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Soluções para uma BR-116 cheia de problemas estão longe de acontecer a curto prazo

A principal rodovia do Estado tem 11 quilômetros no trecho mais crítico que exigem paciência dos usuários; projetos existem, assim como promessas não cumpridas Reportagem: Priscila Carvalho

Espera, fila, impaciência, falta de informações. O trecho da BR-116, entre São Leopoldo e Novo Hamburgo, envolve um misto de sensações que escancaram os problemas da saturação da rodovia. Solução? A curto prazo, nenhuma. Na realidade, de concreto, infelizmente, são só projetos e promessas que se acumulam. E os problemas não são de hoje. Em sua primeira edição, em 1960, o Jornal NH apontava situações que traziam insegurança aos motoristas da então BR-2, defendendo melhorias.

Se em horários sem movimento é possível percorrer o trecho em alguns minutos, nas horas de rush estes minutos se multiplicam. Em um dia de acidente ou de obras, o que seria uma curta passagem por São Leopoldo se transforma em um teste para a paciência.

Apesar da sua reconhecida importância, para muitos "pegar a BR" é sinônimo de transtorno quando é preciso passar por São Leopoldo - hoje, o maior gargalo da rodovia na região metropolitana. O trecho entre Dois Irmãos e Porto Alegre é o segundo mais movimentado do Brasil, conforme o Dnit. E há anos sem novas obras, o fluxo tem aumentado. Para piorar, são poucas as alternativas para os motoristas que precisam trafegar na BR.

Segundo agentes do posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na Scharlau, no km 246, os horários mais complicados para se trafegar no trecho de São Leopoldo - entre os kms 251 e 240 - são no início da manhã, entre 7 e 9 horas, e no fim da tarde, entre 16h45 até próximo das 19h30, os chamados horários de pico.

Cássio Garcez, da Comunicação Social da PRF, destaca que um dos pontos mais críticos fica na ponte do Rio dos Sinos. "Tem uma confluência (os acessos) e retenções grandes todos os dias e nos dois sentidos da rodovia, que, em condições normais, já causam engarrafamento."


Colisões

Além do fluxo intenso, os engarrafamentos diários são piorados pelos rotineiros acidentes com danos materiais, como as pequenas colisões traseiras. Conforme Garcez, esses sinistros menores e veículos com pane mecânica causam impacto enorme na rodovia e acontecem em média de cinco a seis vezes todos os dias, no trecho de São Leopoldo até Porto Alegre.

"Importante enfatizar que acidentes com danos materiais devem ser registrados pela Internet e que os veículos devem sempre ser retirados da pista o quanto antes. Não é necessário acionar a PRF. Pequenos acidentes, em que os veículos ficam na pista e os condutores discutindo, causam enormes engarrafamentos", colocou, lembrando que deixar o veículo na rodovia após acidente é passível de multa.

Muitas vezes, mesmo os motoristas ligando para o posto e sendo orientados a retirar o veículo, eles continuam na pista, e isso, nos horários de pico, gera engarrafamentos

A falta de consciência ao volante

Além dos problemas estruturais, a falta de consciência dos motoristas também influencia diretamente nas tranqueiras do trecho leopoldense. "O uso do telefone celular, por exemplo, é o causador de boa parte dos acidentes nesse trecho. O motorista está no celular, não vê que o trânsito está parado à frente e bate o carro. Além disso, tem um fluxo de pedestres e ciclistas que não utilizam as passarelas, e também há os motociclistas que transitam entre os veículos e acabam colidindo algumas vezes", comenta Garcez, da PRF.

Tranqueira exportada para a cidade

A tranqueira da BR-116 acaba tendo influência também no trânsito leopoldense, pois muitos tentam escapar dos congestionamentos atalhando por vias urbanas do município. O diretor de Trânsito da Prefeitura de São Leopoldo, Ricardo Kuhn, diz que para desviar da rodovia federal, os usuários acessam a cidade usando ruas e avenidas como a Mauá, a Thomaz Edison, a Atalíbio Taurino de Rezende.

"Tranca tudo. No momento que os veículos desviam para São Leopoldo trancam os nossos semáforos, vias. Acaba demorando o mesmo tempo que se ficassem na BR. Aumenta o número de acidentes e uma quantia deles acaba sendo com veículos de fora da cidade. Além de piorar a situação da via, porque a manutenção tem que ser permanente."

