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Opinião

E a história local?

Por Jauri Belmonte
Última atualização: 14.02.2020 às 14:59

Primeiro, quero agradecer à Marina Mentz por me ceder o espaço da coluna semanal dela. Prometo tentar substituí-la à altura. Bom, convido-lhe a refletir um pouco. Gosto de história e gosto de conhecê-la. Melhor ainda quando uso meu tempo livre para afundar meu rosto em livros ou jornais antigos, isso me faz bem. Acredito que no momento em que conhecemos o passado, compreendemos melhor o presente e, quem sabe, entendemos o que pode acontecer em nosso nicho. Isso nos motiva a valorizar as pequenas coisas. São fragmentos que, de alguma maneira, ficam em nossa retina. Acho que isso é legado da nossa criação e, claro, do interesse de cada um. Isso também se soma ao fato da minha família, por exemplo, ter trazido sempre histórias sobre o Vale do Paranhana e sobre a cidade na qual nasci, Taquara. Professores também contribuíram muito para que o meu bairrismo latente despertasse. Ver anotações do século passado ou fotos que comprovam que um simples campo, hoje, dá lugar a uma rua movimentada ou até mesmo a uma rodovia. Sem contar as histórias ouvidas sobre pessoas e famílias que contribuíram para o desenvolvimento da região. É fantástico.

Mas há momentos em que meu encanto por tudo isso perde espaço para a lamúria. Por que muita gente trata a história e a cultura locais como algo jocoso e sem importância? Sei que precisamos respeitar o que cada um pensa, mas acho que todo mundo perde um pouco de si quando vira as costas para o legado da sua aldeia. Isso ficou latente certo dia quando cheguei à Biblioteca Professor Rodolfo Dietschi, em Taquara. Ao folhear um dos três volumes que integram o acervo em que a história de Taquara e suas raízes é contada, vejo que tudo é contado minuciosamente. Inclusive os vários territórios pertencentes ao município taquarense e que hoje são cidades sólidas em seus respectivos contextos socioecnômicos, como Igrejinha, Rolante e Gramado. Em meio às páginas de uma pequena parte da história, a trajetória do Quilombo do Paredão; a importância de Tristão José Monteiro, colonizador do Paranhana; bem como a função expoente dos primeiros imigrantes alemães no processo de colonização das várias microrregiões, onde deixaram legados agrícolas e arquitetônicos. Tudo isso conectando passado e presente. Porém, um acervo poucas vezes consultado, conforme relatou a bibliotecária. Por quê? Concomitante ao desinteresse, prédios antigos e casarões vão perdendo a forma para o tempo. Histórias sendo apagadas e esquecidas. E aí, eu pergunto: e a história local, como fica?


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