Publicidade
Botão de Assistente virtual
Notícias | Região LEVANTAMENTO

Leite já subiu quase 80% em um mês, aponta Procon de São Leopoldo

Aumento no ano chega a 175,62%. Preços oscilam e vale a pena pesquisar

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 22.06.2022 às 03:00 Última atualização: 22.06.2022 às 11:51

Entre os alimentos mais consumidos pelas famílias, principalmente as que têm crianças, o leite tem representado um peso significativo nos gastos com supermercado. Para quem consome leite regularmente, a dica é pesquisar preços e procurar promoções.

Levantamento ontem mostrava variação de até R$ 2,51
Levantamento ontem mostrava variação de até R$ 2,51 Foto: Matheus Chaparini/GES-Especial
Somente no mês de junho, o preço do litro subiu quase 80%, de acordo com levantamento do Procon de São Leopoldo. Em Novo Hamburgo, a situação não é muito diferente. Na tarde de terça-feira (21), a reportagem fez pesquisa em mercados de três bairros: Vila Nova, Ideal e Liberdade. O preço variou até R$ 2,51, conforme o mercado e o bairro.

O melhor preço encontrado foi em um mercado do bairro Ideal. O leite mais barato custava R$ 5,19, e havia apenas mais alguns exemplares na prateleira. Comprador do estabelecimento, Roberto Seibert Júnior afirma que o integral e o zero lactose foram os que mais subiram de preço nas últimas semanas. "Dá para dizer que já subiu pelo menos R$ 1,50 desde o início do mês", observa.

Com a alta, o produto sai menos. O mercado também teve de reduzir os pedidos.

"Eu até diminuí bastante os pedidos, porque o preço está aumentando muito, então estamos reduzindo o estoque. E os clientes estão levando menos. A venda diminuiu bastante este mês, dá para dizer que caiu pelo menos 30% este mês", estima.

Em um mercado do bairro Vila Nova, o litro do leite chega a R$ 7,70. O menor preço na prateleira é de R$ 6,90. A gerente do local percebe um aumento no preço cobrado pelas distribuidoras desde o início do mês. "A cada pedido que fazemos, o preço subiu de novo", diz.

Em outro mercado, do bairro Liberdade, os preços variam entre R$ 5,65 e R$ 6,99. Mas há desconto para quem compra a caixa com 12 litros. Neste caso, o leite de R$ 5,65 sai por R$ 5,29 e outra marca, que custa R$ 5,99, sai por R$ 4,99.

Alta em junho

Nas últimas semanas, o preço disparou. Em menos de um mês, o litro do leite subiu 79,25% de acordo com levantamento do Procon de São Leopoldo. No dia 1º de junho, o valor médio do produto era de R$ 4,29, o mesmo do mês anterior. Já no dia 20, o litro custava R$ 7,69.

No início do ano, o litro do leite custava em média R$ 2,79. Desde então, o preço subiu 175,62%.

A elevação mais significativa foi mesmo ao longo de junho. Até então, o preço subiu gradualmente de mês em mês. Se compararmos o preço de janeiro com o do início de junho, o aumento foi de 53,76%.

Não há perspectiva de queda de preços, informa o Sindilat

A alta dos preços não é um fenômeno isolado, mas tem impacto internacional. Secretário executivo do Sindicato da Indústria Leiteira (Sindilat/RS), Darlan Palharini afirma que os preços dos insumos subiram desde 2020 e que, em 2021, o reajuste no leite foi pequeno, insuficiente para cobrir os custos da cadeia produtiva.

Palharini cita ainda que a estiagem no RS e as chuvas excessivas no restante do País afetaram a produção, enquanto a demanda se manteve. A alta dos alimentos chega agora aos laticínios.

"Há um outro patamar de custo. Um dos principais fatores é o diesel. Todo transporte do leite, tanto para a indústria buscar nas propriedades, como para chegar no consumidor final, vem aumentando dia a dia. Tivemos também um reajuste salarial de 10% a 12% no setor. Outros produtos alimentícios já haviam subido e o leite e derivados não haviam sido reajustados."

Entre os insumos que impactam no custo estão ainda as embalagens e os grãos, que alimentam o gado. De acordo com Palharini, não há uma perspectiva de curto prazo de redução dos preços.

"É uma cesta de insumos. Não existe um único item que baixando afetaria o preço final. Teríamos de ter uma redução em todos os setores que compõem o cesto para efetivamente voltar ao patamar de preço menor. Devemos ter manutenção de preços nestes patamares", avalia.

Cesta básica custa mais que a metade do salário mínimo

Quem recebe um salário mínimo já gasta mais da metade de sua renda na cesta básica. Em junho, o kit com 27 itens básicos está custando R$ 722,19, de acordo com a última pesquisa do Procon de São Leopoldo, sobre o menor preço da cesta básica no município. O valor representa 59,58% de um salário mínimo, que é de R$ 1.212,00.

Isso significa que depois da cesta básica, quem ganha o piso tem apenas R$ 489,89 (40,42%) para todas as demais despesas.

A pesquisa aponta que a diferença de valor entre maio e junho foi de apenas 0,13%, ou seja, o preço baixou 95 centavos. No mês passado, a cesta custava R$ 723,14. Já este mês está por R$ 722,19.

O levantamento realizado pelo Procon-SL mostrou que os vilões do mês foram o tomate, com o quilo custando R$ 11,50 (aumento de 39%) e a banana, que no dia em que a pesquisa foi feita estava sendo vendida por R$ 3,99 o quilo (aumento de 33%).

Produtor ganha R$ 2,40

Em maio, o produtor de leite ganhou em média R$ 2,40 por litro de leite no Rio Grande do Sul. O dado é da pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo. O valor representa um aumento de 6,39% em relação ao mês anterior.

Entre os oito Estados com produção leiteira pesquisados, o RS tem o terceiro menor preço pago ao produtor. O valor só é menor na Bahia, onde o litro de leite sai da propriedade a R$ 2,12, e no Espírito Santo, R$ 2,35. No País, média é de R$ 2,54.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.