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Histórias de quando amizade e o amor são bons pra cachorro

A relação entre os adoráveis peludos e seus tutores vai muito além da simples convivência Reportagem: Juliana Nunes

Quem convive com um animal de estimação sabe. A relação é única e inexplicável. Companheiro, amigo, leal, fiel. São alguns dos adjetivos usados pelos tutores de cães que têm lugar especial nas famílias brasileiras. A paixão por eles é tanta que tem até um dia especial no calendário. O dia 4 de outubro é conhecido como Dia dos Animais ou simplesmente, o Dia do Cachorro.

Quem não está com seu cãozinho hoje, certamente tem na memória, e no coração, alguma história com o pet. De raça ou não, filhote ou adulto, calmo ou bagunceiro, o amor sempre está presente nesta relação. Por isso, nesta matéria especial reunimos histórias que reforçam o quanto estes animais são importantes. Seja para a melhora no estado de saúde, para ampliar os negócios, atuar no bem de uma comunidade, ou simplesmente pela amizade compartilhada.

Fernanda e Elvis: amizade verdadeira Foto: Juarez Machado/ GES/Juarez Machado/GES
No caso da assistente jurídica Fernanda Fernandes de Oliveira, 23, o peludinho Elvis foi também um aliado no lado emocional quando ela enfrentou uma grave doença: descobriu um câncer ósseo bastante raro dois dias antes do Natal de 2015. Em 2016, após a cirurgia para retirada do tumor, e já no final da quimioterapia, ela acabou levando o Elvis para casa.

"Meus pais não queriam um animal de estimação porque já haviam perdido um e não queriam sofrer novamente. Eu sempre quis ter um cão e soube pela minha irmã que tinha um Shih-Tzu branco para adotar no prédio dela. Acabei levando ele para casa. Hoje ele é o xodó da família toda", lembra Fernanda, que também relata a importância do cão durante os momentos mais difíceis.

A moradora de Sapiranga conta que descobriu o câncer após sentir dores nos braços e nas mãos. "Comecei sentindo dores e descobri o tumor no úmero. Com a cirurgia, foi tirada a articulação do ombro e fiquei com algumas limitações, como ao levantar o braço", explica a assistente jurídica, que faz questão de brincar com o amigão.

"Ele é muito ativo. Como temos um pátio grande, ele não sai tanto. Mas em casa sempre brincamos muito. Eu corro com ele e também tem uma garrafinha que ele adora brincar."

A quimioterapia era muito agressiva. E a doença também mexe com as emoções. O Elvis sempre foi muito alegre, mas quando minha energia estava mais baixa é como se ele me respeitasse.

Para a assistente jurídica, a doença mudou a forma de encarar a vida, além claro, da companhia do Elvis. "Antes eu era uma pessoa sem ânimo, sem expectativa, acomodada. Agora vivo com intensidade. Sou mais forte em todos os sentidos. Pode parecer estranho, mas o câncer me fez crescer e, de certa forma, me ajudou. Assim como ter o Elvis na minha vida", afirma.

Levi é a terapia de Thayana

Na casa da fisioterapeuta Thayana Dellagustin, 37, o cão Levi, de um ano e meio, trouxe afeto e noções de responsabilidade. "A primeira vez que vi o Levi, me apaixonei por ele. Tenho aprendido muito com o Levi sobre como cuidar e me responsabilizar por uma vida. Acredito que cuidar de um cão vai além de oferecer alimento e vacinas. Para mim, cuidar de um cão é olhar para o seu bem-estar e proporcionar uma vida rica em estímulos e vivências. Penso que somente assim se tem uma interação de qualidade e que beneficia humanos e animais", avalia a tutora do Levi.

