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Modos de ser e estar

Arte para respirar

Nesta época, de tempos difíceis, onde a primavera começa a acenar com seus ipês coloridos, é a arte que me faz respirar melhor e seguir resistindo. .

Sempre nesta época do ano ganho fôlego frequentando ao Porto Alegre em Cena que é um Festival Internacional de Artes Cênicas que ocorre na sua 25° edição. Os espetáculos são nacionais e internacionais e, geralmente, muito bons. É possível apostar e comprar ingressos para uma peça de teatro ou um show que não se tenha conhecimento dos artistas ou que não deu tempo de pesquisar a respeito e ter uma chance muito pequena de se frustrar. O que acontece em virtude da qualidade dos espetáculos sejam eles grandes ou pequenas produções.
O Poa em Cena tem, a cada ano, se afirmado como um dos principais eventos teatrais do mundo. Nas suas edições anteriores, sempre com preços acessíveis, houveram espetáculos dirigidos por Antunes Filho, Ariane Mnouchkine (MARAVILHOSA!), José Celso Martinez Corrêa, Peter Brook, Bob Wilson, Pina Bausch, entre outros que fizeram e fazem o evento ser referência internacional.
Presenciei algumas obras marcantes, como foi assistir ao espetáculo de Pina Bausch, com sua presença que, ao final, recebeu seu buquê de flores e aplausos ensurdecedores pela admiração da plateia e reconhecimento da dimensão de sua obra. Este episódio assinalou minha existência, pois foi justamente no momento em que pesquisava para o mestrado em Psicologia Social os possíveis encontros entre a produção de subjetividade contemporânea e a dança-teatro da artista. Constituiu-se como parte da minha elaboração enquanto mulher, mãe, psicóloga e cidadã que não vive sem arte (alguém vive?).
Nesta época, de tempos difíceis, onde a primavera começa a acenar com seus ipês coloridos, é a arte que me faz respirar melhor e seguir resistindo. Após ter saído outra, porém engasgada, do Teatro do Sesi, na semana passada, quando assisti Grande Sertões Veredas com direção de Bia Lessa e grandessíssimo elenco, não tive dúvida que o ser humano se produz esteticamente em um infindável reinventar-se, tal como a arte.

Arma de fogo traz segurança?

Minha prática diária com a segurança pública me faz estudar e analisar com maior acuidade certos temas polêmicos relacionados à área como, por exemplo, o desarmamento. .

Minha prática diária com a segurança pública me faz estudar e analisar com maior acuidade certos temas polêmicos relacionados à área como, por exemplo, o desarmamento. São diversas as opiniões e é preciso que, neste momento de campanha eleitoral, sejam buscadas informações fidedignas para votar de maneira consciente, principalmente quando se trata de assuntos tão caros à manutenção da democracia, da paz e da vida.

Há uma tendência de posicionamento que sugere que todos os cidadãos se armem em sua própria defesa, como se isso não tivesse nada a ver com o estado e com a gestão das políticas de segurança. Ou seja, como se a opção de ter uma arma fosse uma decisão e uma responsabilidade individual. É muito perigoso pensar numa proposta assim, que traria certamente, mais insegurança e não o contrário, como aponta a pesquisadora Ilona Szabó, especialista em segurança pública e diretora executiva do Instituto Igarapé, uma instituição sem fins lucrativos, independente e apartidária. Armar cidadãos é se isentar da responsabilidade, sustenta Ilona no seu livro “Segurança pública para virar o jogo” que mostra um panorama dos principais desafios da segurança no país tentando responder, por exemplo, porque o Estado brasileiro não consegue proteger os cidadãos e, o quanto lemas como “bandido bom é bandido morto” colocam todos nós em risco.

Em um País onde 71,9% dos homicídios foram cometidos com arma de fogo, conforme o Atlas da Violência de 2017, sendo que a cada 1% no aumento da proliferação de armas de fogo representa o aumento de 2% da taxa de homicídio (Cerqueira, 2014), é inevitável chegar à conclusão de que quanto mais armas, mais violência. Ter sido vítima ou ter alguém conhecido que já foi não significa ter que se armar para se defender, mas eleger com prioridade a agenda da segurança pública com prevenção e entendimento da real complexidade da situação.

