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Notícias | Região PÓS-COVID

O que foi feito com a estrutura hospitalar montada para a pandemia na região

Em transição para um contexto pós-pandemia, sistema de saúde está em pressão em meio a novas crises

Por Redação
Publicado em: 25.05.2022 às 03:00 Última atualização: 25.05.2022 às 09:29

O sistema de saúde brasileiro está em transição para um contexto pós-pandemia, com parte da estrutura dedicada exclusivamente ao combate à Covid sendo redirecionada. Isso acontece tanto em escala nacional quanto regional. Contudo, vários fatores novos acabaram complicando a situação: dengue; crescimento das doenças sazonais do inverno, atingindo especialmente a pediatria; e até um novo crescimento de casos de Covid, embora menos grave que no passado.

Parte dos aparelhos empregados em UTIs Covid-19 segue em uso em Novo Hamburgo
Parte dos aparelhos empregados em UTIs Covid-19 segue em uso em Novo Hamburgo Foto: Comunicação/FSNH
A boa notícia é que parte dos leitos em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) criados para tratar pacientes com Covid-19 vai ser mantida. No País, está confirmada a permanência de 6.450 das cerca de 26 mil vagas de terapia intensiva criadas nos últimos dois anos.

Adaptação

Uma das questões é o que será feito com os 20 mil leitos que serão desabilitados.União, Estados e municípios ainda estão definindo soluções. Conforme a Secretaria Estadual da Saúde (SES), a reorganização das UTIs é capitaneada pelo governo federal, responsável por custear esses leitos específicos. Ainda de acordo com o Estado, é o Ministério da Saúde quem habilita e desabilita o funcionamento de vagas.

"Não teremos mais leitos com nome de Covid-19. Os pacientes com a doença serão atendidos em leitos de UTI geral. Eles precisam estar em uma área reservada, mas os hospitais já lidam com doenças que necessitam de isolamento desde antes da pandemia", informou a SES por meio de sua assessoria de imprensa.

Já o Ministério da Saúde informou, através de nota, que os aparelhos que compunham as UTIs específicas de Covid eram dos hospitais que solicitaram a habilitação, "sendo de responsabilidade e gestores a destinação desses aparelhos".

Caso a caso

Enquanto Estado e gestores hospitalares debatem a adaptação da estrutura existente, levantamento feito pela reportagem em alguns dos hospitais da região identificou tanto locais em que os aparelhos foram realocados e estão em uso quanto outros em que eles foram armazenados, aguardando recolhimento.

Enquanto isso, nas últimas semanas pressões começaram a se acumular no sistema de saúde, passando a integrar o debate sobre a adaptação da estrutura. Uma das principais é a escassez de leitos de UTI pediátricos.

Crescimento de casos e o problema da pediatria

Um dos fatores de pressão sobre o sistema de saúde no momento é o crescimento de doenças respiratórias infantis. Especialistas atribuem o fenômeno tanto à sazonalidade dos meses de inverno quanto ao impacto da volta das crianças à circulação, após a quarentena.

Uma das consequências diretas deste aumento, além do que já vinha sendo observado nas unidades de saúde tanto públicas quanto privadas, foi a pressão sobre os leitos de UTI pediátrica. Na região, há 12 disponíveis pelo SUS, dois deles em Novo Hamburgo e dez em Canoas. A central de regulação do Estado, em caso de necessidade, redireciona casos extras para outras regiões. Entretanto, isso provoca transtornos.

O assunto preocupa prefeitos da região. Uma reunião com a Secretaria da Saúde foi agendada para esta quinta-feira em busca de soluções.

Decisão do Estado sobre destinação é aguardada

Equipamentos mais comuns nas UTIs Covid, os respiradores pulmonares que "sobraram" do período mais intenso da Covid tiveram destinos bem diferentes pela região.

No Hospital Municipal de Novo Hamburgo (HMNH), por exemplo, dos 30 aparelhos, metade está separada. De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, a tendência é de que eles não sejam mais necessários. Uma decisão do Estado a respeito do uso é aguardada. Os 15 itens restantes são utilizados como "retaguarda" na urgência e emergência.

A variação de vagas de terapia intensiva na região desde o começo da pandemia

Números abaixo compreendem a soma dos leitos criados como Covid-19 e os de maneira convencional.

Vagas UTI
Vagas UTI Foto: Reprodução

Permanência de vagas para alcançar meta da OMS

No Rio Grande do Sul, mais de 1 mil leitos de UTI Covid foram desabilitados pelo Ministério da Saúde. Por outro lado, foram criados 315 leitos de UTI pelo Estado.

Assim, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (SES), o RS conta com 1.810 leitos de UTI no Sistema Único de Saúde. São 1.285 leitos de UTI geral, 186 leitos pediátricos e 339 de UTI Neonatal. Esses números seriam suficientes, de acordo com a SES, para atender a demanda da população gaúcha, de acordo com recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Cada hospital segue suas próprias necessidades

Na falta de um protocolo unificado sobre o que fazer com os equipamentos dos leitos Covid extintos, há ações distintas entre as casas de saúde. No Hospital Bom Jesus, de Taquara, os aparelhos estão separados aguardando recolhimento pelo Estado.

No Hospital de Caridade de Canela, respiradores, monitores, bombas de infusão e desfibriladores foram realocados. No Arcanjo São Miguel, em Gramado, os itens também foram espalhados por outros setores. Em Estância Velha, onde não há UTI, os equipamentos também foram realocados.

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