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Notícias | Novo Hamburgo Processo criminal

Vereador Fernandinho, de Novo Hamburgo, vira réu por lavagem de dinheiro e organização criminosa

Juiz da 17ª Vara Criminal de Porto Alegre, especializada no crime organizado, aceitou denúncia do Ministério Público contra parlamentar e seis supostos comparsas

Por Silvio Milani
Publicado em: 30.10.2020 às 19:53

Vereador Fernando Lourenço, de Novo Hamburgo Foto: Câmara de Vereadores
O juiz José Luiz John dos Santos, da 17ª Vara Criminal de Porto Alegre, aceitou denúncia do Ministério Público contra o vereador de Novo Hamburgo Emerson Fernando Lourenço, o Fernandinho, 48 anos, que passa a ser réu de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Pelos dois delitos, pode pegar de 6 a 18 anos de prisão. O advogado do político, Eduardo Pivetta Boeira, declara que ainda não recebeu a denúncia e que só vai se manifestar em juízo. Ele defende também os outros seis réus do processo, que estariam sob liderança de Fernandinho. O vereador do PDT, que não se pronunciou nesta sexta-feira (30), sempre se disse inocente.

A ação criminal é resultado da Operação Consilium (política em latim) do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc). Outro réu é Pedro Arenhardt, que ocupou o cargo de subsecretário de Obras do bairro Canudos até dezembro de 2018, quando o Denarc cumpriu 15 mandados de busca e apreensão contra a suposta organização. Indicado por Fernandinho ao emprego, acabou demitido após a operação policial.

'Materialidade'

Iniciado em agosto de 2017, o inquérito foi concluído em janeiro do ano passado, com o indiciamento do grupo, e remetido à 3ª Vara Criminal de Novo Hamburgo. Ainda em maio de 2019, a causa foi para a 17ª Vara da capital, especializada no crime organizado. Um ano e cinco meses depois, a Promotoria fez a denúncia, aceita pelo juiz no último dia 8. “Recebo a denúncia, uma vez existente a prova da materialidade e havendo indícios da autoria”, decidiu o magistrado. Quando intimados, os réus terão dez dias para responderem, por escrito, à acusação.


Delegado aponta empresas de fachada

Segundo o delegado que conduziu a operação, Márcio Zachelo, a investigação descobriu empresas de fachada do vereador. "Apuramos uma transportadora em Campo Bom, com poucos serviços e movimentação bancária estratosférica, uma demolidora de veículos em Novo Hamburgo, que servia para fazer o dinheiro circular, e imóveis no Vale do Sinos, tudo em nome de parentes."

Denarc apurava negócios do traficante Juliano Biron da Silva, um dos líderes da facção Os Manos, e encontrou elos com o vereador hamburguense. "Uma casa de Fernandinho em Tramandaí, avaliada na faixa de R$ 400 mil, foi usada para Biron comprar uma residência de R$ 2 milhões em Cachoeirinha", exemplifica Zachelo.



Tráfico na política

Além disso, segundo o delegado, há indícios de que a campanha a vereador em 2016 tenha sido financiada pelo tráfico. "Verificamos movimentação bancária entre Biron e Pedro Arenhardt, com posterior doação à campanha de Fernandinho." Investigadores apuraram ainda uma empresa inativa de Arenhardt. Segundo Zachelo, a firma tinha movimentações incompatíveis com a atividade, patrimônio e com o que era declarado. "A gente percebeu que sempre havia transações de veículos com pessoas rotineiramente envolvidas em crimes como o narcotráfico.”

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