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Sétima das Artes

Crítica: Mare Nostrum

Drama brasileiro acerta na representatividade, mas tem vergonha de se assumir.

A história de Mare Nostrum se passa em 2011, e nesse sentido ela serve como uma cápsula do tempo de um Brasil que parece muito distante hoje. Dois personagens voltam ao país depois do insucesso no exterior: Roberto, um jornalista que é demitido por conta da crise na Espanha, e Mitsuo, um descendente de japoneses que retorna após ter perdido tudo no tsunami de Fukushima.

O que une ambos é um misterioso terreno no litoral de São Paulo, negociado pelos pais de ambos no início dos anos 1980. O imóvel vira uma possível tábua de salvação para os dois, que estão em dificuldades financeiras – que, por sua vez, estão afetando diretamente suas famílias. Cabe à filha pré-adolescente do jornalista descobrir que o tal terreno na verdade é mágico, capaz de realizar os desejos feitos nele.

O principal ponto positivo do filme é a forma como ele perpassa os afetos familiares, da ancestralidade ao presente, passando por pai e filha, irmãos, avó e neta, os amores do passado. Também funciona bem o fato de que vemos boa parte da trama pelos olhos da personagem pré-adolescente, que é particularmente encantadora (e que catalisa a busca pela compreensão do passado familiar).

Nesse sentido, o título também acerta muito ao investir na representatividade de atores e atrizes negros. Eles vivem diferentes papeis e nunca são estereotipados ou unidimensionais. O roteiro também trata com respeito a cultura dos imigrantes japoneses e seus descendentes.

Contudo, há defeitos nessa mistura tão bem intencionada. A direção do já experiente Ricardo Elias resvala na bagunça: algumas mise-en-scènes passam uma incômoda sensação artificial; algumas atuações não estão bem dosadas. Pode parecer preciosismo, mas o cineasta parece se atrapalhar quando precisa fazer closes dos seus protagonistas – o que, num drama, é essencial acertar.

Há um defeito a mais: Mare Nostrum nunca se assume no que tange ao seu realismo fantástico. O terreno mágico nunca vira fantasia assumida, nem percorre o caminho da insinuação sutil que permite dúvidas. Ele fica num estranho meio-termo sem equilíbrio.

Mas tem algo nele que tenta acertar as sensações do espectador, de ser simpático ao público. Aqui e ali, consegue.

Crítica: Venom

Quem precisa de mais um filme de super-herói?.

VenomVenom é aquilo de pior que o cinema comercial pode oferecer: um filme levando em conta somente decisões de mercado. Ele não se interessa em entreter que seja o público. Quer apenas uns trocos fáceis, usando um gênero de sucesso no momento. 

Então: Venom é um vilão do Homem-Aranha nos quadrinhos, que depois foi promovido à categoria de anti-herói. Não é sua primeira chance na tela grande. Já tinha aparecido nos cinemas no equivocado Homem-Aranha 3. Mas com o recente sucesso de Deadpool, imaginou-se que ele poderia se encaixar nesse ramo de adaptações de HQ com mais humor e direcionamento mais adulto. 

Portanto: não, esse título não se enquadra em nenhum universo cinematográfico corrente -- e nem mesmo há menção sutil que seja ao Cabeça de Teia durante a trama. 

Os realizadores bem que tentam empacotar o produto num embrulho vistoso, com gente boa e de respeito no elenco (Tom Hardy e Michelle Williams, sempre ótimos) e um diretor promissor (Ruben Fleischer, do divertido Zumbilândia). Mas isso não impede que Venom jamais escape de ter um tom genérico e sem graça.  

Apesar do visual do personagem ser bem próximo ao dos quadrinhos e do esforço da dupla de protagonistas de fazer a coisa funcionar, não dá pra negar que tudo que acontece na trama é previsível. Uma que outra piada se destaca na mistura (em especial quando o protagonista dialoga com a entidade alienígena simbionte que o domina). Mas é duro ver a mesma história contada sem originalidade -- ou pior, sem vontade. 

Alguma coisa se salva além do elenco? A boa trilha sonora sintetizada (ainda que clichê) do sueco Ludwig Göransson (que fez ótimo trabalho em Pantera Negra). O que tem de pior? Os efeitos visuais, sempre noturnos e que dificilmente são convincentes. Algumas tomadas são muito ruins, especialmente aquelas em que o simbionte se mistura ao corpo de Tom Hardy. 

Não é entendiante, nem terrível. Mas não merece maior atenção, pelo caça-níqueis que é. 

Tem duas duas cenas durante e depois dos créditos. A última, que não tem nada a ver com a obra, é o melhor momento de toda a projeção.  

Crítica: O Predador

Novo filme da franquia assume uma auto-paródia divertida.

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: O Predador
Nenhuma continuação será melhor que o Predador original (1987). É um filme tão simples e tão fantástico que simplesmente não envelheceu -- nem tecnicamente. É um espetáculo de suspense e ação. 

