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Dieta low carb para tratar a gota

Estratégia alimentar com baixo teor de carboidratos pode auxiliar no controle dos sintomas da doença inflamatória

Publicado em: 29.07.2021 às 06:15

Estratégia alimentar com baixo teor de carboidratos pode auxiliar no controle dos sintomas da doença inflamatória Foto: Adobe Stock
De acordo com análise publicada na revista científica "Arthritis & Rheumatology", os casos de gota tiveram um aumento alarmante nas últimas três décadas em todo mundo. O estudo publicado em 2020 mostra que, entre 1990 e 2017, o número de pessoas que sofrem com a doença aumentou 5,5%, chegando a 41 milhões.

A gota é uma doença inflamatória aguda e dolorosa, que ocorre frequentemente em uma articulação de cada vez apenas, sendo o dedão do pé um dos locais mais afetados.

Mais comum em homens idosos, insuficiência renal e um alto índice de massa corporal (IMC) são fatores de risco para o surgimento da doença, além do consumo excessivo de álcool.

O médico e diretor-presidente da Associação Brasileira Low Carb (ABLC), José Carlos Souto, destaca os benefícios da estratégia alimentar low carb (com baixo teor de carboidratos) no tratamento da gota, especialmente pela reversão da síndrome metabólica.

Além disso, um estudo apresentado em um congresso da American College of Rheumatology mostrou que 74 pacientes com sobrepeso ou obesos que foram submetidos durante seis meses à dieta Atkins (com alta quantidade de proteína e com pouco carboidrato) apresentaram diminuição dos níveis de ácido úrico, substância que é fator de risco e condição necessária para o aparecimento da gota.

Fatores envolvidos

Para entender como a estratégia low carb pode auxiliar, é preciso compreender os diversos fatores envolvidos no seu surgimento. O ácido úrico está intrinsecamente relacionado com a gota.

Como explica Souto, a doença inflamatória ocorre quando há uma precipitação de cristais de ácido úrico dentro da articulação. "Por esse motivo as pessoas com gota quase sempre tem ácido úrico elevado", diz.

Quanto mais açúcar, mais elevação de ácido úrico

José Carlos Souto, médico e diretor da ABLC Foto: Divulgação
O médico explica que o ácido úrico é um subproduto do metabolismo das purinas, cuja origem são bases nitrogenadas presentes no DNA de seres humanos, animais e vegetais. Ele cita que, por estarem presentes em grande quantidade nos alimentos que nós consumimos tradicionalmente (como carnes e frutos do mar), tem-se empregado uma dieta pobre em purinas a pacientes com gota ou ácido úrico elevado.

Contudo, conforme Souto, os ensaios clínicos randomizados já realizados indicam ineficácia clínica no combate à gota. "Isso acontece porque já foi demostrado que na atualidade que cerca de 80% do ácido úrico que os seres humanos produzem resulta de purinas endógenas (produzidas pelo próprio corpo) e não de purinas oriundas da alimentação", esclarece.

Além disso, uma dieta pobre em purina, ou seja, que restrinja carnes e frutos do mar, acaba sendo rica em alimentos refinados, como carboidratos, que são metabolizados em glicose (açúcar) no organismo e o consumo de açúcar produz elevações agudas nos níveis do ácido.

Insulina elevada

Levando-se em conta que o quadro de inflamação crônica do organismo, decorrente do acúmulo de gordura visceral, é característico da síndrome metabólica, pode-se afirmar que essa condição favorece o desenvolvimento da gota em pessoas que tem propensão genética a apresentar o ácido úrico elevado.

A síndrome metabólica relaciona-se com a gota também pela capacidade de aumentar a quantidade de ácido úrico no corpo. "Quem sofre de síndrome metabólica costuma apresentar insulina elevada. Este hormônio atua sobre os rins diminuindo a excreção do ácido úrico, aumentando seus níveis no sangue."

Assim, a dieta low carb favorece a melhora da síndrome metabólica e da resistência à insulina.


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