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Notícias | Novo Hamburgo Em meio à pandemia

Usuários enfrentam ônibus lotado após redução de horários em Novo Hamburgo

No fim de março, Prefeitura cortou subsídio concedido a empresas para manutenção do serviço. Tabela de horários reduzida passou a valer nesta quarta

Por Susi Mello
Publicado em: 07.04.2021 às 11:08 Última atualização: 07.04.2021 às 13:06

Usuária registra ônibus lotado após redução de horários em Novo Hamburgo Foto: Arquivo Pessoal

Usuários do transporte coletivo urbano tiveram que enfrentar ônibus lotado na manhã desta quarta-feira (7) em Novo Hamburgo. A situação ocorre após a redução de horários por parte das empresas Hamburguesa, Courocap e Kreuz, em virtude da suspensão do subsídio mensal que recebiam até março da Prefeitura. A partir deste mês, não haverá mais repasse.

Moradora do Bairro Rondônia, a zeladora Cíntia Vivian dos Santos, de 46 anos, chegou a filmar a lotação da linha Rondônia/Esmeralda, quando ela e sua filha, a auxiliar de limpeza Michele dos Santos, de 26 anos, pegaram o coletivo, às 6h50 desta quarta."Pouca vergonha para quem levanta cedo, paga os impostos e salários de governantes", desabafa. Veja o vídeo abaixo.

"Sempre está cheio, mas hoje se superaram", comenta a usuária, referindo-se à grande quantidade de passageiros que estava em pé no coletivo. 

A nova tabela divulgada pelas empresas passou a valer hoje. Segundo a representante da Futura, Hamburguesa e Courocap, Sheila Fiore, a redução na grade é de aproximadamente 30%. A medida trouxe reflexo imediato, sobrecarregando os horários que restaram.

"O horário anterior foi retirado. O das 6h30 não existe mais. O motorista comentou que extinguiram a linha Esmeralda/Guia Lopes", reclama Cíntia. Com isso, quem pegava esse ônibus passou a usar o mesmo de Cíntia e Michele. "O nosso vinha cheio, cinco a seis pessoas em pé, mas hoje não dava nem para se mexer", compara.

Trajeto a pé

A situação gera indignação, especialmente em meio à pandemia. Michele conta que, a partir de quinta-feira (8), irá a pé com a mãe do bairro Rondônia até o Centro, onde trabalham.

"O vírus está aí. Estão falando em cuidar com a aglomeração, mas o transporte público fica desse jeito? Vamos descer a pé", declara.

Essa alternativa exigirá das duas sair cerca de 30 minutos antes do que estão acostumadas. "É melhor caminhar 40, 50 minutos, do que pegar o vírus. Não tem leito, não tem medicação, como a gente fica?", questiona, explicando que o custo com transporte por aplicativo seria inviável, já que as duas recebem vale transporte para ônibus.

Risco de aumento da passagem

Secretária municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Roberta Gomes de Oliveira explica que a Prefeitura não tem mais recursos para manter o pagamento do subsídio. Para equilibrar as contas da operação do transporte coletivo, a Prefeitura não descarta a possibilidade de reajuste no valor da tarifa.

Nos próximos dias, antecipa a secretária, ocorrerá uma reunião com as empresas em busca de alternativas. Entre os assuntos pautados estará o valor da tarifa. "Devemos avaliar a possibilidade de reajuste, uma vez que, desde março de 2019, a tarifa está em R$ 3,85. As cidades da região metropolitana já atuam com valores maiores há mais de dois anos", pontua Roberta.

Em 2020, durante a pandemia da Covid-19, a Câmara de Vereadores aprovou o subsídio para manutenção do transporte público, que acabou estendido até março de 2021. A Prefeitura chegou a pagar mais de R$ 2 milhões no período. Conforme a secretária, a complementação às empresas variava conforme a diferença levantada na planilha de custos. Somente em fevereiro, o subsídio ultrapassou a casa dos R$ 237 mil.

Confira a tarifa em outros municípios

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