiva herbívora. “É uma descoberta importante, mas não nos preocupa no combate à raiva. Descobrir essa espécie no Rio Grande do Sul pode, por exemplo, explicar a disseminação de doenças em aves que não tinham explicação lógica até o momento”, pondera.

Produtores de galinhas devem redobrar cuidados

Para evitar qualquer tipo de contágio, o analista ambiental André Witt faz uma recomendação a produtores de galinhas e angolistas. “O ideal é que elas sejam resguardadas no período noturno em galinheiro fechado com telas de diâmetro reduzido, tipo passarinheiras, com o objetivo de impedir o ataque por morcegos hematófagos”, detalha.

Atualmente, devido à grande importância do Desmodus rotundus no ciclo da raiva dos herbívoros e o risco à saúde humana, a legislação ambiental brasileira permite o controle das populações apenas para esta espécie. No Rio Grande do Sul, este controle é realizado por equipes especializadas da Secretaria da Agricultura.

Características

O biólogo Jackson Müller explica que a espécie tem a pelagem parda amarelada e a dorsal, mais escura que a ventral. O focinho é alongado, a língua comprida com numerosas papilas na extremidade distal. Os dentes molares são finos e alongados e a cauda é curta perfurando dorsalmente a membrana interfemural.

Segundo ele, a distribuição dessa espécie é ampla, com ocorrências do nordeste do México, passando pela América Central e chegando à América do sul, da bacia Amazônica até o norte da Argentina.


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