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Opinião Arlete Biasibetti

Mais chucrute, menos sushi

Adoro sushi e sashimi, mas a região não pode prescindir de sua identidade

Por Arlete Biasibetti
Última atualização: 09.10.2019 às 10:05

Calma, antes de me apontar hashis, te convido a ler além do título.

No fim de semana, conheci a Lagoa da Harmonia, em Teutônia. Enquanto me aproximava daquele local, no Vale do Taquari, que traz na paisagem e nos sobrenomes o DNA germânico, fui fazendo uma analogia com o Vale do Sinos.

Assim como aqui, o que faz com que a lagoa seja ponto de destino para eventos, descanso de fim de semana, pesca, banho de sol, almoços... é o capricho e a estrutura para receber bem. A paisagem ajuda, mas a mão humana construiu casas em estilo enxaimel para acomodar quem ali quiser se hospedar. Tem banheiro público, churrasqueiras, espaço com sombra, grama, restaurante e uma vista de encher os olhos, e, principalmente, a alma. Para além da beleza, é como um oásis que traz a paz de que precisamos para nos revigorar após jornadas estressantes.

E oásis assim temos de montão por aqui. Há os sítios de Lomba Grande, o Parcão, o Núcleo de Casas Enxaimel de Ivoti, parques e praças em Estância Velha, Campo Bom, Dois Irmãos...

Subindo a estrada que leva à Lagoa da Harmonia, também foi inevitável pensar no Morro Ferrabraz, em Sapiranga, cujo acesso está sendo asfaltado.

O que encanta nesses passeios não é apenas o destino final, mas o que se vê pelo caminho: o pequeno produtor que vende ovos caipiras, queijos, sucos, verduras, aipim descascado, que transforma o que produz e invoca o desenvolvimento, cativando pela simplicidade e pelo paladar. Um ciclo que desenvolve o meio rural e cria desenvolvimento.

A reflexão sobre isso traz outra constatação. Quantos lugares temos no Vale, berço da colonização alemã, para apreciar a gastronomia germânica como Eisbein (joelho de porco), Wurst (salsicha), Sauerkraut (chucrute) e uma gostosa Apfelstrudel (torta de maçã)?

Em Novo Hamburgo e São Leopoldo (cidade onde aportaram os primeiros imigrantes, em 1824), acredito que posso afirmar, sem medo de errar, que há mais restaurantes da culinária japonesa que alemã. Adoro sushi e sashimi, mas a região não pode prescindir de investir em sua identidade. Tem que investir e anunciar para o mundo que aqui temos história e podemos alimentar esse conhecimento também à mesa. Além do calçado, é a lugares como esses que gosto de levar parentes e amigos que vêm nos visitar.

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