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RS-239 segue escalada de mortes sem solução para acidentes fatais

Desde o começo do ano,14 pessoas morreram em acidentes na via. Estado segue estudando o que fazer com a rodovia

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 06.04.2021 às 06:00 Última atualização: 06.04.2021 às 07:27

Um dos acidentes aconteceu no km 37 da RS-239, em Araricá Foto: Bombeiros Voluntários de Nova Hartz/Especial
Com mais duas mortes em acidentes na Sexta-Feira Santa, a RS-239 chegou a 14 nos primeiros meses de 2021. Em janeiro e fevereiro, foram registrados cinco óbitos cada. Em março, outros dois. Nos primeiros dias de abril, já aconteceram duas novas mortes. A maior parte das ocorrências é à noite. O levantamento é da reportagem do Jornal NH.

A rodovia percorre 132 quilômetros e cruza 12 municípios, mas o trecho mais crítico está localizado entre Sapiranga e Parobé. Os acidentes com morte se concentram em um trecho de pouco mais de 40 quilômetros.

Margeada por cidades e indústrias, a via tem um perfil de trânsito urbano, com grande movimento de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres. Ainda assim, a rodovia segue sem um plano de ações para reduzir a ocorrência de acidentes e mortes.

O prefeito de Parobé, Diego Picucha, afirma que já foram feitas diversas solicitações à Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), concessionária da rodovia, pedindo melhor sinalização. "É uma situação complicada, porque é de competência do Estado. Ao município cabe fazer a conscientização da comunidade e a iluminação da via, que a gente procura manter em dia."

Prefeita de Sapiranga, Carina Nath considera que a quantidade de cruzamentos e retornos contribui para um maior número de acidentes, além da imprudência dos motoristas. "Solicitamos melhorias que se fazem necessárias e que são de vital importância para os usuários, como, por exemplo, a instalação de redutores de velocidade ao longo do perímetro urbano."

No início de fevereiro, representantes do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) e da EGR fizeram uma visita à rodovia para vistoriar os locais onde devem ser instalados controladores de velocidade.

A previsão é instalar dois equipamentos no trecho de Sapiranga. Um no sentido Taquara-Sapiranga próximo ao Posto Ferrabraz, antes do cruzamento com a Rua Nações Unidas. E outro em frente à Rua Jacob Milton Benemann. Dois meses depois, a instalação dos controladores segue sem previsão.

No momento, está em fase de contratação de uma empresa para realizar os estudos técnicos. De acordo com o Daer, esses estudos comprovam a real necessidade dos equipamentos e são imprescindíveis para legitimar a homologação de multas. "Neste momento, esse ponto está sendo monitorado, a fim de identificar quais intervenções devem ser feitas no local antes da implantação dos dispositivos", informa o Daer.

Polícia intensifica fiscalização

Como o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) considera apenas as mortes na via, e não no hospital, as estatísticas do órgão mostram uma redução nas mortes, de seis para cinco, em relação ao mesmo período de 2020. Ainda assim, as ações de fiscalização foram intensificadas, de acordo com o capitão Joelson Ferri Barbosa, que responde pelo 3º Batalhão Rodoviário.

"A gente sabe da importância que essa rodovia tem para o Estado, que ela precisa ser bem fiscalizada. Nossos agentes estão atuando sete dias da semana, 24 horas, para tentar reduzir ao máximo o número de mortes e acidentes."

Na avaliação do comandante, a via está em boas condições e apresenta sinalização adequada. Ele atribui a ocorrência de acidentes à postura dos condutores.

Mortes no prolongamento da rodovia

Nesse fim de semana, um casal morreu após um acidente na noite de sábado, em frente ao Batalhão da Brigada Militar, em Rolante. Sônia Angélica dos Santos, 52, faleceu no sábado e seu companheiro, Adriano Konrath, 45, na madrugada de domingo.

Eles estavam no Siena vermelho, que ficou destruído após bater em uma árvore na Avenida Getúlio Vargas, no Centro. A avenida fica no perímetro urbano de Rolante e não é considerada a RS-239, apesar de o traçado ser uma continuação da rodovia.

