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Cartão vermelho

Por Cláudio Brito
Publicado em: 15.09.2020 às 17:12


Como se fosse um árbitro rigoroso e disciplinador, o presidente Bolsonaro avisou que usará o cartão vermelho com quem se atrever a falar em congelamento das aposentadorias e valores de outros benefícios previdenciários. Recado direto ao ministro Paulo Guedes e sua equipe, que nos últimos dias anunciavam proposta de impedimento aos reajustes da remuneração de aposentados e pensionistas por dois anos, para que restassem recursos que financiariam o programa Renda Brasil, em criação para ser sucedâneo ao Bolsa Família. O presidente anunciou que o programa de assistência aos carentes, criado nos governos petistas, será mantido pelo menos até o fim de 2022. Talvez o tema acabe servindo de conteúdo às ideias que irá defender em sua provável campanha à reeleição. Só que, agora, nem pensar. Waldery Rodrigues Júnior, que é o Secretário da Fazenda no time de Paulo Guedes, foi quem se acelerou. Anunciou com clareza que os valores recebidos pelos aposentados seriam mantidos imutáveis por dois anos. Deve receber o cartão que, no futebol, significa uma expulsão.

Não se diga que Waldery seja um despreparado. É economista do Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - e graduado em engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Sua carreira acadêmica avançou ao mestrado pela Universidade de Michigan. É Mestre e Doutor em Economia pela Universidade de Brasília. O fim do Bolsa Família e o congelamento da remuneração dos segurados da Pevidência não terão saído exclusivamente das cogitações de Waldery, mas foram resultado de reuniões e projetos de uma equipe, que o Ministro Guedes comanda. Todos advertidos pelas redes sociais, em vídeo postado por Bolsonaro. Serão claramente cobrados e quem for teimoso e recalcitrante vai dançar. O episódio fez Paulo Guedes cancelar outras pautas e uma viagem, mantendo-se em Brasília para participar da repercussão do acontecido.

Bolsonaro também desautorizou novas exigências para concessão do Benefício de Prestação Continuada, o BPC, pago a idosos e pessoas com deficiência pobres. Haveria um projeto de aperto nas regras para que as pessoas se habilitassem a esses recursos e o presidente já incluiu sua contrariedade à ideia.

Na avaliação presidencial, o congelamento ou a redução de benefícios representariam um devaneio a ser respondido com o cartão vermelho. E assegurou que nem mais se deve falar em Renda Brasil, pelo menos até o fim de seu governo.

Resta-nos conferir os desdobramentos para verificarmos, afinal, de onde virão os recursos necessários à manutenção e fortalecimento do Bolsa Família e do que venha a suceder os socorros emergenciais que a pandemia ensejou.


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