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O isolamento físicoe a desunião moral

Por Vinícius Bondan
Última atualização: 26.03.2020 às 08:00

Estamos diante do maior desafio de nosso tempo. Talvez nenhum evento desde as Grandes Guerras tenha produzido tamanha perplexidade e incerteza como a epidemia do novo coronavírus. Palavras como lockdown, quarentena e pandemia, de uma hora para outra, passaram da ficção para o nosso cotidiano, e nem vimos ao certo quando isso aconteceu.

Você pode até pensar que, por ser jovem ou saudável, a epidemia não apresenta nenhum risco direto a você, mas não pode ignorar que ela apresenta enormes riscos para todos nós enquanto grupo de indivíduos.

Então, se sabemos que o novo vírus apresenta taxas de mortalidade relativamente baixas e que há cuidados básicos de higiene e distanciamento social capazes de frear o contágio, por que a epidemia está impondo pelo Mundo todo drásticas medidas de isolamento?

Uma das explicações é que, embora tenhamos enfrentado algumas pandemias ao longo dos últimos 100 anos, a velocidade de propagação do novo vírus parece não encontrar precedentes. Em apenas três meses a epidemia atravessou o Planeta e hoje está disseminada em quase todos os cantos do globo. Durante o caminho, jogou países desenvolvidos em crise humanitária, superlotando sistemas de saúde com uma legião de doentes, infectados simultaneamente.

Entretanto, há outro desafio que se apresenta ao Brasil, maior que o próprio vírus e a doença que ele causa. Outra contaminação que há algum tempo segrega nossa sociedade e, como uma comorbidade, nos inclui em grupos de risco pela nossa debilidade: o obscurantismo. O obscurantismo quer contaminar o coletivo e adoecer nossa capacidade de lidar de forma racional com os principais temas de nosso tempo. Por isso, encontrar saídas para a atual crise, mais do que nunca, demandará que cooperemos enquanto seres humanos e não nos contaminemos pelo obscurantismo. O que precisamos nessa hora e de conhecimento, pois na esterilidade incrédula residem as grandes probabilidades de derrota.

Assim como o novo vírus, alguns dos principais propagadores do obscurantismo estão em importantes posições de liderança em nossa sociedade. A diferença é que para eles o obscurantismo é uma doença desejável porque viabiliza a implantação de sua agenda incompatível com o conhecimento e a lucidez da sociedade. Se é que o novo vírus, em determinada medida, também não serve a essa mesma agenda.

Enfim, no prefácio dessa história decisiva, há dois importantes paradoxos. A caminhada, lado a lado, de isolamento físico e cooperação moral como medidas de enfrentamento da epidemia e a desesperadora constatação de que algumas das principais lideranças só nos têm a oferecer aquilo de que se constituem e em cima do que constroem sua agenda política: a desunião, não no preventivo sentido físico, mas sim no desastroso sentido moral.

 


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