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Notícias | Região AÇÃO PENAL

Tenente da Brigada Militar vai a júri por espancar ex-mulher em Novo Hamburgo

Decisão, que saiu nesta segunda, envolve acusação de ciúmes e sentimento de posse em tentativa de feminicídio, enquanto réu nega

Por Silvio Milani
Publicado em: 22.11.2021 às 20:55 Última atualização: 22.11.2021 às 22:34

O tenente da Brigada Militar Ronaldo Joaquim Tomé da Cruz, 56 anos, vai a júri por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, uma funcionária pública de 35 anos, cometida no início deste ano, em Novo Hamburgo.

Imagens mostram carro, tenente chutando a porta e agressões com arma em punho
Imagens mostram carro, tenente chutando a porta e agressões com arma em punho Foto: Reprodução

A decisão, chamada de sentença de pronúncia, foi dada nesta segunda-feira (22) pelo juiz Guilherme Machado da Silva. A pena prevista é de seis a 20 anos, mas pode ser maior porque o magistrado coloca como majorante o fato de as agressões terem sido feitas na frente da filha pequena do réu e da vítima, com dois anos e seis meses no dia do crime. Para o Ministério Público, o policial agiu por ciúmes e sentimento de posse, enquanto o acusado alega legítima defesa e que não queria matar.

“Como se percebe, há versão nos autos, constante dos depoimentos da vítima e da testemunha presencial, no sentido de que o réu desferiu várias agressões contra a vítima, portando arma de fogo, inclusive atingindo-a com coronhadas na cabeça. Tanto tal vertente probatória quanto o vídeo juntado sustentam, em princípio, a acusação de que o réu cessou as agressões e se retirou do local quando um veículo se aproximou com os faróis ligados”, considera o juiz.

O contexto, conforme frisa, deduz que cabe aos jurados decidir se o réu pretendia ou não matar. “Ou, se assim agindo, ao menos assumiu o risco de produzir o resultado morte, o que não ocorreu por circunstâncias alheias à sua vontade. A tese pessoal do réu de que se defendeu de agressões da vítima ou as teses da defesa técnica de ausência de intenção de matar e de desistência voluntária precisam ser analisadas pelos jurados, a quem cabe valorar a prova, uma vez que há vertente probatória confrontando-a.”

"Alento"

A reportagem não conseguiu contato com a defesa, que deve recorrer ao Tribunal de Justiça, em Porto Alegre. O advogado da vítima, André Von Berg, que atua na assistência de acusação, declara que recebe a decisão como um "alento".

"A sentença só confirma tudo o que foi dito pela vítima e o que a prova dos autos demonstrou: que houve tentativa de feminicídio. Reiteramos que as agressões contra as mulheres devem ser levadas ao conhecimento da autoridade policial para a devida apuração e aplicação dos rigores da lei."

Guarda municipal é a testemunha

A testemunha mencionada pelo juiz é um guarda municipal de São Leopoldo, namorado da ex-mulher do policial na época do crime. O depoimento do agente, que estava com ela e a filha do PM no momento das agressões, corroborou a reação de ciúmes. "Então vocês estavam juntos desde sempre", falou o tenente, segundo o guarda, ao ver os namorados com a filha na casa. A testemunha também descreveu a sucessão de agressões, com coronhadas, chutes e socos na funcionária pública na presença da filha. Disse que foi ameaçado pelo réu ao tentar intervir e confirmou que o PM só parou de bater na ex-mulher quando um farol de carro iluminou a frente da casa. Entretanto, ao tocar no cerne da acusação, pode ter ajudado o réu, conforme trecho do depoimento citado na sentença de ontem. "Não tem como precisar se Ronaldo tinha intenção de matar (nome da vítima), mas acredita que não."

Oficial diz que trocou agressões sem a intenção de matar

Nos dois interrogatórios, o oficial da BM disse que foi agredido primeiro, perdeu a cabeça e bateu também. Segundo ele, a discussão começou porque teria visto o "rapaz" (guarda municipal) de roupas íntimas na casa, onde estava a filha.

O PM afirmou que o homem não tentou intervir e reiterou que não tinha intenção de matar. Relatou que, na semana dos fatos, a vítima mandou várias mensagens a ele, mas que não pode provar porque seu telefone foi furtado. O policial militar está desde o início de setembro em prisão domiciliar em Tramandaí.

"Apanhei sem reagir para não levar tiro"

O tenente é acusado de invadir a casa dos pais da ex-mulher, no bairro Lomba Grande, por volta das 22h30 de 23 de janeiro, um sábado. Espancada a socos, chutes e coronhadas, a funcionária pública ficou com o rosto desfigurado por um período. A filha de dois anos do casal, que estava separado há três meses, viu tudo.
"Pensei que ele ia me matar de tanto bater. Apanhei sem reagir para não levar tiro", contou a mulher à reportagem. Parte das agressões foram flagradas por câmeras de vigilância. Para ela, o ex-companheiro ficou irritado ao ver o então namorado, um guarda municipal de São Leopoldo, na sala de jantar.
Ao tentar intervir, o guarda também teria sido ameaçado com arma. "Teu macho não vai te defender?", questionava o agressor à vítima, que foi hospitalizada. O policial foi embora em um Cruze branco e capturado na tarde do dia seguinte, em Tramandaí, por meio de mandado de prisão preventiva.
"Ela ficou muito machucada. São horríveis as imagens do rosto", declarou a delegada da Mulher de Novo Hamburgo, Raquel Peixoto, que pediu a prisão.

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