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Sétima das Artes

Crítica: Como Treinar Seu Dragão 3

Final da trilogia da DreamWorks mantêm o espírito e a qualidade dos anteriores.

Como Treinar Seu Dragão é uma franquia como toda a franquia deveria ser. Produzida pelo departamento de animação da DreamWorks, teve seu primeiro capítulo lançado em 2010, época em que a rival Pixar dominava totalmente o mercado. O quase despretensioso título, porém, não só foi sucesso de bilheteria e crítica, mas demonstrou que a DreamWorks poderia ombrear com a Pixar em criatividade e técnica. 

O terceiro capítulo dessa saga que equilibra bem a emoção dos seus personagens com a aventura épica continua no mesmo nível. Tem ares de encerramento de trilogia, o que deixa tudo mais emotivo. Claro que possui algum sinal de desgaste (especialmente num humor um pouco repetitivo no decorrer da projeção), portanto o fim também, de certa forma, é bem-vindo. 

Como Treinar Seu Dragão 3 começa com o protagonista Soluço e seus amigos já entrados na adolescência libertando dragões e enchendo a sua vilazinha viking com eles. O surgimento de um caçador de dragões interessado em exterminar a raça dos fúrias-da-noite (espécie a qual pertence Banguela, o melhor amigo de Soluço) obriga a formação de uma jornada em busca do local originário dos dragões. 

O roteiro é simples e azeitado, e se baseia nas relações de afeto entre os personagens. Não só a amizade entre Soluço e Banguela, mas entre seus interesses românticos: a heroica Astrid no lado humano e a fúria-da-luz na contraparte "dracônica". Boa parte da trama gira em torno das fidelidades que cada vínculo exige. O aspecto sentimental é ressaltado pelos flashbacks com o pai de Soluço, Estoico. 

Se é a troca entre os personagens que mantêm a narrativa, as cenas de ação muito bem realizadas (mais uma vez) elevam o envolvimento do espectador com a obra. Divertidas e empolgantes (a primeira abre com um agitado plano-sequência), elas não soam gratuitas e estão sempre a favor de contar a história. Há um momento em especial emocionante no desfecho do clímax, que resume bem o conceito dos afetos que entram em conflito e como que eles podem coexistir em paz.  

Leve uns lencinhos de papel. Talvez seja necessário. 

Máquinas Mortais e Peter Jackson

Um panorama da carreira do cineasta nos últimos 15 anos, chegando à sua nova produção.

Há 15 anos atrás, no início de 2004, o mundo era de Peter Jackson. O cineasta neozelandês recém lançara a terceira parte da trilogia de O Senhor dos Anéis, O Retorno do Rei. Louvado pela crítica, o título arrecadaria mais de US$ 1 bilhão de dólares (US$ 1,119 bi, pra ser mais exato) mundo afora, sendo o segundo filme a ultrapassar essa marca na história. Em breve, O Retorno do Rei ainda seria honrado pela Academia ganhando todos os 11 Oscars aos quais fora indicado, tornando-se um dos maiores vencedores de todos os tempos. 

Jackson entrava no Olimpo de Hollywood. Dirigira, produzira e escrevera a trilogia que mudou paradigmas do cinema da época. Para os cinéfilos, passou a ocupar um lugar ao lado de outros titânicos mestres da fantasia, como Steven Spielberg, George Lucas e James Cameron.  

Porém, desde então, o diretor tem trilhado um caminho para baixo da colina. Desde esse ápice, seu poder (ou criativo, ou mercadológico, ou ambos) desce lenta, porém constantemente. Aquele prestígio obtido há uma década e meia tem sido frequentemente posto à prova.  

Logo após O Retorno do Rei, Jackson e seus colaboradores (nos quais se destacam a roteirista e produtora Fran Walsh e a roteirista Phillipa Boyens) mergulharam no projeto dos sonhos do cineasta: uma nova versão do clássico King Kong (de 1933, que já tinha sido refilmado em 1976). A nova obra parecia perfeita para dar continuidade ao reinado dos neozelandeses nas bilheterias da década passada. 

O Kong do diretor veio com força total ainda em 2005, quase a reboque da trilogia da Terra-Média. Apesar de amealhar mais três Oscars e da recepção muito favorável da crítica, por algum motivo o filme falhou em entrar no radar do público. Talvez a duração de três horas fosse excessiva, apesar das sequências espetaculares de ação. Ou ainda a palpável reverência de Jackson ao original não encontrasse eco além do público aficionado pelo King Kong de 1933. 

