Publicidade
Opinião Opinião

Reclamismo

Por Marina Mentz
Última atualização: 24.01.2020 às 05:00

Às vezes eu fico pensando até onde estamos interessados em resolver alguma coisa efetivamente. A energia do "reclamismo" é forte e contagiosa, mas pouco mobilizadora. Reconheça: reclamar é tão confortável, mas confrontar dá um trabalhão, né? O acesso a informações, direitos e caminhos nem sempre é tão claro e explícito para todos, mas quando algo não anda bem, tendemos a pedir por uma melhora. Porém, a maneira como esse desejo acontece é que será o objeto deste texto aqui.

Quando falta luz no poste da sua rua, quando há um buraco na via, quando acontece um acidente de carro ou, ainda, quando há uma pessoa passando mal na rua. Tudo isso tem em comum algo bem delicado que é a vontade de resolver. Mas, de novo, até onde estamos interessados em resolver alguma coisa efetivamente. Contamos pra um ou outro, mandamos as fotos do fato nos grupos pelo celular e, por vezes, até publicamos em redes sociais (sem a autorização dos que estão evolvidos, claro) para ganhar vários likes, mas - e aí vem a cereja do bolo - não contatamos quem poderia realmente resolver a situação. Distribuidoras de energia elétrica, prefeitura, polícia ou, ainda, serviço de saúde, respectivamente, para os exemplos anteriores.

O quanto queremos resolver o quanto queremos dizer que resolvemos? O quanto queremos resolver e o quanto queremos apenas exercitar o substantivo que eu acabei de inventar: reclamismo. Repare que o sufixo "ismo", que exprime a ideia de doença em algumas aplicações linguísticas, até combina para o que quero dizer aqui.

Nem sempre é obrigação de toda e qualquer pessoa saber quem ela deve procurar em situações de problemas a serem resolvidos. Mas é pra isso que existe poder público, por exemplo: para atender o cidadão e orientá-lo em sua questão a ser ajustada. Não é feio perguntar por onde ir, para onde andar. O que não dá é pegar uma estrada no rumo das fofocas, disse-me-disse e telefone sem fio interminável.

Dizer que há uma cesta de lixo boiando no valão ou passar adiante a conversa que seu vizinho está lavando a calçada  com mais água do que deveria não vai limpar o valão e nem conservar a água dos reservatórios em dias de estiagem.

Conscientização tem que ser a palavra importante aqui. Tanto para buscar os caminhos certos para resolver os problemas, quanto para evitar que eles aconteçam. 

 


Quer receber notícias como esta e muitas outras diretamente em seu e-mail? Clique aqui e inscreva-se gratuitamente na nossa newsletter.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.