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Para conseguir troca de receita, pacientes têm que madrugar na fila

Na UBS Canudos, hamburguenses ficam ao relento, no frio, para ter acesso à saúde

O dia ainda nem começou. Nas ruas, os comércios estão fechados. Só meia dúzia de veículos circula pelos bairros. O relógio marca 6h13. O termômetro, em torno de 11 graus. Mas na Unidade Básica de Saúde (UBS) Canudos, em Novo Hamburgo, a movimentação já é grande. São cerca de 30 pessoas na fila. O posto só abre às 7 horas e tem gente que chegou lá antes das 5 horas. De segunda a sexta-feira, faça chuva ou sol, no calor ou no frio, com ou sem cerração, a cena se repete. E o motivo? A retirada de fichas para agendar uma consulta com o objetivo de renovar a receita de medicamento de uso contínuo. Em Novo Hamburgo, não é possível retirar o papel sem passar por esse processo. Por isso, a reportagem do Jornal NH acompanhou, na manhã da última terça-feira, a saga de quem precisa enfrentar essa fila.

E o tempo foi passando. Agora já são 6h47. Outros pacientes chegaram. A aglomeração de usuários que se iniciou na Rua Sílvio Gilberto Christmann dobra a esquina e chega até a Rua Édison. Cinquenta, 60, 70 pessoas. "Eu já vim ontem e semana passada também. Não consegui. É sempre assim. Tem remédios que eu tomo desde os meus 26 anos. Será que não tem como dar a receita por mais tempo?", questiona a doméstica aposentada Maria de Lourdes de Souza, 70 anos. Na terça-feira, em sua terceira tentativa, a idosa conseguiu pegar uma das senhas. Ela utiliza medicamentos para o coração, cabeça e pressão arterial.

Quem chegou ainda mais cedo foi o construtor aposentado Adão Homem, 67. Primeiro da fila, às 4h50 ele estava lá. Também já tinha feito outras tentativas e na terça-feira não quis perder a viagem. "Vim pegar as medicações para a minha esposa, porque ela não consegue enxergar e não teria como caminhar até aqui. Ela precisa de remédios para pressão, colesterol, entre outros", explica. No dia anterior, Adão estava no local por volta das 6h15 e não conseguiu mais atendimento. Já na terça-feira, foram 40 fichas distribuídas, que terminaram às 7h11, fazendo dezenas de moradores retornarem para suas casas sem o agendamento.

Foto por: Juarez Machado/GES
Descrição da foto: Tamanho da fila foi crescendo durante a manhã

Piorou

Só que nem sempre foi assim. Os percalços já eram menores para quem precisava renovar as receitas médicas. Antes, o paciente se dirigia em qualquer horário até o posto com a receita anterior e solicitava a próxima. Só retornava no dia marcado para resgatar a receita nova. "Eu vinha de dois em dois meses e agora estão pedindo para retirar de 30 em 30 dias. Só piora para a gente", descreve o industriário Neldo Friske, 48 anos.

Reclamações na fila do posto de saúde

Para a industriária aposentada Juraci Kleivitz, 72, a romaria ocorre de dois em dois meses. “Não tem jeito. Eu preciso pegar as receitas para meus remédios de pressão alta, depressão, cálcio... O problema é que a gente pode acabar tirando o lugar de quem está doente e precisa mesmo da consulta naquele dia”, comenta, acompanhada do guarda-noturno aposentado Olindo Stalter, que também estava na fila só para pegar a senha da troca da receita, mesma situação da maior parte dos usuários no local.

Com problemas na coluna e no joelho, o beneficiário do INSS Rudimar Viana, 58, já conhece a história e veio preparado – levou sua cadeira, posicionou-a na fila e aguardou sentado até receber a senha. “O pior é que passamos por tudo isso, depois vamos retirar o medicamento e corremos o risco de não ter disponível. Muitos, que são para doenças graves, volta e meia estão em falta. Os governos não têm mais respeito com a população”, lamenta.

Outra situação complicada é a da industriária aposentada Rosa Maria Farias, 53. Ela vai para a fila a cada dois meses para retirar os medicamentos da sua filha, que tem doenças neurológicas. “A gente vem, pega a ficha e marca a consulta. Da última vez, ficou para as 14 horas do mesmo dia. Só que, para complicar, eu tenho que voltar para casa e depois trazer ela junto. Sendo que é um medicamento de uso contínuo e o médico aqui é um clínico, não é um neurologista, então, de que adianta?”, comenta.

“É um absurdo”

Todos os meses, o calçadista aposentado José Alves, 62, percorre quatro quilômetros de bicicleta para chegar até a UBS. “Isso está tudo errado. Eles precisam melhorar esse atendimento”, pontua. Já a camareira Rosangela Strick, 54, resolveu utilizar o período de férias para encarar a fila. “Eu acho que é muito ruim, principalmente no inverno e quando está chovendo. Imagina os idosos parados aqui, é um absurdo”, diz.

O que diz a Fundação

A Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH) informa que, de acordo com a determinação da Instrução Normativa Vigente do Município de Novo Hamburgo, o paciente precisa comparecer em consulta médica para renovação de receita dentro de um determinado período e reavaliação médica. Em virtude de vigência do decreto 8572/2018, que determina algumas restrições e declara situação de emergência na saúde do Município, a assistência farmacêutica explica que decidiu alterar a periodicidade da dispensação de medicamentos para o tratamento de doenças crônicas nas farmácias e Dispensários Municipais. "A dispensação dos medicamentos de uso continuado que era bimestral, passou acontecer mensalmente", diz, em nota. A mudança começou a valer a partir do dia 6 de março deste ano. A FSNH reitera que é fundamental a presença do paciente na renovação de sua receita.

Agendamentos e filas

A Fundação descreve que o agendamento para o usuário, nas UBSs, é feito por ordem de chegada, dentro dos limites dos números de consultas médicas disponíveis. Com o excedente, a instituição destaca que a recomendação é que se faça acolhimento da demanda espontânea, com classificação de risco para definir as necessidades de cuidado. Antes da abertura da unidade, a fila é única e após a abertura a população é orientada conforme sua demanda, como vacinas, consulta do dia, verificação de sinais, entre outros. "O paciente, apresentando queixa, é encaminhado para ambulatório para realizar a avaliação de risco", destaca.

A FSNH pontua que o agendamento dos pacientes com prioridades respeita a legislação vigente, no caso de idosos e pessoas com deficiência, por exemplo. Já as ações programáticas como puericultura e pré-natal, entre outros, são marcadas diretamente na recepção da unidade, a qualquer horário do dia. Nas unidades de Estratégias de Saúde da Família do Município, a distribuição de fichas acontece apenas para organização de demanda, pois se trabalha no modelo de acolhimento aberto da demanda espontânea, conforme a necessidade do paciente.

Segundo a Fundação, a UBS Canudos é a maior de Novo Hamburgo, com equipe médica composta de oito clínicos, seis pediatras e três ginecologistas. São feitos atendimentos em geral para aproximadamente 450 pacientes por dia, com uma média de 60 fichas/dia.


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