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Notícias | Rio Grande do Sul Infraestrutura

Com previsão para novembro, o que falta para concluir a nova ponte do Guaíba

Inauguração e liberação parcial do trânsito, como espera governo federal, dependem de conclusão de viaduto. Mas há outro obstáculo para finalizar totalmente a estrutura

Por Leandro Domingos*
Publicado em: 16.10.2020 às 21:00 Última atualização: 16.10.2020 às 21:08

Dezenas de operários trabalham na nova ponte do Guaíba, que vai garantir a travessia de veículos sem parar o trânsito Foto: Paulo Pires/GES
Com mais de 90% da obra concluída e com o reforço de 250 operários, diferentes frentes de serviço da obra da nova ponte do Guaíba estão sendo feitas simultaneamente para permitir a inauguração e liberação parcial do tráfego ainda em novembro, como pretende o governo federal, apesar de não haver data definida. Atualmente, por exemplo, estão sendo realizadas ao mesmo tempo a terraplenagem, drenagem, pavimentação e sinalização. Uma das principais frentes de trabalho é a construção do viaduto no quilômetro 99 da BR-290, que fará a ligação com a nova ponte. Desde o último dia 13 até 28 de outubro, um cronograma de trabalho intenso foi estabelecido para instalar as vigas do viaduto, que ainda terá que receber lajes pré-moldadas, asfalto e sinalização.

Iniciada em outubro de 2014, a previsão era concluir a obra em setembro de 2017. A ponte terá uma extensão de 12,3 quilômetros com um total de cinco quilômetros de trecho em aterro e 7,3 quilômetros em obras de artes especiais (ponte sobre os canais navegáveis, elevada e viadutos), atravessando o Parque Estadual Delta do Jacuí. Com 27 metros de largura nos vãos principais, a pista contará com duas faixas de rolamento com acostamento e refúgio central. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) prevê que 50 mil veículos utilizem a nova ponte diariamente.

De acordo com o Dnit, até o momento, já foram investidos no empreendimento R$ 869 milhões, incluindo o que foi destinado ao reassentamento de mais de 500 famílias da Ilha Grande do Marinheiros. No entanto, ainda faltam ser oficializados alguns acordos com as famílias, o que impede o término de alças de acesso na região das Vilas Areia e Tio Zeca. Uma delas permitirá que motoristas acessem ou saiam de Porto Alegre pela 290, evitando a Avenida Castelo Branco.

Nova Ponte do Guaíba tem previsão de liberação para novembro Foto: Paulo Pires/ GES

O içamento da atual ponte chega a ser feito três a quatro vezes por dia, causando quase três quilômetros de congestionamento somente na entrada da capital. Não é para menos. Cerca de 43 mil veículos passam pela ponte do Guaíba todos os dias. Com a nova estrutura em funcionamento, só vai passar pelo vão móvel, que continuará em funcionamento, quem quiser.

A nova ponte deve evitar os acidentes frequentes na atual estrutura. Em 25 minutos sobre à espera do içamento, o caminhoneiro Rovani Leão chegou a observar três acidentes. “Nem todo mundo tem a minha paciência. Às vezes, na ansiedade do pare e arranque, alguém dá uma encostada no carro da frente. Aí a tranqueira é maior ainda”, suspira o motorista, um dos tantos que querem ver a nova ponte do Guaíba funcionando o quanto antes.

Na avaliação do superintendente-executivo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio Grande do Sul, Leandro Wachholz, a previsão é de uma melhora significativa no tráfego. A atual ponte “freia” o fluxo e interrompe a logística e o desenvolvimento econômico rumo ao sul e o oeste do Estado, bem como a produção gaúcha que vem do sul e oeste para a região metropolitana e norte do RS. “A não ser que aconteça uma obstrução por pane em um veículo, a nova ponte não vai parar, resultando em agilidade para quem quiser sair ou entrar em Porto Alegre”, aponta Wachholz.

Readequação no cronograma

O Dnit readequou o cronograma de lançamento das vigas do viaduto que fará a ligação da BR-116/BR-290 com a nova ponte. Desde a última terça, todas as etapas de instalação das vigas ocorrem das 20 às 5 horas.O objetivo é otimizar o trabalho, minimizar transtornos ao trânsito e liberar novas atividades nas frentes de serviço. A operação foi dividida em seis etapas e acontece no km 99 da rodovia. Os motoristas que utilizam a rodovia devem ficar atentos à sinalização, pois o trânsito neste ponto sofrerá diversas alterações até o dia 28 deste mês (prazo poderá ser alterado dependendo das condições climáticas).

Trecho mais baixo da ponte

A polêmica surgiu no ano passado. O trecho no Canal Furado Grande, entre as ilhas do Pavão e dos Marinheiros, teria sido construído 44 centímetros mais baixo do que previa o edital. O Dnit, no entanto, garante que não há risco do nível do Guaíba atingir a nova ponte. Relatório do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) aponta que, em 100 anos, a cheia máxima nas imediações foi de 3,17 metros. Já a viga em questão é de 3,66 metros.

Justiça informa que foram feitos 494 acordos

O término das alças dependem da desocupação de cerca de 500 famílias das vilas Areia e Tio Zeca. De acordo com a Justiça Federal, o Dnit ingressou com 504 ações visando à imissão de posse das áreas localizadas na Ilha Grande dos Marinheiros, em Porto Alegre, na primeira fase do projeto. Ainda de acordo com a Justiça Federal, destas 504 ações, foram realizados 494 acordos. Restaram, portanto, dez processos. Destes, em seis demandas foi necessária a expedição de mandado de desocupação. Eventuais novas desocupações dependem do ajuizamento de novas ações pelo Dnit.

Contagem regressiva e orientações

A nova ponte do Guaíba está entre as obras mais importantes do País em execução pelo Dnit. Em manifestação recente, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que “a contagem é regressiva para a liberação do tráfego.” Quando começar, serão feitas mudanças significativas na configuração do tráfego no entorno da nova estrutura e também para acessar a travessia antiga. O Dnit informa que elabora operação para orientar motoristas ainda durante as obras. E esse plano deve ser divulgado e entrar em funcionamento em aproximadamente 15 dias.

*Colaborou: Débora Ertel


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