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Passada a primeira semana de quarentena...

Em apenas uma semana já chegamos a uma insatisfação de empresários e parte da população com medidas restritivas

Por Guilherme Schmidt
Última atualização: 27.03.2020 às 13:15

Esta semana que se encerra foi marcada pela entrada em vigor, de fato, dos decretos municipais e do Estado, com medidas fortes para a contenção do avanço do coronavírus que provocaram verdadeira reviravolta na vida de milhares de pessoas. Em São Leopoldo, a fiscalização atuou com rigor no cumprimento das regras de restrições. Teve fechamento total de estabelecimentos, limitação de acessos e de público e exigências de higienização. Foi uma semana complicada. O novo (e até esperado) capítulo é o das implicações econômicas das restrições, do isolamento. Setores empresariais estão alertando para colapso caso não sejam tomadas, nos próximos dias, medidas concretas para retomada de atividades econômicas. O governador Eduardo Leite já sinalizou resposta negativa ao movimento, mas a pressão está posta e alguns prefeitos (poucos, até agora, mas isso pode mudar) já estão repensando medidas. E nesta sexta-feira eclodiram carreatas pela região metropolitana. Em todos os municípios, comerciantes se organizam em protesto pela reabertura de seus negócios, inicialmente parcial e na sequência total, até a segunda quinzena de abril. Isso para todas as atividades econômicas. Momento delicado e que pode resultar em uma forte queda de braço na sociedade brasileira. E, convenhamos, não era o momento. O que mais se necessita agora é a união e o apoio de todos para evitar o pior na saúde e, de forma mais consciente, na economia. 

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Religiosidade com responsabilidade

Embora o presidente Bolsonaro tenha incluído atividades religiosas em lista de serviços essenciais, liberando-os para voltar à normalidade, a Diocese de Novo Hamburgo optou prudentemente por manter quarentena anunciada até 3 de abril. Uma atitude elogiável nestes tempos em que a fé é necessária, mas que as aglomerações não o são.  

Missas no Face

Segundo o bispo Dom Zeno Hastenteufel, haverá debate sobre o assunto em breve, mas, até lá, no final da outra semana, a orientação se mantém. “Temos que garantir que idosos fiquem em casa e padres idosos também.” As missas estão sendo transmitidas ao vivo pelo Facebook.

Talvez a Igreja já tenha que ir pensando em prorrogar esta "quarentena". Apesar do conforto espiritual das reuniões nas igrejas, juntar muitas pessoas em local fechado - lembrando que as igrejas têm muitos fiéis idosos - não é adequado para este momento de recolhimento.  

Movimento cresceu

Depois de leve aumento na quarta (logo após discurso do presidente Bolsonaro de se voltar à normalidade), o movimento nas ruas foi um pouco maior na quinta-feira, apesar do comércio seguir fechado. Na Rua Independência, no Centro de São Leopoldo, já tinha mais veículos e pessoas. Nesta sexta-feira isso se manteve.

Muitos idosos nas ruas

Mas um movimento em especial chama a atenção: boa parte dos pedestres eram idosos. Exatamente quem deveria estar mais resguardado nesta época de covid-19. O jornalista leopoldense Cláudio Brito chama a atenção que este movimento pode ter como causa o horário especial de mercados para idosos que é pela manhã - ou seja, as pessoas de mais idade estão buscando se abastecer nestas primeiras horas da manhã. Além disso, Brito destaca a busca de atendimento nas farmácias, lembrando que no Centro de São Leopoldo se tem praticamente uma a cada quadra.

Trem esvaziando

Uma semana assustadora para a Trensurb. De segunda-feira para terça foram 5 mil passageiros a menos (caiu de cerca de 34,9 mil para 29,2 mil) e da terça para quarta menos 1,3 mil (caindo a 27,9 mil) - ontem, quinta-feira, a média ficou "estabilizada" na casa de 27 mil. A média que era de mais de 150 mil passagens comercializadas nos dias úteis no início de março caiu para menos de 30 mil nesta semana. As perdas de receitas serão inevitáveis. Fazendo um cálculo simplista do preço da passagem multiplicado pelo número de usuários, a arrecadação em dias úteis caiu de mais de R$ 600 mil para baixo de R$ 115 mil. A pergunta é no que isso vai resultar. Aumento futuro no valor das passagens parece algo inevitável, o que até poderia esvaziar ainda mais o uso do trem.

E a gasolina

Se tem uma notícia boa neste dias é a redução do preço da gasolina. Nesta sexta-feira teve posto vendendo o litro a R$ 3,99 em Novo Hamburgo. Em São Leopoldo o preço já caiu para R$ 4,04, valor médio praticado nas duas cidades do Vale do Sinos. O valor é o mais baixo que o praticado na época da greve dos caminhoneiros, há quase dois anos.


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