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Cotidiano | ABC Pra Você | Decoração Inovação ambiental

Resíduos transformados em móveis

Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP conseguiram propor um novo destino a esses rejeitos

Publicado em: 19.11.2020 às 06:00

Rejeitos de madeira transformados em móveis

Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), anualmente no Brasil são geradas cerca de 800 mil toneladas de rejeitos oriundos da produção de madeira na região Norte do País. Esses resíduos, que podem ser partes de troncos com rachaduras ou fora das medidas desejadas e até pedaços laterais da tora, normalmente são queimados após o processo de extração, gerando danos ao meio ambiente devido à emissão de gás carbônico na atmosfera. Como forma de solucionar esse problema, pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP conseguiram propor um novo destino a esses rejeitos, utilizando-os para construir um tipo de painel feito com lascas de árvores (OSB) conhecido por sua utilização na construção civil, fabricação de móveis, produção de embalagens e decoração.

"O estudo foi pensado a partir do fato de que todo painel OSB do mundo tem como matéria-prima os troncos de árvores de florestas plantadas, em geral de espécies do gênero Pinus, um tipo de pinheiro. O grande volume de rejeitos dessas toras não havia sido, até então, considerado para a produção do material, que agrega valor a um resíduo usualmente descartado, além de reduzir drasticamente o impacto ambiental negativo gerado por sua queima indiscriminada, que contribui para o aumento do efeito estufa," explica Francisco Antonio Rocco Lahr, um dos autores do trabalho e professor do Departamento de Engenharia de Estruturas (SET) da EESC.

O estudo foi realizado no Laboratório de Madeira e de Estruturas de Madeira (LaMEM) do SET, em parceria com a Universidade do Porto, em Portugal. Autora principal do trabalho, a pesquisadora Isabella Imakawa Araújo, doutoranda da EESC, conta que as espécies de madeira utilizadas no projeto para o desenvolvimento dos painéis OSB estão entre as que mais geram rejeitos.

Rejeitos de madeira transformados em móveis

Ainda há baixo aproveitamento da madeira

Isabela explica que um dos problemas enfrentados pelas madeireiras é que elas aproveitam apenas 35% da tora da árvore para o desenvolvimento de produtos e o restante é descartado, cenário esse que poderia mudar completamente com o aproveitamento dos resíduos. "Além de contribuir com o meio ambiente, melhoraríamos a eficiência produtiva dessas empresas, podendo ainda gerar novas oportunidades de emprego e crescimento econômico", diz a cientista, que teve sua pesquisa financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Nos próximos passos do trabalho eles pretendem ajudar a viabilizar a implantação da primeira empresa produtora de painéis OSB do Norte do Brasil.

 

A cola à base de mamona é muito mais sustentável

A pesquisadora Isabella Imakawa Araújo explica que desenvolveu tanto painéis utilizando espécies isoladas como misturando mais de uma na mesma peça, que tinha sempre três camadas, e em cada uma delas as lascas eram posicionadas em sentidos diferentes. A cola à base de mamona utilizada para dar aderência às camadas do painel é mais sustentável e, diferente das convencionais, não possui propriedades cancerígenas, como o formol. Além de poder ser reaproveitado, o "adesivo natural" ainda tem a vantagem de ser processado a uma temperatura de 100°C, enquanto as colas tradicionais precisam atingir até 180°C, demandando um gasto energético bem maior. Mesmo assim, os adesivos sintéticos ainda são os mais utilizados pelas empresas.

A ideia de realizar a pesquisa surgiu após visitas realizadas pelo professor Rocco a universidades do Norte, oportunidades em que ele observou de perto o processo de produção de madeira local, com grandes quantidades de rejeitos sendo transportados para a queima, o que despertou o interesse em tentar aproveitar o material que seria descartado para a fabricação dos painéis.

Para se ter uma ideia do que representa a quantidade de resíduo gerado por ano no Brasil (800 mil toneladas), a única fábrica de painéis de lascas do País, localizada em Ponta Grossa (PR), produz anualmente cerca de 240 mil toneladas do produto, ou seja, aproximadamente três vezes menos que o número de rejeito gerado.


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