Outros trechos da região também são complicados

Além do trecho crítico em São Leopoldo, dois pontos que costumam exigir paciência dos condutores na BR-116 são a sinaleira do bairro Roselândia, em Novo Hamburgo, e a área do trevo de acesso a Ivoti. Ambos os locais tiveram alterações no trânsito nos últimos anos, realizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), porém, os problemas de engarrafamento não foram solucionados por completo. No momento, o Dnit destaca que não há novas intervenções programadas. "O estudo que contempla os locais questionados teve seu contrato rescindido por falta de recursos orçamentários", afirma.

Na época em que foram executadas, as mudanças eram adequadas, segundo o departamento. "Mas devem passar por novas atualizações devido ao aumento de fluxo na região, principalmente causado pelo aumento demográfico de Ivoti e Dois Irmãos", conclui. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) considera que as alterações anteriores beneficiam motoristas que passam pelos trechos.

"Na Roselândia, houve melhora significativa do fluxo após a intervenção do Dnit com obras. Antes, havia registro frequente de acidentes e lentidão", informa. Em Ivoti, conforme a PRF, a retenção do fluxo depende de diferentes fatores. "Como o volume de veículos, acidentes, veículos em pane mecânica, veículos de carga com excesso de peso", acrescenta. A PRF explica que não há contagem de veículos nessas áreas.

Pior momento é à tardinha

Foto por: Diego da Rosa/GES
Descrição da foto: O professor Luis Fernando Palm é um dos motoristas leopoldenses que trafega todos os dias pela BR-116
"Semana passada, teve um dia que levei 35 minutos da Scharlau até a Rua Osvaldo Aranha, no Centro, um trecho que leva no máximo 10 minutos". O depoimento é do professor Luis Fernando Palm, 45 anos, um dos motoristas leopoldenses que enfrenta transtornos por conta do trânsito da BR-116, onde trafega todos os dias, pelo trabalho. À tardinha, para ele, é o pior momento do trânsito.

Meus pais moram no Cristo Rei, eu, no Centro. Levo no máximo 5 minutos para vir de carro. Na tardinha, demoro até 30 minutos por dentro da cidade. Muitos motoristas tentam escapar pelo Centro, mas a malha viária da cidade não comporta mais o trânsito habitual, que dirá esse excesso
Para Palm, a falta de rotas alternativas é o principal problema. "Aquele plano da BR-448 ir até Portão ajudaria muito. A construção de pistas laterais, da ponte do Rio do Sinos até o viaduto da Scharlau, também."

Ida tranquila, volta complicada

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: O impressor flexográfico Maicon Gomes critica falta de rotas alternativas na rodovia

Há quatro anos, a rotina do impressor flexográfico Maicon Gomes, 32, é a mesma: desloca de carro pela BR-116 até o trabalho, em Dois Irmãos. "Eu sempre ando nos mesmos horários. De manhã, às 7h05, saio de São Leopoldo para Dois Irmãos, e depois volto às 17h35. Na ida, é tranquilo, mas na volta, é bem complicado", comenta, citando o trecho no quilômetro 244, no acesso da RS-240 para a BR-116.

Gomes avalia que a falta de rotas alternativas é um dos principais problemas da rodovia, mas outros fatores também influenciam. "Quando ocorre um acidente, tranca as duas pistas e isso está relacionado a inconsequência do condutor, porque quando dá um acidente na outra pista, o pessoal reduz a velocidade para ver o acidente, aí tranca as duas. O que também ocorre é que, na época das cheias do Rio dos Sinos, todos passam pela ponte a 20 km por hora para olhar o rio, aí tranca toda a BR".

Dois projetos em um pacotão de obras

Citadas como prioridades pela bancada gaúcha que conseguiu recursos para estradas da região e disse que pretendia investir os mesmos na BR-116, a ampliação da ponte sobre o Rio dos Sinos e a terceira faixa da via fazem parte de um mesmo projeto. "A duplicação da ponte sobre o Rio dos Sinos e as terceiras faixas são obras inclusas na Contratação Integrada de Empresa para Elaboração dos Projetos Básico e Executivo de Engenharia e Execução das Obras de Melhoramentos Físicos e de Segurança de Tráfego da BR-116/RS, Lote 01, já licitado, e em fase de assinatura do contrato com a empresa vencedora", informou o Dnit. Porém, o órgão não divulgou prazos.

Milhões de reais é a verba que migraria da 448 para ampliação da ponte do Sinos

Parlamentares gaúchos buscam negociar com a União esta verba que teria "sobrado" no projeto de estudo da extensão da BR-448, que será feito pelo Dnit.

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