Além da relação de carinho com os animais, a Thayana, que faz um lindo trabalho na Associação de Assistência em Oncopediatria (AMO Criança), também tem contato profissional com os pets. Durante um bom tempo ela atuou junto ao gato Ariel. O "Ari", que morreu este ano, atuava nas sessões de fisioterapia da criançada e recebeu até homenagem na entidade por sua atuação na Terapia Assistida por Animais, também conhecida como Pet Terapia. 

A Terapia Assistida por Animais (TAA) é um recurso valioso para a saúde humana. Os estudos sugerem que os pacientes podem se beneficiar em termos de comunicação facilitada, respostas emocionais positivas, relaxamento físico facilitado ou motivação para ativação física.

E falando na TAA, na última terça-feira, dia 1º, foi aprovado o projeto de lei (PL) 10/2019 que permite que pacientes internados em hospitais recebam a visita de seus animais de estimação.

O PL permite o ingresso de animais domésticos nos hospitais privados, públicos, contratados, conveniados e cadastrados no Sistema Único de Saúde (SUS). As visitas devem respeitar regras e normas dos estabelecimentos de saúde. 

A charmosa Shaiming

A Shaiming ocupa todos os ambientes do apartamento da professora universitária aposentada Marisa Santos, 68. "Ela é minha filha, meu nenê. Tudo aqui é dela, às vezes consigo alguns lugares para mim", brinca Marisa, que adora ter a companhia de "Shai", independente do que faça. "Se estou no computador, ela deita perto e, se levanto, ela vai atrás. Ela também adora ver televisão comigo, ficamos juntinhas, sentadas na poltrona da sala", orgulha-se a aposentada.

Para manter o pelo sedoso, a Shaiming toma banho na pet shop pelo menos uma vez na semana. "Ela também faz hidratação uma vez ao mês e a cada dois ou três meses faz uma especial com tratamento para o pelo", exemplifica Marisa. Um dos cantos preferidos da Shai é a sala de estar. "Ela adora ficar no almofadão dela e curtir o solzinho, especialmente em dias frios. Também é o espaço em que ficam as coisas dela, como a caixinha de acessórios. Só roupinha que ela não usa muito, por conta do pelo dela", conta Marisa.

Assim como tantos outros cães, a Shaiming é bem agitada. "Mas, se está comigo, está em paz. Ela adora brincar. Tem vários brinquedos espalhados pela casa. E. quando não gosta de algo, faz questão de demonstrar isso", ressalta a "mãe" da Shai.

Comida boa pra cachorro

Na vida da empresária Aline Tais da Rosa, 39, o amor pelos cães se tornou rentável. Ao lado da mãe Maria da Graça Rönnau, 60, ela construiu a Pet Papá. As duas cozinham marmitas saudáveis para animais há seis anos. "Tudo começou com nossa cachorrinha que tinha cálculos na bexiga. Na época a veterinária ensinou receitas e fazíamos. Resolvemos abrir a empresa e hoje tudo é personalizado, de acordo com necessidades dos animais e com orientação da médica veterinária Manuela Fischer, que é referência neste assunto. Temos hoje mais de 30 tipos de dietas, para cães e gatos", destaca Aline.

Shaiming e Marisa tem relação quase familiar Foto: Juarez Machado/GES

O negócio deu tão certo que atualmente a dupla conta com auxílio de mais duas funcionárias. "Fazemos uma tonelada de comida ao mês. Geralmente a pessoa compra para 14 ou 28 dias. Temos as porções prontas ou porções menores. E temos a 'lista de patinhas' com nomes dos clientes fixos e sempre entram novos. Também vendemos biscoitinhos naturais. É tudo orgânico. O resultado tem sido maravilhoso", avalia Aline.

Entre as "cãomidas", estão o prato de "cãorreteiro" e "cãolinhada". "Recebemos pedidos e enviamos para outras cidades",conta Maria da Graça. "Quando imaginamos o futuro, pensamos em ampliar. Queremos ter unidades também em outros Estados", adianta Aline, que se derrete pelos seus pets. "É um amor incondicional".

