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Família de haitianos se mobiliza para trazer filho à região

Casal está no Brasil, ele há sete anos, ela há cinco. Aqui tiveram dois filhos e agora tentam trazer o mais velho, que segue em Porto Príncipe com a avó

Por João Ávila
Publicado em: 10.06.2021 às 06:05 Última atualização: 10.06.2021 às 07:59

Marie, Emmanuel, Jean e Kiara estão à espera de Kingston em Novo Hamburgo Foto: Inézio Machado/GES
Não são apenas os seis mil quilômetros que separam um haitiano de 39 anos, há sete no Brasil, do filho de dez anos que ficou em Porto Príncipe, capital do país caribenho, onde vive com a avó. Jean Exume desembarcou em Porto Alegre no dia 28 de setembro de 2014. Na bagagem do então trabalhador da construção civil, a esperança de uma vida melhor. Morou por um tempo em Caxias do Sul. Há cinco anos conseguiu trazer a esposa, Marie Gina, 38 anos, e há dois anos fixaram residência em Novo Hamburgo. Em solo gaúcho tiveram Emmanuel, quatro anos, e Kiara, 16 meses, dois brasileirinhos matriculados em Escola de Educação Infantil da Vila Diehl. Mas a família não está completa. Falta Kingston, com quem Jean, a esposa e os outros dois filhos só falam por telefone.

Um grupo de pessoas que auxilia Jean fez uma pesquisa. A passagem aérea para trazer Kingston custa em torno de R$ 3.500,00. Já há recursos suficientes para o bilhete. Mas a família ainda precisa de recursos, inclusive para comprar poupas. O garoto virá para o Brasil acompanhado de um familiar adulto. E o tempo para organizar a chegada do filho está se esgotando. A pessoa que tem condições de acompanhar o garoto só pode viajar até agosto. São dois meses e a família Exume corre contra o tempo.

Jean, a esposa e os dois filhos mais novos vivem numa casa alugada no Kephas, em Novo Hamburgo. Ele trabalha numa empresa do bairro São José. Com o salário, pouco mais de mil reais mensais, paga aluguel (R$ 450,00), luz, água e ainda precisa remeter dinheiro para o Haiti, onde a mãe dele cuida do pequeno Kingston. "Agora, não tenho 10 reais na mão. Tenho comida, pois as pessoas ajudam", reconhece.

Mas ele não reclama da vida, nem das dificuldades. Lembra com carinho dos amigos que ajudam e, religioso, fala muito em Deus. E se emociona ao mostrar, na tela do celular, o filho, de suéter e gravata borboleta, pronto para frequentar a Igreja em Porto Príncipe.

A esposa, Marie, pouco fala. Na maior parte do tempo fica num dos cômodos da casa com Kiara e Emmanuel. Desde que chegou ao Brasil, ela não conseguiu emprego. No Haiti, trabalhava como professora em escola de Educação Infantil.

Duas chances perdidas

Kingston segue no Haiti aos cuidados dos avós Foto: Arquivo Pessoal
Kingston já poderia estar no Brasil na companhia dos pais e dos irmãos, estudando por aqui e traçando um novo plano de vida. Mas nas duas oportunidades em que Jean conseguiu recursos para trazê-lo, as pessoas que acompanhariam o garoto desistiram e não devolveram o dinheiro. Jean pula rápido esta parte. O coração não lhe permite guardar mágoas. Saudades (palavra que conheceu aqui, só usada na Língua Portuguesa), sim. E muita.

Esquecido no aeroporto

Haitiano pede ajuda para trazer filho de 10 anos para Brasil. Foto: InezioMachado/GES
A chegada de Jean Exume no Brasil foi tensa. Ele desembarcou no Aeroporto Salgado Filho na manhã do dia 28 de setembro de 2014. Um amigo do Haiti deveria estar lhe aguardando. Mais de 12 horas depois, sem conseguir se comunicar e com fome, se deparou com três senegaleses.

O idioma francês, comum aos dois países, foi a salvação. "Pedi ajuda, eles não queriam, mas insisti. Me levaram para Feliz, pude tomar um banho, me serviram uma sopa e eu dormi lá. No outro dia fui para Caxias e logo consegui trabalho", diz.

Trouxe a esposa na esperança de que ela também conseguisse trabalho. Não conseguiu. Há dois anos desembarcaram em Novo Hamburgo.

Como ajudar

A família Exume recebe ajuda de amigos, especialmente com cestas básicas. O mesmo grupo ainda trabalha na arrecadação de recursos para completar o suficiente para trazer Kingston ao Brasil.

O contato com Jean pode ser feito por WhatsApp, no número (51) 99888-4978. A foto no aplicativo é do filho que ele pretende reencontrar após sete anos. A ajuda pode ser feita ainda via Pix 00562707042, em nome do amigo e idealizador da ação Ronald Aymone Blank.

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