Com um estrondoso orçamento de mais de US$ 200 milhões, a fita fez US$ 550 milhões de bilheteria. É o bastante para ter alguma margem de lucro nos cálculos de Hollywood. Contudo, um tanto insuficiente para um cineasta que lançara há pouco uma trilogia que rendera cerca de US$ 3 bilhões. 

Em si, não seria um grande percalço. É comum um cineasta deste porte encarar reveses de bilheteria. Spielberg, por exemplo, amargou o fracasso da comédia 1941 - Uma Guerra Muito Louca logo depois da glória de Tubarão e Contatos Imediatos de Terceiro Grau. A comparação com o colega tem seu motivo: eles cruzarão caminhos em breve. 

Jackson retornaria à tela grande somente em 2009, ano em que ele viveu a dualidade de viabilizar um surpreendente projeto independente e fracassar de maneira amarga com uma produção mais pessoal.

Em agosto, chegava nas telas norte-americanas Distrito 9, coprodução entre África do Sul e Austrália. O filme era uma ideia do estreante em longas Neil Blomkamp e foi financiada por Jackson, que tirou US$ 30 milhões do próprio bolso. Misturando ficção-científica, linguagem de documentário e crítica social, Distrito 9 rendeu sete vezes mais do que seu investimento nos cinemas, ganhou plena aprovação da crítica e ainda recebeu quatro indicações ao Oscar.  

Em tudo contrário a Um Olhar do Paraíso, direção de Jackson lançada em dezembro daquele ano. Era um filme menor e mais intimista, para fugir um pouco da grandiloquência dos blockbusters anteriores. A primeira barreira foi a crítica, que de modo geral detestou a tentativa. A despeito de uma indicação ao Oscar, as bilheterias também responderam mal e a produção acabou no vermelho. 

Ao mesmo tempo em que fazia Um Olhar do Paraíso e agia como mecenas de Distrito 9, entretanto, o neozelandês trabalhava em duas franquias com grandes realizadores que tinham tudo para lhe fortalecer o crédito. É aqui que seu caminho e o de Steven Spielberg se encontram. É aqui, também, que ele vai colocar sob sua asa criativa (temporariamente) outro deus da fantasia, o mexicano Guillermo Del Toro. 

Com Spielberg, Jackson se dedica a uma nova trilogia. O projeto em questão era adaptar para o cinema as histórias em quadrinhos de Tintin, personagem criado pelo quadrinista belga Hergé e de quem Steven possuía os direitos há muito tempo. O veterano diretor planejava fazer filmes com técnicas de animação, e Jackson tinha ampla experiência com a técnica de motion capture. Nas suas obras anteriores, usara o recurso para dar vida a Gollum em O Senhor dos Anéis e ao próprio King Kong. 

Motion capture era a palavra da vez em Hollywood. A técnica permite que um ator, usando uma roupa especial, tenha seus movimentos e até expressões registradas digitalmente. Apesar de várias tentativas de filmes feitos com a técnica nos anos 2000, foi James Cameron com seu Avatar (2009) que deu o salto necessário: não só um resultado final verossímil, como o sucesso de bilheteria do tipo que aguça o interesse dos estúdios. 

No que tange a Tintin, o acerto entre Spielberg e Jackson abria o apetite dos fãs de aventura: Steven dirigiria o primeiro da leva, Jackson o segundo; o terceiro teria direção conjunta de ambos. As Aventuras de Tintin estreou em 2011 e, mesmo com boas resenhas na imprensa, não foi o estouro de bilheteria que se prometia pelos nomes envolvidos. Modestos US$ 374 milhões de bilheteria global foram o bastante para empatar os custos.

Desde então, a dupla afirma constantemente que os demais filmes com Tintin acontecerão. Mas até o momento, nem mesmo o roteiro da continuação está escrito. A má performance comercial pode ter sido um dos motivos. Outro fator que atrapalhou com certeza foram os problemas da outra franquia que Jackson desenvolvia (aquela com Guillermo del Toro). 

Era O Hobbit, que deu tempos infernais ao diretor. 

A produção já era suficientemente complicada com a falência da MGM (estúdio que detinha os direitos do livro), passando por problemas com a legislação trabalhista da Nova Zelândia, onde a nova aventura da Terra Média mais uma vez seria rodada. No fim, o festejado mexicano acabou sendo afastado do comando da franquia e Peter Jackson anunciou que tomaria seu lugar.