Todas suas continuações não chegam aos seus pés -- e, convenhamos, nem tentaram (à exceção de Predador 2, de 1990, que tenta ser "maior e melhor", mas fica abaixo em todos os quesitos). Esse O Predador, então, parte de um ponto confortável: bastava se sair um pouco melhor que as demais sequências, sem a responsabilidade de bater o que é imbatível. 

Apesar do título no singular, a fita apresenta mais de uma criatura -- não é spoiler, tá no trailer. A projeção começa precisamente com uma batalha espacial entre as naves dos predadores, e uma delas acaba caindo na Terra. Por um tempo, a narrativa se divide em quatro: os cientistas pesquisando a queda; o protagonista humano sendo considerado insano; o seu filho com problemas cognitivos; um predador buscando pelo outro. 

Eventualmente, essas linhas convergem. Não há muito suspense. Há ação e humor -- mas um humor negro, um pouco estranho. O diretor Shane Black atuou no original de 1987. Seu personagem naquela ocasião era o militar mezzo nerd que faz piadas sem graça, e que pelo deslocamento delas, fazia rir. É como se todos os personagens aqui seguissem o mesmo caminho. Ou seja, O Predador ri de si mesmo o tempo todo, lembrando constante o espectador que não rivaliza com o clássico. 

A decisão mais corajosa fica por conta do "comando militar" que é perseguido no filme. Em 87, eram soldados de elite; em 90, policiais; em Predadores, de 2010, mercenários. Desta vez, são ex-militares detidos por distúrbios mentais variados (incluindo alguém com síndrome de Tourette).

São esses os personagens, ao mesmo tempo trágicos e que constantemente riem de seus problemas, que significam a força do longa. São mostrados não como incapazes, mas como pessoas que lidam com o estresse e angústia de outras formas. São empáticos e tocantes (e torcemos por eles). Talvez alguns espectadores torçam o nariz pela abordagem nada melodramática. Mas eu curti bastante. 

A ação está dentro do padrão, e aqui e ali poderia ser mais bem montada ou encenada (um que outro momento fica confuso de acompanhar). Interessante que também se assumem os acontecimentos dos filmes passados (inclui até uma referência ao primeiro Alien Vs. Predador), colocando todos os títulos no mesmo universo. 

O final termina apontando para uma possível continuação direta da franquia. Talvez poderia ser mais saudosista e trazer de volta os sobreviventes das fitas anteriores, que tal? 


Crítica: Alfa

Filme familiar pouco inspirado mistura dois gêneros e desperdiça boas ideias.

Alfa Fiquei curioso ao assistir ao trailer de Alfa. Gosto de filmes ambientados na pré-história, e essa produção parecia unir rigor científico com uma típica narrativa de "filmes de cachorro", um subgênero que sempre teve mercado. Pois Alfa tenta mesmo ser as duas coisas, uma espécie de mix de Caninos Brancos (livro de Jack London) com o sensacional A Guerra do Fogo (filme francês de 1981). Porém, seu excesso de ingenuidade parece atrapalhar essas boas ideias. 

É fato que a produção tem um tom para toda a família -- então, o preciosismo antropológico é leve, para não se sobrepor às convenções de mercado. O filme até passa a maior parte da projeção focando na relação do protagonista, o adolescente Keda (Kodi Smit-McPhee) e seu pai e chefe da tribo, Tau (Jóhannes Haukur Jóhannesson) antes de apresentar a verdadeira estrela, o lobo Alfa -- a quem Keda domestica e passa a ter uma amizade. 

Porém, o filme confunde simplicidade com simplismo. Numa narrativa com poucas falas, é necessário um visual narrativo muito cuidadoso. Mas o diretor Albert Hughes parece ter investido todo o impacto em três ou quatro planos (um deles, o de um bisão lançando uma pessoa num abismo, inclusive é repetido). Entre esses poucos takes inspirados, o diretor parece apenas passar o tempo. 

Justiça seja feita: aqui no Brasil, o filme está sendo lançado somente em cópias dubladas, o que simplesmente destroça a imersão no seu universo. Uma língua rudimentar foi especialmente criada para os personagens no roteiro. A sua substituição pelo português moderno acaba com as atuações, que ficam forçadas. Bola fora da distribuidora não ofertar cópias legendadas -- ou seja, talvez seja melhor esperar o home video ou video on demand. 

As melhores partes, como mencionado antes, são as que envolvem o protagonista humano e o lobo -- no caso, um exemplar de uma raça recente, o cão lobo checoslovaco. Há bastante uso de computação gráfica não só nos demais animais -- bisões, felinos, hienas, rinocerontes -- mas também substituindo o cachorro. Seja em cenas mais perigosas, seja em alguns closes mais dramáticos. 

Mesmo não sendo uma experiência empolgante como o conceito original promete -- contar a história do início da amizade milenar entre cães e homens, -- Alfa funciona como uma distração infantil mais leve. O final bonito quase redime a obra. Mas a sensação é de que os realizadores (e distribuidores) ficaram apenas na promessa da ideia. 

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