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Notícias | Região Agronegócio

Começa o raleio da bergamotinha no Vale do Caí

Colheita da mandarina verde, além de garantir renda extra aos citricultores, é matéria-prima para a produção de óleos essenciais

Por Débora Ertel
Publicado em: 23.02.2021 às 04:00

Expectativa é de safra 112% superior ao ano passado, quando a estiagem castigou Foto: Cultivo Comunicação Rural/Divulgação
Na semana passada, foi dada a largada no processamento da mandarina verde na Cooperativa de Citricultores Ecológicos do Vale do Caí (Ecocitrus), localizada em Montenegro. A expectativa é processar nesta safra 1.470 toneladas da fruta na fábrica, o que representa aumento de 112% em relação ao ano anterior. Ano passado, os pomares foram castigados pela estiagem que atingiu todo o Estado, e a produção teve quebra significativa.

A colheita da bergamotinha verde, como é chamada pelos produtores, no meio rural é a junção do útil ao agradável. Isso porque é necessário fazer o manejo natural da planta nessa época, chamado de raleio. A técnica é importante para evitar que a planta fique sobrecarregada e ocorram perdas futuras de frutas.

Na Ecocitrus, as bergamotinhas são aproveitadas para a produção de óleo essencial, assim os citricultores garantem uma renda extra. Com o processamento na fábrica, a cooperativa produz óleo essencial, amplamente utilizado na indústria de perfumaria e cosméticos, sendo 90% da produção exportada para a França.

Desde 2005, a mandarina é processada, beneficiando diretamente mais de 50 famílias do Vale do Caí.

Manejo

De acordo com o engenheiro agrônomo da Ecocitrus, Daniel Büttenbender, o aumento na produção de mandarinas se deve a um manejo correto que os agricultores da cooperativa fizeram após a estiagem do ano passado. "Trabalhamos com adubação e podas. Depois que começou a chover, os pomares conseguiram se recuperar rapidamente", resume. No ano passado, a quebra na colheita de citros ficou em torno de 50%.

Büttenbender ainda lembra que, em 2020, as frutas estavam murchas no momento do raleio, a ponto de ser possível a colheita ou extração do óleo.

Muitos produtores optaram por nem fazer o raleio e colheram toda a fruta madura na metade do ano. Segundo Büttenbender, a variedade Caí foi a que mais sofreu com a estiagem. Isso aconteceu porque, quando começou a chover, a fruta já estava quase na época de ficar madura. Já a variedade montenegrina, como é mais tardia, conseguiu recuperar o tamanho e a qualidade dos frutos maduros. "A safra deste ano, então, veio em melhores condições", explica o engenheiro agrônomo.

Na recuperação dos pomares, outro fator determinante ainda foi a homeopatia e a agricultura biodinâmica, que são tecnologias alternativas incentivadas pela Ecocitrus. "Todos os agricultores que utilizaram preparados biodinâmicos ou soluções homeopáticas nos pomares ficaram impressionados com a recuperação das plantas", ressalta Büttenbender.

 

Cadeia de produção

Óleo essencial de citros da Ecocitrus Foto: Laís Escher/Cultivo Comunicação Rural
O presidente da Ecocitrus, Maique Konrad Kochenborger, lembra que todos os sócios da Ecocitrus recebem assistência técnica gratuita. Além disso, a cooperativa possui o selo Faitrade, que atesta a operação dentro do mercado justo e valoriza toda a cadeia de produção.

O manejo orgânico é certificado pelo IBD, maior certificadora de orgânicos da América Latina, no qual a Ecocitrus é a ficha número 001 do Rio Grande do Sul, mostrando o pioneirismo da entidade no respeito ao meio ambiente.

 


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