Oficialmente, del Toro se desligou por querer se dedicar a outros projetos -- e O Hobbit estava há anos tomando sua atenção exclusiva. Com Jackson no comando, o que seriam dois filmes viraram três. Lançada entre 2012 e 2014, a nova saga da Terra-Média fez quase a mesma bilheteria de O Senhor dos Anéis, próximo de US$ 3 bi. O orçamento, porém, foi muito maior: calcula-se algo perto de US$ 750 milhões para o trio de títulos. Muito mais do que o gasto para a trilogia original, que custou US$ 270. 

Apesar da animação de alguns fãs, a crítica foi morna. Jackson foi acusado de ser ganancioso ou, no mínimo, auto-indulgente em transformar um livro de 300 páginas em três filmes de mais de 2h30 cada. O pretenso salto tecnológico prometido com o uso de câmeras de alta velocidade, que filmavam com o dobro de quadros por segundo, não caiu nas graças da audiência. Ao contrário da influência de O Senhor dos Anéis, as três partes de O Hobbit hoje estão cada vez mais esquecidas.  

Informações mais recentes dão conta de que Jackson, na verdade, é um culpado menor. As empresas que financiavam o filme desconfiaram que a visão que Guillermo del Toro daria à história seria muito diferente daquela vista em O Senhor dos Anéis, e acharam que isso poderia comprometer a bilheteria. O mexicano deve ter sido demitido, enquanto que Jackson sofreu toda a pressão para assumir e deixar o produto familiar ao público. 

O resultado é de um diretor desinteressado, que aceitou a tarefa por obrigação. Uma das armas de convencimento usada pelos executivos foi ameaçar a retirada da produção da Nova Zelândia. Jackson se comprometeu a fazer a nova trilogia no país natal (mesmo que, a longo prazo, as mencionadas mudanças na legislação causaram problemas para os profissionais locais). 

Em pouco mais de dez anos, o cineasta colocou todo o seu capital como realizador para ser desgastado. Desde então, o único filme que dirigiu foi o documentário They Shall Not Grow Old ("Eles não envelhecerão", em tradução livre). Lançado ano passado no Reino Unido em celebração ao cem anos do fim da Primeira Guerra Mundial, a obra traz imagens de arquivo do período, colorizadas e sonorizadas pelo diretor. Jackson, neto de um combatente do conflito, diz que esse é seu trabalho mais pessoal. 

O que nos traz a Máquinas Mortais (2018), que estreia hoje. Além da produção, Jackson também assina o roteiro com suas colaboradoras usuais, Fran Walsh e Phillipa Boyens. Para a direção, outro colaborador de longa data, Christian Rivers (que estreia na função em longas). A produção adapta um livro de Phillipe Reeve e parece ter a intenção de colocar a Nova Zelândia de volta ao mapa dos blockbusters. 

Máquinas Mortais é tecnicamente impecável, com efeitos visuais excelentes. A própria presença de Jackson como roteirista e produtor garante isso. A história se ambienta num futuro remoto, onde as cidades se movem em grandes máquinas e estão em guerra entre si. A protagonista é Hester Shaw (Hera Hilmar), uma jovem com cicatrizes no rosto que busca se vingar do governante de Londres, Valentine (Hugo Weaving). 

O problema do filme é que seus elementos são muito genéricos e recorrentes. Lembra quase toda a adaptação recente de produtos literários para jovens adultos, de Jogos Vorazes a Harry Potter. No terceiro ato, as referências a Guerra nas Estrelas são tão escarradas que chegam a ser risíveis. Mesmo que a ação garanta o pique de matinê, está um tanto distante em tom do que o grande público deste fim de década almeja. 

Está na hora de Peter Jackson se reinventar, para não parecer um artista que perdeu todo o prestígio em equívocos. Talvez o documentário They Shall Not Grow Old seja o início de um novo caminho. Nós, público, queremos e torcemos. 

Crítica: As Viúvas

Uma boa combinação entre Viola Davis, o diretor de 12 Anos de Escravidão e a roteirista de Garota Exemplar.

O diretor Steve McQueen "oscarizou-se" há alguns anos com o excelente 12 Anos de Escravidão, e é comum que cineastas que vencem o prêmio façam seu próximo filme visando mais uma vez essa honraria. As Viúvas é um drama policial que percorre esse caminho. Para além dos diretor, possui um elenco de rostos conhecidos encabeçado pela também oscarizada Viola Davis, também contando com a roteirista Gillian Flynn, de Garota Exemplar

O resultado pode não ser espetacular, mas é um filme sólido e que dá gosto de assistir. A própria premissa é muito boa: um grupo de assaltantes profissionais de Chicago é morto enquanto roubava de um candidato a vereador. O político ameaça a viúva de um dos bandidos, Veronica (Viola Davis), a saldar a dívida. Para resolver a situação, a mulher recorre às demais viúvas dos assaltantes mortos. Como pano de fundo, as eleições da cidade colocam em lados opostos candidatos sem ética e envolvidos com crimes variados. 

