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Deuses e demônios à solta em Novo Hamburgo!

Autora faz campanha para lançar por editora de Portugal livro de fantasia ambientado na cidade.

Foto por: Reprodução
Descrição da foto: Imagem promocional do livro Entre Deuses e Demônios, de Sabrina Naud
Talvez você nem tenha notado, mas tem uma série de criaturas exóticas à solta em Novo Hamburgo. Deuses, demônios e toda sorte de seres fantásticos, às voltas com seus próprios problemas e às vezes dando uma topada no mundo dos mortais comuns.

Este é o ponto de partida do livro Entre Deuses e Demônios, da autora hamburguense Sabrina Naud. Ela está em processo de publicação desta história de fantasia por uma editora de Portugal. A obra ainda não está pronta, mas tem um site onde dá para baixar o primeiro capítulo para ler e também dá para se informar sobre o programa de crowd funding (vaquinha virtual), que inclui recompensas para quem participar.

Um aperitivo do livro, nas palavras da própria autora:

"A história se desenrola na pacata cidade de Novo Hamburgo no ano de 2001, onde as coisas não são como aparentam ser. Criaturas místicas, vampiros, bruxos, caçadores e deuses antigos se misturam ao cotidiano da população. Um mundo de magia e misticismo desperta à noite, onde a escuridão protege o seu segredo. Uma adolescente criada por elfos longe dali se muda para a cidade e com seus amigos, mestiços da mais variadas raças, luta para manter a ordem no local, além de lidar como problemas como aceitação, paixões, separações, preconceito, mentiras e tudo que é ampliado um milhão de vezes quando se tem 14 anos."

Foto por: Reprodução
Descrição da foto: A autora Sabrina Naud, de Novo Hamburgo
Sabrina conta que a história começou a ser criada quando ainda tinha 12 anos. Depois, aos 16, ela publicou um fanzine com amigos incluindo parte do universo do livro.

Vale a pena prestigiar, até por questão de sobrevivência cotidiana. Se já é difícil lidar com os adolescentes e pré-adolescentes de Novo Hamburgo e região (acredite, pai sabe dessas coisas), imagina quando eles forem vampiros, deuses antigos ou, pior, simplesmente demônios. 


Duas grandes vozes de outra era se despedem

Angela Maria, no Brasil, e Charles Aznavour, na França, marcaram uma época .

Em um intervalo de poucos dias, morreram a cantora brasileira Angela Maria e o francês Charles Aznavour. Ambos morreram em idade avançada, Angela Maria aos 89 e Aznavour aos 94, motivo pelo qual já não estavam tão presentes na mídia e no cotidiano do show business. Mas, interessantemente, ambos marcaram profundamente uma época.

Foto por: Angela Maria Oficial/Facebook/Reprodução
Descrição da foto: Cantora Angela Maria morreu aos 89 anos, em São Paulo
No Brasil, Angela Maria personificou como poucas a era das grandes estrelas do rádio. Ponto capital, foi um período marcado pelas vozes possantes ou com grande alcance vocal – caso dela. É um paradigma anterior às musas baseadas em estampa, das fases da tevê e da Internet. Compare a voz de Angela Maria com alguma cantora de sucesso nacional das paradas. Compare a estampa das duas. Lamentavelmente, a própria passagem do tempo tende a diminuir o efeito da perda. Assim como aconteceu com Cauby Peixoto, Angela Maria sobreviveu muitas décadas à sua era. As novas gerações talvez a redescubram agora.

Foto por: Ludmila Joaquina Valentina Buyo/Divulgação-Flickr
Descrição da foto: Charles Aznavour foi cantor e ator
Aznavour, por sua vez, foi bem mais que um cantor. Além de representante, com méritos, da grande canção francesa (se você não pegou o tempo, procure La Bohème, She ou Et Pourtant no Youtube), ele foi a personificação do galã francês, tanto na música quanto no cinema (ele fez vários filmes). Você vai rir, porque, com o nariz descomunal, Aznavour não pareceria, à primeira vista, qualquer sex symbol. Lembre, entretanto, que ele é a versão francesa de outro tipo de ídolo, assim como Humphrey Bogart nos Estados Unidos. Aznavour era o malandrão conquistador francês com bom papo e voz melíflua, um tipo de figura certamente anacrônica no século 21 mas que marcou mais de uma geração. Em sua época, teve casos rumorosos com algumas das principais musas da França.