As marmitas da Maria da Graça e da Aline, incluem o pós-venda. "Damos assistência, não é apenas uma venda. Fazemos contato para saber sobre a saúde dos nossos clientes. Se gostaram, se estão bem", revela Maria da Graça. E os 'papás' são sempre fresquinhos. Apesar de serem vendidos em porções congeladas, nada fica em estoque. E a embalagem vem com dados nutricionais e da responsável técnica.

Kiara, a cachorra policial

Para Kiara, da raça Pastor Belga Malinois, a expressão "colega de trabalho" também se aplica. Há dois anos ela participa de operações policiais com o chefe de investigação da 3ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, Ivan Carlos da Silva, 52. "Ela mais folga do que trabalha", diverte-se Silva. A Kiara veio de um canil da Polícia Civil de Passo Fundo. "Ela despontou para o faro desde nova. É ágil e inteligente", conta o policial, que é também seu tutor.

No final de agosto, ela participou de uma operação no bairro Canudos, em Novo Hamburgo. "A apreensão maior achamos no saco de boxe. A mulher estava com um bebê e reclamou quando a Kiara chegou perto e ficou cheirando. Na hora em que ela foi presa, lembrei e perguntei o que tinha escondido. Foi aí que tirou as petecas de cocaína do sutiã", relembra Silva, que convive também com o gato Thor, 2, e a Yorkshire Vida Valentina, 6.

Dedicação aos peludos

O amor da esteticista animal Talita Gasparetto, 33, é tão grande pelos pets quanto o número de cães que cuida. Em casa são 12 cachorros, que foram chegando aos poucos, todos resgatados das ruas. Além destes, a protetora animal ajuda a cuidar de outros oito cães comunitários, próximo de onde mora, no bairro Mato Grande, em Canoas. Pelos bichinhos ela deixou o apartamento que morava e mudou-se para uma casa maior. Talita também resolveu abrir uma pet shop que tem a maior parte dos recursos revertidos para custeio dos animais. "Me sinto feliz quando consigo alimentar, castrar, dar uma vacina ou tirar um animal da rua."

Talita abraça os novos inquilinos Pirata e Fofão Foto: Fernando Lopes/GES

Quando não é possível resgatar das ruas, ela e outras vizinhas entram em ação para levar alimento, água, medicação ou casinha nos dias de chuva. Para evitar a procriação de mais cachorros de rua, o esforço é para castrar todos que chegam. Os últimos foram Fofão e Pirata. Os irmãos, inseparáveis, ganharam um lar temporário, mas sem adoção conjunta voltaram a ser comunitários. "Eles retribuem o carinho. O problema é que a gente seca gelo, a cada castração chega mais dois ou três animais", lamenta.

Apesar de todo os esforços, Talita ainda sofre críticas, até mesmo de pessoas próximas. "Ouço até dentro da minha família, dizem que gasto demais com os animais, o que poderia gastar com o meu filho", comenta. Ela conta ter aprendido a lidar melhor com as críticas, que em nada diminuem o empenho por esta causa. "Sei que não vou mudar o mundo, mas posso mudar a vida daquele ser." 

Principais cuidados com os amigões

Como nem só de amor se vive, são necessários alguns cuidados básicos para que o cão tenha qualidade de vida. "Um dos cuidados que podemos ter é quanto à raça do cão, se ele vai se adaptar ao ambiente onde você mora. Exemplo: raças grandes requerem espaços maiores", orienta a médica veterinária Mariana dos Santos, que também fala sobre a alimentação. "Cuidar sempre com a alimentação adequada e dar uma ração de boa qualidade, evitar comida.

Podemos incluir na dieta deles algumas frutas, que não sejam cítricas", observa Mariana. A higiene também é importante. "Banhos semanais e, para os mais peludos, escovação diária. Limpeza semanal dos ouvidos e escovação dentária", acrescenta.

 

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