Especialista defende série de investimentos

"Além da imprudência, que é uma das principais causas de acidentes de trânsito, temos um trecho bastante urbano, com bastante movimentação. Atravessar se torna arriscado para os pedestres", analisa a professora dos cursos de formação e atualização de instrutores de trânsito da Feevale, Claudete de Souza.

A professora avalia que, em função da movimentação de pedestres, seria necessário maior número de passarelas e fiscalização de velocidade. Ela defende a fiscalização móvel com uso de radares e investimentos na iluminação.

Os acidentes fatais em 2021

8 de janeiro (1 morte)
Motociclista Carlos Gessi Nogueira, 60 anos, foi atingido por uma van, no quilômetro 46 da RS-239, em Parobé, sentido Taquara-Novo Hamburgo. Morreu no hospital de Parobé.

9 de janeiro (1 morte)
O carona Jorge Flores dos Santos, 59 anos, morreu no hospital, horas depois de o carro em que estava cair no canteiro central da RS-239, próximo ao bairro XV de Junho, em Parobé.

15 de janeiro (1 morte)
Condutor da BMW 135i, Ezequiel Osório de Lima, 42 anos, morreu após colidir contra um carro de funerária na lateral da RS-239, no quilômetro 27 da rodovia, em Sapiranga. O impacto chegou a danificar a estrutura de concreto de um poste. Acidente sentido Taquara-Novo Hamburgo.

25 de janeiro (1 morte)
Roberto dos Santos, 37 anos, morreu no Hospital de Sapiranga depois que ele e a mãe foram atropelados na altura do bairro Amaral Ribeiro, em Sapiranga, por um carro que trafegava no sentido Novo Hamburgo-Taquara. Acidente aconteceu a pouco mais de 100 metros de uma passarela.

27 de janeiro (1 morte)
Motorista Iriceu Lopes dos Santos, 65 anos, morreu após o carro que estava capotar na RS-239, quilômetro 33, em Araricá. Ele era de Novo Hamburgo e conduzia um Honda FIT. Acidente aconteceu no sentido Novo Hamburgo-Taquara.

3 de fevereiro (1 morte)
Olinda de Souza Vieira, 45 anos, morreu após ser atropelada na RS-239, em Parobé. A vítima era moradora de Nova Hartz. O acidente aconteceu no quilômetro 43, no bairro Alexandria.

5 de fevereiro (3 mortes)
Douglas Taschetto Nunes, de 24 anos, e Deleon Reis Vith, de 39, morreram após se envolverem em um acidente na altura do quilômetro 34, próximo ao pórtico de entrada de Araricá, por volta das 22 horas. Vith era o motorista de uma Toyota Hilux, com placas de Sapiranga, que acabou colidindo de frente contra Volkswagen Voyage, com placas de Taquara. Nunes estava na carona.
Mais cedo, por volta das 20 horas, Vitório Camargo de Almeida, de 69 anos, foi atropelado por um veículo na altura do quilômetro 29 da rodovia, nas proximidades da Calçados Beira-Rio. O metalúrgico morreu no hospital. Almeida era pai de sete filhos, tinha 24 netos e uma bisneta.

27 de fevereiro (1)
Anderson Castro Licks, de 35 anos, morreu após caminhão carregado de toras tombar, na altura do quilômetro 57, em Taquara. A vítima foi arremessada para fora do veículo.

13 de março (1 morte)
Maurício Mendes da Silva, 23 anos, morador de Taquara, morreu no final da noite de um sábado, após uma colisão frontal, no quilômetro 24, em Campo Bom.

20 de março (1 morte)
Vinícius Gabriel Timm de Lima, 18 anos, morador de Campo Bom, foi encontrado já sem vida a poucos metros da rodovia. A suspeita é de que ele seguia no sentido Taquara-Rolante. Ainda não se sabem as circunstâncias do acidente, que aconteceu na altura do quilômetro 68, em Rolante.

2 de abril (1 morte)
Roberson Eduardo Amorim Rodrigues, de 24 anos, era ocupante de um Vectra, com placas de Sapiranga, e morreu após colisão no quilômetro 37, em Araricá, pouco antes das 3 horas.

2 de abril (1 morte)
O ciclista Dorvalino Rodrigues dos Santos, 64 anos, morreu após ser atropelado por um Chevrolet Celta no quilômetro 43, em Parobé.


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