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Cotidiano | ABC Pra Você | Viver com saúde GENÓTIPO COSMOPOLITA

Identificado no Brasil novo tipo de dengue

Pesquisadores investigam se a linhagem, que é a mais disseminada no mundo, eleva o risco de casos graves

Por Redação
Publicado em: 11.05.2022 às 05:13 Última atualização: 11.05.2022 às 11:14

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, confirmaram que foi detectado pela primeira vez no Brasil um novo tipo de dengue, o genótipo cosmopolita do sorotipo 2 do vírus. Presente na Ásia, Pacífico, Oriente Médio e África, a linhagem é a mais disseminada no mundo, mas nunca tinha sido encontrado no território brasileiro.

Mosquito Aedes aegypti, responsável por transmitir a dengue
Mosquito Aedes aegypti, responsável por transmitir a dengue Foto: Adobe Stock
A identificação foi feita em fevereiro em uma amostra referente a um caso de novembro, na cidade de Aparecida de Goiânia, em Goiás, pela Fiocruz em parceria com o Laboratório Central de Saúde Pública de Goiás (Lacen-GO). O achado é o segundo das Américas, uma vez que em 2019 o Peru passou por um surto da doença com a presença desse genótipo.

O vírus da dengue possui quatro sorotipos, nomeados como 1, 2, 3 e 4, e cada sorotipo pode ser subdividido em diferentes genótipos (também chamados de linhagens), devido à presença de variações genéticas. O genótipo cosmopolita é uma das seis linhagens do sorotipo 2 do patógeno.

Conforme os cientistas, a chegada dessa cepa ao Brasil preocupa, porque existe a possibilidade de ela se disseminar de forma mais rápida que os sorotipos já existentes além de elevar entre a comunidade o risco de surgimento de casos graves da doença.

Novo genótipo é origem asiática e será rastreado

Já foi constatada que a origem do genótipo cosmopolita é de Bangladesh, na Ásia - continente com maior disseminação da linhagem - porém, conforme o virologista e coordenador da pesquisa, Luiz Alcantara ainda não é possível saber como se deu a chegada no Brasil.

"Precisamos de mais amostras para identificar a origem do vírus e quando ele entrou no País. Mundialmente, ele é muito mais distribuído e causa mais casos do que o genótipo asiático-americano, que circula no Brasil há anos. O quadro global indica que a linhagem cosmopolita tem capacidade de se espalhar facilmente", afirma.

Ele informou ainda que em junho a Fiocruz fará o mapeamento genético de todas as amostra de dengue tipo 1 e 2 de Goiás desde 2019 para constatar se há mais casos de infecção pela linhagem.

O pesquisador lembra que não há motivo para pânico pois há apenas um caso detectado.

Por que ainda não temos uma vacina?

Ao todo, apenas nas duas primeiras semanas de fevereiro em Goiás, cerca de 60 genomas foram decodificados pelos pesquisadores. Estas amostras foram selecionadas de forma aleatória entre as amostras de casos de dengue confirmados pelo Lacen-GO nos meses anteriores.

Aproximadamente metade pertencia ao sorotipo 1 e a outra metade ao sorotipo 2. Entre as amostras do sorotipo 2, apenas uma era do genótipo cosmopolita e todas as demais apresentavam o genótipo asiático-americano, atualmente circulante no Brasil.

Luciana Costa, professora do Departamento de Virologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que ainda não existem estudos que mostrem se a dificuldade do desenvolvimento de vacinas para a dengue aumentaria com uma diversidade de genótipos, mas diz que, no geral, é mais complexo desenvolver vacinas contra um vírus com mais variações.

"Essa dificuldade já existe no desenvolvimento de uma vacina para a dengue justamente por causa dos quatro sorotipos do vírus. Mas não temos estudos que mostrem que a resposta imunológica contra os demais genótipos do sorotipo 2 não seria eficaz para proteger contra esse cosmopolita. Pode ser que a resposta seja válida para esse novo genótipo também, uma vez que ambos são sorotipo 2", esclarece Costa. No Brasil, ainda não existem vacinas contra a dengue disponível no Programa Nacional de Imunização (AE e Fiocruz).


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