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Opinião Opinião

Fazer nada

Por Osvino Toillier
Última atualização: 23.01.2020 às 21:00

Rubem Alves é dessas pessoas que não morre jamais. Tive o privilégio de ouvi-lo diversas vezes e o recebi em nossa casa em Novo Hamburgo, no famoso Simpósio de Educação Infantil. Ele tem uma capacidade incrível de contar estórias ou refletir sobre temas profundos, extraindo lições de sabedoria da realidade.

Certa vez, se surpreende no amanhecer, ao apreciar os ipês florescendo: "E não existe coisa mais linda que uma copa de ipê contra o céu azul. Cessam todos os pensamentos ansiosos, e a gente fica possuído por pura gratidão de que a vida seja tão generosa em coisas belas. Não há nada que eu deva fazer.

Qualquer ação minha seria supérflua. Pois como poderia eu melhorar o que já é perfeito?

Observando a beleza dos ipês, Rubem evoca o místico medieval Ângelus Silésius, que dizia que as flores não têm porquês; florescem porque florescem.E continua: "Pensei que seria bom se também nós fôssemos como as plantas, que nossas ações fossem um puro transbordar de vitalidade, uma pura explosão de beleza que cresceu por dentro e não mais por ser guardada. Sem razões, por puro prazer.

"E vós - prossegue - para quem a vida é trabalho e inquietação furiosos - não estais por demais cansados de viver? Não estais prontos para a pregação da morte?

Todos vós [...] achais por demais pesado suportar a vós mesmos; vossa atividade é uma fuga, um desejo de vos esquecerdes de vós mesmos. Não tendes conteúdo suficiente em vós mesmos para esperar - e nem mesmo para o ócio" (Nietzsche).

E Rubem arremata: "Certos estão os taoístas: a felicidade suprema é [...] fazer nada. Porque só podem se entregar às delícias da contemplação aqueles que fizeram as pazes com a vida e não se esqueceram dos seus próprios desejos".

 


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