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Será que a Covid afetou minha memória?

Mesmo pessoas que desenvolveram formas mais leves da doença também estão apresentando sinais como dificuldade de concentração e raciocínio mais lento

Publicado em: 07.04.2021 às 03:00 Última atualização: 07.04.2021 às 12:09

Um motivo de recorrente queixas é o efeito da Covid-19 nas funções cognitivas, principalmente memória e atenção Foto: Adobe Stock
Comprometimento na função respiratória, dificuldade para engolir, problemas no trato urinário e até queda de cabelo são algumas das reações registradas em pacientes pelo mundo todo após a infecção pelo novo coronavírus. E estes sintomas analisados, conforme dados do Instituto do Coração (Incor) ocorrem independente da faixa etária, se o paciente é ou não do chamado grupo de risco, se apresentou sintomas leves ou graves ou até se passou pela infecção de forma assintomática.

Frente a uma patologia ainda em estudo, as reações - temporárias ou permanentes - agora recaem sobre as alterações cognitivas que o coronavírus provoca no organismo.

O mais intrigante, conforme a neuropsicóloga Lidiane Klein, é que em cada organismo o coronavírus tende a ter uma manifestação diferente e também sequelas após a cura. "Dentre elas, algo que tem sido motivo de recorrente queixas é o efeito da Covid-19 nas funções cognitivas, principalmente memória e atenção. Algo a se frisar é que os prejuízos cognitivos podem ter um atraso de meses, não se apresentando logo após a doença", detalha.

Névoa cerebral

Lidiane destaca que os pesquisadores têm usado o termo brain fog (névoa cerebral, em inglês), que seria a condição desenvolvida pelo coronavírus a qual envolve a perda de memória recente, dificuldade de concentração e de execução de tarefas habituais, além de uma lentificação de raciocínio.

"No início, essas queixas eram associadas a pessoas que ficaram em estado grave, passando por internação hospitalar e sofrido comprometimento da função respiratória que exigia intubação, o que poderia ter ocasionado uma possível falta de oxigenação no cérebro. Agora, entretanto, mesmo pessoas que desenvolveram formas mais leves também estão apresentando os sinais", diz.

Perfil mais afetado é acima dos 40 anos

No mundo atualmente existem mais de 200 estudos que buscam respostas ao impacto neurológico direto e indireto da Covid-19 no cérebro. "Algo que já se sabe é que o perfil mais afetado é de pessoas acima de 40 anos", destaca a neuropsicóloga.

Ainda não há, porém, respostas absolutas para a questão. "A etiologia dos sintomas, ou seja, origens e causas está sendo muito pesquisada e ainda não se chegou a um consenso, acredito que principalmente devido à complexidade do vírus. Suas causas provavelmente sejam multifatoriais, podendo estar ligada ao efeito direto da infecção, a doenças cerebrovasculares (incluindo a hipercoagulação), a um comprometimento fisiológico (hipoxia), a efeitos colaterais de medicamentos e a aspectos sociais de uma doença potencialmente fatal", acrescenta.

Dados do Hospital Universitário de Oslo (Noruega), em estudo com 13 mil participantes, citam que 12% dos infectados apresentavam problemas de memória 8 meses após contrair o novo coronavírus.

Reversão do quadro

Ainda não se sabe muito sobre a reversão do quadro de declínio cognitivo, destaca Lidiane. "Assim como algumas pessoas não retornaram com seus paladares e olfato depois de meses da recuperação da Covid-19, outras seguem apresentando falhas significativas na memória, função executiva e linguagem."

Também não se sabe se os declínios estagnam, persistem ou pioram com o tempo. "Pesquisadores têm sugerido que no futuro possamos relacionar à incidência de demências, como Alzheimer."

Tratamento indicado

O tratamento indicado até o momento é justamente exercitar a memória. “O que se sabe é que não há remédio específico e as estratégias são as mesmas empregadas contra as disfunções cognitivas em geral, sendo que a reabilitação neuropsicológica é o tratamento mais indicado”, explica Lidiane. Antes de aderir a um programa de reabilitação neuropsicológica é importante que a pessoa busque avaliar o seu grau de comprometimento, através de uma avaliação neuropsicológica, claro com o neuropsicólogo.


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