Nas mãos de qualquer diretor, é provável que As Viúvas se entregasse ao thriller propriamente dito, usando as convenções de "filme de assalto". Mas McQueen é mais interessado no aspecto dramático, então os conflitos (muitas vezes internos) dos personagens são o foco central. Há também sopros de questões sociais -- que, se não são o destaque na tela, temperam muito bem o ambiente em que a obra se passa.

O trunfo é o tripé de protagonistas mulheres. Além de Davis, temos Michelle Rodriguez e Elizabeth Debicki. As dinâmicas entre o trio vão sendo construídas sem pressa, em busca de um aprofundamento maior. No início, o roteiro recorre a alguns estereótipos (Debicki é a "loira burra" e Rodriguez, a "latina forte"), mas aos poucos esses papéis vão se modificando e complexificando. O elenco de apoio ajuda muito nesse sentindo -- de Liam Neeson a Daniel Kaluuya, com destaque para o político vivido por Colin Farrel. 

O resultado final não é transcendente, mas é um drama (com momentos de suspense) que faz o espectador sentir-se recompensando pelo tempo investido. Se vai ser indicado a algum Oscar eu não sei, mas certamente é uma sessão das boas. 

Crítica: Robin Hood - A Origem

Apesar de divertido, novo filme sobre o herói clássico não decola.

Filmes sobre o herói folclórico medieval Robin Hood são comuns na história do cinema. A bem dizer, cada época costuma ter a "sua" versão. A mais importante, provavelmente, é As Aventuras de Robin Hood (1938), rodado num extravagante Technicolor por Michael Curtiz e tendo como protagonista perfeito Errol Flynn. 

Este Robin Hood - A Origem, portanto, é a versão 2018 da lenda e se pretende a ser uma história de origem. O que não deixa de ser estranho, já que a última (e fracassada) encarnação do personagem (de 2010, com Russel Crowe no papel e Ridley Scott na direção) mirava exatamente no mesmo apelo. 

Duplamente estranho, na verdade, é o fato de que todo o filme de Robin Hood ser uma história de origem. Aliás, costumam ser o arco completo do personagem: durante as Cruzadas, o nobre Robin de Loxley não concorda com as ações arbitrárias da nobreza durante a ausência do rei Ricardo Coração de Leão. Proclamado fora-da-lei, Robin se instala com outros perseguidos na Floresta de Sharewood, roubando dos ricos para dar aos pobres, até o confronto final com seus algozes e retorno do rei Ricardo -- a última vez que a lenda foi bem contada nas telas foi no pequeno clássico Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões (1991). 

Mas vamos a esta produção de 2018. A diferença para suas antecessoras é que o roteiro se apega menos aos aspectos lendários e tenta mudar os principais personagens para parecer estar "modernizado" o conto. Então João Pequeno vira um muçulmano negro (Jamie Foxx), Lady Marion vira uma líder do povo (Eve Hewson), e por aí vai. As mudanças possuem alguma justificativa aceitável? Não. É preciso entrar na brincadeira. 

Porque essa "modernização" vai para além dos personagens. A Inglaterra Medieval retratada tem pouco a ver com uma realidade histórica. Os cruzados se comportam em batalha como um pelotão de forças especiais dos EUA no Iraque ou Afeganistão. O discurso anti-Trump é nada sutil. 

Nessa brincadeira em que as flechas disparadas se multiplicam de maneira irreal, até o caráter de Robin se modifica. Ao invés do arqueiro que é mais certeiro com chistes sarcásticos do que com flechas, o herói (interpretado por Taron Egerton) é "sério". Sua construção de personalidade dupla (nobre de dia, ladrão à noite) deve mais a Batman (ou Zorro) do que ao fora-da-lei que conhecemos. 

Os atores se esforçam em seus papéis e as cenas de ação garantem um certo movimento. Porém, o roteiro precisava ser menos preguiçoso (há alguns furos, facilmente evitáveis). Porém, uma revisita aos clássicos com o personagens talvez seja uma opção de diversão mais agradável. 

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