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Uma presbiopia para chamar de minha

Por Patrícia Spindler
Publicado em: 07.04.2021 às 11:00 Última atualização: 07.04.2021 às 16:15

Foi durante o ano passado que a presbiopia entrou na minha vida para ficar. Apaixonou-se por mim e, de uma hora para outra, tomou conta do meu cotidiano mudando minha maneira de enxergar o mundo ao meu redor. Com esse seu jeito avassalador, tenho tentado não perder o equilíbrio e a sanidade para me acostumar um pouco mais com esta nova condição. Mas confesso que nossa relação ainda é de estranhamento. Aos poucos, vamos procurando travar uma intimidade que até sugere que possamos gostar uma da outra. Será?

Se você tiver entre 40 e 50 anos, talvez a conheça. Não a minha, mas a sua. Ou não sabe que, provavelmente, ela também te acompanha? A presbiopia é uma condição natural associada ao envelhecimento, em que a visão apresenta uma capacidade progressivamente diminuída para focar objetos próximos, dificultando para ver de perto. Quando pego um rótulo para ler, instintivamente faço o movimento com os dedos na tentativa de ampliar a imagem, tal como estamos acostumados a fazer com o celular. Meu filho ri da dupla esquisitice.

Porém, esquisito por esquisito, Caetano já nos alertou que, de perto, ninguém é normal. Mais de perto ainda, tudo tem ficado desfocado e diferente. Quando digo que, eu e minha presbiopia, podemos criar uma relação íntima e, talvez até de confiança, é porque tenho achado interessante olhar de outro jeito. Apesar de que sempre me atraiu pontos de vistas diferentes, ângulos diversos, perspectivas novas. Neste momento, olhar para um mundo desfocado talvez favoreça meu namoro com quem chega para ficar. Se tenho alguma certeza, é que flertamos e talvez nem seja tão ruim assim. Mas a dúvida que fica é se piscou para mim ou não.


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