Vale conferir a voz de ambos. Vai levar um bom tempo até que a música encontre a conjunção que, em Angela Maria e Charles Aznavour, era natural.

Cartunista Ziraldo teve AVC

Criador do Menino Maluquinho havia tido um AVC e passou mal nesta quarta-feira (26).

Foto por: Agência Brasil/Arquivo
Descrição da foto: Ziraldo, em foto de 2013
O cartunista Ziraldo, 85 anos, foi internado em estado grave em um hospital de Botafogo, no Rio. A imprensa do centro do País informou que ele sofreu um AVC hemorrágico após passar mal, e teve que ser internado às pressas. Ziraldo já havia tido um AVC em 2013. Atualização do estado dele indica que seu quadro se estabilizou.

Ziraldo é o criador do Menino Maluquinho, personagem infantil famoso em livro e quadrinhos, que já virou até filme e foi traduzido em várias línguas. Ziraldo também foi um dos fundadores do jornal satírico Pasquim, durante a época do governo militar brasileiro.

Filme de guerra Uma Questão Pessoal é despedida dos Taviani

História é ambientada na Segunda Guerra.

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: Cena de Uma Questão Pessoal, último filme dos Irmãos Taviani
Mistura de drama psicológico e filme de guerra, Uma questão pessoal já seria imperdível só pelos créditos. Trata-se do derradeiro filme dos Irmãos Taviani, dupla de realizadores italianos responsável por obras-primas como Kaos. A produção é assinada apenas por Paolo, porque o irmão Vittorio, que morreu em abril, já estava doente durante as filmagens e participou só do roteiro e concepção geral. Embora Paolo possa seguir fazendo filmes, Uma Questão Pessoal marca a despedida da parceria dos Taviani.

A história é ambientada no final da Segunda Guerra e acompanha de perto o jovem Milton, que é um dos integrantes da resistência contra os fascistas na Itália. Em pleno conflito armado, ele está sendo atormentado por um problema íntimo. Descobriu que a moça pela qual está apaixonado, e que viajou para longe, pode tê-lo traído com seu melhor amigo – que, por sinal, também é um guerrilheiro. Só que quando ele decide tirar satisfações do rival, descobre que ele foi capturado. Decide, então, partir em uma missão solitária de resgate cuja motivação, assim, é meio dúbia. No caminho, passará por alguns horrores e outras tantas bizarrices.

Quem esperar um filme de guerra convencional pode estranhar, porque este é, sobretudo, um filme dos Taviani, com seus tempos alongados, narrativa cheia de símbolos e subentendidos e várias cenas que nem sempre têm um vínculo muito forte com a trama principal.

Uma questão pessoal surpreende, quando comparado com o filme anterior, Maravilhoso Boccaccio, porque é praticamente uma superprodução para os padrões dos Taviani, cheio de explosões e labaredas – embora eles até tenham feito outros filmes de guerra, como A Noite de São Lourenço. Há vários elementos recorrentes na filmografia deles, como a ligação com a literatura (o herói escreve) e o flerte com o universo anglo-saxônico. Perpassa o filme a canção Over the Rainbow, tema do Mágico de Oz, em um contraste com a desolação da guerra e conduzindo flashbacks.

A trama principal é quase um pretexto para que os Taviani exercitem o que sempre fizeram melhor, contar histórias humanas e descobrir a beleza mesmo em meio à atrocidade. Uma questão pessoal também enfoca um fato pouco lembrado, a sangrenta guerra civil da Itália no fim do conflito mundial, com vizinhos executando um ao outro e famílias sendo chacinadas. Mensagem eterna, especialmente neste período eleitoral em que o bate-boca beira o fratricídio em escala nacional.

Bonito e melancólico. Cinema no seu melhor.

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