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Opinião

Era do desassossego

Por Luiz Coronel
Última atualização: 25.01.2020 às 09:00

Vivemos o aflito ciclo intermediário entre duas fases da história. A era da informática não pediu licença nem esclareceu seus princípios. Instalou-se nas salas do mundo e chegou aos currais. Ela é dona da bola, das camisetas e aluga o campinho. Eu chamaria de "era do desassossego". Buscamos atravessar o riacho sobre tábuas flutuantes. No caso brasileiro, somos um país continente, ocupado por descontentes.

O Universo

São cerca de seis trilhões de galáxias. O sol é uma estrela de 14ª grandeza. Somos pó de pirlimpimpim ante a dimensão do universo. Flunfa no umbigo de Deus, caspa nas asas de um arcanjo. No entanto, talvez só na Terra, pela combinação dos elementos químicos, tenha surgido flora e fauna tal conhecemos e nos maravilhamos. É provável que no resto do universo existam, como forma de vida, tão somente bactérias, ou então, formas de vida que a mais doida ficção não alcance imaginar.

O barquinho de Iemanjá

Revendo amores, tendo a espuma das ondas aos meus pés, caminho pela vastidão de nossas praias. No amor, sempre temos frágeis triunfos e acachapantes derrotas. Na maré do tempo, risos e lágrimas se confundem e lentamente se desfazem. Nossas memórias lembram aqueles barquinhos coloridos, portadores de fé e louvor à Iemanjá. Eles são lançados ao mar pelos fiéis na virada do ano, no início de fevereiro. No rumo das ondas navega o barquinho à deriva até regressar com o mastro tombado e as flores murchas a uma praia distante e vazia. Assim, também, nossas lembranças antigas. São barquinhos para Iemanjá.

Estátua da Liberdade I

Começamos bem 2020. Se para início de celebração do Ano Novo incendiamos a Estátua da Liberdade, acho que chegaremos até dezembro tocando fogo nos Dez Mandamentos, esculpidos por Moisés.

Estátua da Liberdade II

Fernando Nogueira Pessoa, poeta maior das letras luso-contemporâneas, lá pelas tantas foi redator de publicidade. E criou uma campanha muito esquisita para a Coca-Cola, recentemente descendo, goelas abaixo, nas gargantas lisboetas. O texto dizia: "Coca-Cola, primeiro estranha-se. Depois entranha-se". É mais ou menos assim que eu sinto essa estranha Estátua da Liberdade, erguida frente a uma grande loja de varejo, nos pagos do Rio Grande. Que os olhos humanos contemplem embevecidos e os cavalos não se assustem.


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