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Possibilidade 'muito alta' da varíola dos macacos chegar ao Brasil, diz virologista

Doença começou a se espalhar em países onde não havia casos até então, o que colocou autoridades sanitárias em alerta

Por Ermilo Drews
Publicado em: 23.05.2022 às 17:52

Com o vírus que causa a chamada varíola dos macacos se espalhando por países de diferentes continentes, especialistas acreditam que é questão de tempo para o primeiro caso surgir no Brasil. “A possibilidade de chegar ao Brasil, como sempre, é muito alta porque a gente vive num ambiente de enorme tráfego de pessoas ao redor do planeta e é muito difícil ficarmos livre”, afirma o virologista Fernando Spilki, pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Universidade Feevale.

Fernando Spilki integra câmara técnica que monitora vírus
Fernando Spilki integra câmara técnica que monitora vírus Foto: Universidade Feevale/Divulgação

Spilki integra uma câmara técnica criada dentro do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) para acompanhar os desdobramentos científicos sobre o vírus monkeypox, que transmite a varíola dos macacos.

A doença é uma infecção viral rara, semelhante à varíola humana (erradicada há 40 anos), embora mais leve. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça e erupções cutâneas que começam no rosto e se espalham pelo corpo.

Vários países europeus e os Estados Unidos relataram casos deste vírus que foi detectado pela primeira vez na República Democrática do Congo em 1970 e se multiplicou na última década em países de África Ocidental e Central. No último domingo (22), a Argentina informou que investiga um caso suspeito de um cidadão daquele país que viajou à Espanha, que já notificou casos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), já foram comunicados mais de 90 casos em 15 países-membros que não apresentavam a doença de forma endêmica. Uma doença é considerada endêmica quando se torna recorrente em determinada região, acontecendo durante o ano todo, com volume esperado de casos.

“Este vírus está mais associado a roedores, mas como foi encontrado em primatas, acabou ganhando este nome varíola dos macacos. Dos anos 70 para cá, ocorreram vários surtos em países como Nigéria, Congo. Nos últimos anos, o vírus vem apresentando um número de casos muito alto, só no Congo foram 1,2 mil no ano passado, o que é muito considerando o histórico. Entre 2018 e 2019, ele foi introduzido no Reino Unido. De início, foram casos esporádicos, mas a partir do final de abril se observou um número considerável, sobretudo na Europa”, resume Spilki.

Letalidade de 2%

Spilki afirma que há vacina que pode evitar a proliferação do vírus e antivirais para tratamento. Porém, eles não são disponibilizados amplamente, sendo restritos, até o momento, a surtos pontuais. Apesar de a maioria dos pacientes se recuperar da doença, a letalidade de algumas linhagens do vírus pode chegar a 10%.

“A que está se espalhando agora é de 2%. Pode não parecer muito, mas é semelhante à da Covid-19”, afirma. Ainda conforme o virologista, pelo histórico em países africanos, pessoas imunocomprometidas e crianças pequenas são mais vulneráveis.

O especialista pondera que apesar de o vírus que causa a varíola dos macacos ser menos transmissível do que o coronavírus, a situação preocupa e não se descarta uma epidemia ou até mesmo pandemia, embora ainda seja prematuro prever isso. “Além da possibilidade de contato direto, sexual, o vírus também pode ser transmitido, por vezes, pela via respiratória, através do ambiente, de lençóis, de roupas. Então, exige atenção e monitoramento.”

Atentos a mutações

Diante do avanço da doença em diferentes países, o grupo integrado por Spilki está atento a evolução dos casos. “A gente precisa ir acompanhando se as formas de transmissão, que no atual momento são mais por via sexual, poderão se ampliar. E ficar observando eventuais mutações do vírus”, informa.

O grupo também reúne informações técnicas sobre a doença e trabalha para montar uma rede com várias universidades País afora para que tenham condições de fazer o diagnóstico, comunicar autoridades sanitárias e analisar o sequenciamento genético do vírus, se surgirem casos no Brasil. “Isso tudo para poder entender quais são as cadeias de transmissão, o que está acontecendo, para evitarmos problemas maiores.”

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