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Notícias | Região SAÚDE

Mutirão zera a fila oncológica do SUS na região

Remanejo na referência para quatro cidades buscou mais agilidade

Por Joceline Silveira
Publicado em: 14.01.2022 às 03:00 Última atualização: 14.01.2022 às 08:07

Zero. Este é o número de pacientes aguardando por primeira consulta oncológica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em quatro cidades da região. A fila de espera foi zerada na tarde de quinta-feira (13), quando os últimos sete pacientes, dos 172 que já tinham câncer diagnosticado em Campo Bom, Ivoti, Estância Velha e Dois Irmãos, foram atendidos no Hospital Bom Jesus (HBJ), em Taquara, administrado pela Associação Hospitalar Vila Nova (AHVN). Alguns aguardavam há um ano.

Convênio com Hospital de Taquara zera fila de oncologia
Convênio com Hospital de Taquara zera fila de oncologia Foto: Joceline Silveira/GES-Especial

A marca só foi alcançada após um movimento do Ministério Público Federal (MPF) para atender a demanda reprimida por atendimento oncológico pelo SUS na região. Até o início do mês de dezembro esses pacientes encaminhados pelo Sistema eram atendidos no Hospital Regina, em Novo Hamburgo. No entanto, o longo prazo para iniciar o tratamento forçou a mudança, que foi definida em audiência.

No encontro, ocorrido no dia 7 do último mês, estiveram presentes, além do MPF, representantes dos dois hospitais, dos governos federal e estadual, dos quatro municípios - mais Novo Hamburgo.

Mutirão

Uma semana depois, no dia 14 de dezembro, começaram os atendimentos. "Em regime de mutirão e turnos extras fizemos uma força-tarefa para suprir essa nova demanda de pacientes que chegava em diferentes estágios da doença. Temos registros de pessoas que aguardavam pela consulta inicial desde o dia 26 de dezembro de 2019. Isso é tempo demais, ainda mais se tratando de uma doença tão agressiva como o câncer", observa a diretora do HBJ, a médica Andressa de Conti.

A casa de saúde já era referência para oito municípios do Vale do Paranhana: Riozinho, Rolante, Três Coroas, Parobé, Igrejinha, São Francisco de Paula e Taquara, onde não há demanda reprimida. "Tivemos que adequar nossos atendimentos para evitar que se formassem futuras filas, tanto para consultas, exames ou cirurgias, nos municípios que já atendíamos, e encaixar os novos pacientes que requeriam atenção", disse a médica.

Conforme Andressa, inicialmente 172 pacientes aguardavam há mais de 60 dias por atendimento, número que ainda passou para 200. "Como a lista encaminhada pelos municípios era do mês de outubro, estava defasada. Conforme iniciamos o trabalho, novos pacientes foram encaminhados. Entramos em contato com 200 pessoas, destas 155 foram encaminhadas para atendimento, dez não compareceram e em oito casos, infelizmente, era tarde demais. Elas vieram a óbito na fila de espera", observa.

Morador de Ivoti, Germano Prass, 54 anos, aguardava atendimento com a esposa, Marli, 58. Diagnosticado com câncer de garganta, o aposentado estava otimista com o encaminhamento ágil. "O tempo é escasso nessa doença, então quanto mais rápido a gente começa o tratamento, mais depressa chegamos à cura", comenta Prass.

Região ainda está avaliando funcionamento

A alteração de referência de Novo Hamburgo para Taquara não impactou no atendimento dos pacientes que já estavam em tratamento no Hospital Regina. Quem já havia iniciado tratamento no Regina seguirá o atendimento no mesmo local mesmo morando nesses municípios.

Os moradores de Novo Hamburgo que precisarem de tratamento oncológico também seguirão no hospital hamburguense. Conforme a casa de saúde, atualmente cerca de 3 mil pacientes são acompanhados pela oncologia SUS. Destes, em torno de 62% são de Novo Hamburgo.

Cota de consultas

Em Campo Bom a alteração resultou em 57 consultas para pacientes da cidade em menos de trinta dias. Anteriormente, no Hospital Regina, o município tinha direito a dez atendimentos por mês.

Para o prefeito Luciano Orsi, os números comprovam o êxito da mudança. "O esforço da administração municipal para que houvesse a troca de referência sempre foi no sentido de beneficiar a população e agora pacientes que há meses aguardavam atendimento iniciam seus tratamentos", afirma.

O secretário de Saúde João Paulo Berkembrock observa que a oferta de atendimentos era insustentável. "A fila aumentava e a oferta se mantinha estagnada, mas os pacientes com câncer não podem esperar. Hoje, essa mudança já salva vidas", destaca.

As quatro cidades terão até o próximo dia 10 de fevereiro para avaliar o atendimento prestado no Bom Jesus e, se necessário, reconsiderar o direcionamento dos pacientes oncológicos para a instituição taquarense durante audiência pública com o MPF.

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