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Opinião Opinião

O muro caiu

Por Marina Mentz
Última atualização: 08.11.2019 às 13:28

Imagine o seu mundo mudando do dia para a noite. Mudando completamente em costumes, leis, permissões, direitos, consumos. Tudo. Deve ter sido extremo o sentimento de mudança quando foi derrubado, há trinta anos, o Muro de Berlim. A barreira física servia para dividir - dos olhos às práticas - as vidas naquele pedaço de chão na Alemanha. A Alemanha Oriental, socialista, e Berlim Ocidental, capitalista. O lado leste e o lado oeste. O resumo do momento em que habitava naquele país o Berliner Mauer. Havia o muro e com ele outras medidas de contenção, tais como guardas orientados a atirar para matar e cães em vigia constante. Tudo no caso de alguém tentar passar de um lado para o outro. 

O muro não só repartia a capital alemã em duas, mas também fazia da parte ocidental uma ilha na própria Alemanha. Os mais de 150 quilômetros que cercavam parte capitalista serviam para barrar a entrada de quem fugia do pedaço Oriental.

Os ganhos sociais e históricos da queda do muro são indiscutíveis. Estamos fechados nisso. Mas o que questiono aqui é a vida que muda de ontem pra hoje. Os ares que sopram como outros de hora pra diante. Como quando o clima vira, e aquela cor do céu passa a ser outra em questão de minutos. Já ouvi entrevistas onde pessoas que viveram naquela chamada velha Alemanha contam como foi passar a viver em um novo mundo com tudo no alcance das mãos, e assim, pouco a pouco, perder do campo de visão aquilo tudo que lhe era comum e familiar.

Dizem que, pelo pouco ou nenhum poder de consumo, naquele contexto muito era passado de um para outro. Ouvi o exemplo de um par de sapatos infantis, que, apesar de usado, ainda estava em boas condições para ser de outra pessoa, e assim costumava ser colocado na beira da calçada para ser adotado por alguém. Diferente do que acontece em alguns países, onde também são dispensadas à beira da rua aquelas coisas que não se quer mais, lá era por se entender que poderiam servir a alguém outro, e não por se ter comprado novas que as substituíram.

Todos que ouvi dizem reconhecer absolutamente a importância da queda do muro e a liberdade que veio com ela. Poder ir e vir, visitar familiares e conhecer outros mundos. Mas, apesar disso, é com nostalgia que falam de um cenário e costumes que hoje vivem apenas em lembranças.

 

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