Psicologia faz a diferença

A Psicologia vem se tornando uma ciência cada vez mais plural e inclusiva fazendo um esforço constante para acolher as diversas formas de viver no mundo atualmente..

Hoje se comemora o dia da psicóloga e do psicólogo. Uma profissão que há 56 anos, no Brasil, vem contribuindo para que todas e todos sejam mais respeitados nos seus diferentes modos de ser, pensar e agir. A psicologia é um fazer que se re-faz constantemente, a cada nova leitura (de mundo também), novos estudos e novas formas de pensar, sem deixar de lado a bagagem que sustenta as práticas psicológicas mas que necessitam ser problematizadas a cada novo cenário social.

A Psicologia vem se tornando uma ciência cada vez mais plural e inclusiva fazendo um esforço constante para acolher as diversas formas de viver no mundo atualmente. Muitas práticas que antes não eram reconhecidas como trabalho de psicólogo, hoje são parte importante do nosso fazer dando maior visibilidade a grupos e populações pouco respeitadas.

O compromisso social que o ofício, cada vez mais, tem adquirido é fundamental para o reconhecimento de quais práticas estamos nos responsabilizando enquanto técnicos e estudiosos nos múltiplos assuntos que a Psicologia tem auxiliado para a construção da sociedade. Uma Psicologia que se volte à realidade brasileira é indispensável para que a democracia, dentro e fora da profissão, se estabeleça. Questão que é elementar para o respeito a todas e todos que trabalham, vivem, crescem e existem no mundo. Uma Psicologia diversificada para atender diferentes demandas, acolher as pessoas nos seus diversos modos de existir, de se subjetivar e de se tratar. Concebendo que todos nós necessitamos de uma ética que permita a afirmação da vida, com possibilidades de se exercitar como sujeitos políticos que somos a partir da forma como pensamos e nos comportamos. Sem esquecer que a vida nos provoca a se (re)inventar e se produzir constantemente. Uma tarefa pessoal intransferível mas que a Psicologia tem muito a contribuir.

Tempo que passa rápido

Em um mundo onde não nos permitimos parar, não fazer "nada" ou recusar ofertas de entretenimento tentadoras aos olhos do mercado, o tempo passa sem piedade..

Foi durante as férias de julho que Vicente, meu filho, perguntou: “mãe, porque o tempo passa tão rápido?” Entre a nossa casa e a moradia que compartilha com o pai, o menino divide seus dias. E foi na transição de um colo para o outro, diante do elevador, que a frase foi pronunciada.
Apesar de me interessar pelo tema e tendo-o estudado há muito, minha resposta não foi ágil o suficiente. Quando vimos, já estávamos no quarto andar. E a vida seguiu. Mas o questionamento não saiu de mim. Afinal, o que faz uma criança de 6 anos ter esta percepção? Será que as férias estavam passando rápido de mais? Ou elas permitiam uma desaceleração com a proposta de ficar em casa e juntinhos, enquanto o período com o pai já terminara? Queria ele fazer mais atividades ou era mesmo, com aquela chuva demorada, que Vico preferiu afofar o gato Téo no quentinho do sofá? Retomei e ele me disse: sinto isso todos os dias.
Quando o tempo (aquele da previsão) deu uma trégua, subimos a serra numa tentativa de nos delongar ainda mais. Apesar de estar a pouquíssimas quadras de um centro onde a pressa aumenta a velocidade de qualquer corpo (e alma), permanecemos um tanto retirados. Ficamos juntos, lemos, jogamos no celular e fora dele, nadamos, colhemos temperos, rimos, dormimos, brincamos, pulamos e fizemos malabarismos na cama sempre com um desejo de estar onde estávamos o que nos fez aproveitar cada segundo. E deixamos de realizar inúmeras outras atividades e passeios que o temporal, o nevoeiro e, principalmente as nossas vontades nos permitiram não fazer. Resistimos a excitação comercial e este foi nosso recesso.
O tempo, meu filho, vem passando cada vez mais rápido, sim. Em um mundo onde não nos permitimos parar, não fazer “nada” ou recusar ofertas de entretenimento tentadoras aos olhos do mercado, ele passa sem piedade. Saibamos decifrá-lo para que não nos engula.

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